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Plano de aula > Língua Portuguesa > 4º ano > Oralidade

Plano de aula - Conto e reconto: lenda indígena

Plano de aula de Língua Portuguesa com atividades para 4º ano do EF sobre Conto e reconto: lenda indígena

Plano 10 de 15 • Clique aqui e veja todas as aulas desta sequência

Plano de aula alinhado à BNCC • POR: Andréia Cristina Berretta Martins

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Sobre este plano select-down

Slide Plano Aula

Este slide não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: esta é décima aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero lendas indígenas e no campo de atuação artístico-literário. A aula faz parte do módulo de Oralidade.

Materiais necessários: Computador e projetor multimídia para passar os slides. Vídeo AnimaCriança (T1/E1). Curupira Lendas Brasileiras. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=4QjkJVN-SiY. Texto impresso “Juruá e Anhangá” de Kaká Werá Jecupé, disponível nos materiais complementares. Papel kraft ou metro.

Informações sobre o gênero: Lendas indígenas são narrativas de tradição oral que tratam sobre questões vinculadas à existência e a sentimentos como o medo, a coragem, a dúvida, o amor… falam sobre erros, acertos e sobre os enfrentamentos da vida, questões nem sempre fáceis de serem elaboradas. No Brasil, essas lendas inicialmente foram escritas por não indígenas, no intuito de fazer conhecer essa cultura, em um momento histórico em que se buscava construir uma identidade nacional. Entretanto, esses primeiros escritos, de caráter folclórico, muitas vezes trouxeram ideias genéricas sobre os índios. Desde os anos 90, a literatura indígena, escrita pelos próprios índios, vem ganhando força, e é por meio dela que buscaremos proporcionar aos alunos o conhecimento da pluralidade cultural do país, além do distanciamento de pré-julgamentos baseados em visões estereotipadas e pejorativas. Portanto, a leitura desses textos deve proporcionar a reflexão sobre como o outro vê e lê o mundo e como conta suas histórias. Nessas obras o texto é interativo e multimodal: as narrativas são permeadas de referências a sons, olfato, tato e sensações que podem ser mais bem descritas por quem de fato viveu ou esteve mais próximo dessas experiências… além de geralmente conter desenhos tradicionais (como os grafismos) e paratextos com informações adicionais relacionadas à cultura, língua e localização da etnia em questão. Esses textos literários provocam o imaginário e a fantasia, a curiosidade, sentido de descoberta e ao mesmo tempo promovem aprendizagens e questionamentos.

Dificuldades antecipadas: Muitos alunos podem apresentar dificuldades em fazer um reconto oral de lendas indígenas e de textos literários em geral. Isso pode ocorrer devido à pouca familiaridade com a forma composicional e estilo do gênero em questão. Dificuldades com a compreensão da trama da história também podem prejudicar o reconto. Apesar das crianças estarem acostumadas a contar e recontar suas histórias e vivências do dia a dia, esse tipo de experiência com a oralidade na sala de aula tende a ser menos incentivada se comparada às experiências com a leitura e escrita. Desse modo, os alunos podem se sentir inseguros com a proposta de reconto, por não estarem habituados com situações em que sua fala está em evidência. O apoio deve ser no sentido de fazê-los vivenciar essa experiência com tranquilidade, atentando para a organização dos acontecimentos da narrativa e cuidando para não omitir fatos importantes, o que acarretaria na falta de coerência e coesão textual.

Referências sobre o assunto:

FARIA, M. A. Como usar a literatura infantil em sala de aula. São Paulo: Contexto, 2009.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Ed. ática, 2002.

JECUPÉ. Kaká Werá. As fabulosas fábulas de IAUARETÊ. São Paulo: Peirópolis, 2007.

THIEL, Janice Cristina. A Literatura dos Povos Indígenas e a Formação do Leitor Multicultural. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 38, n. 4, p. 1175-1189, out./dez. 2013. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/edreal/v38n4/09.pdf. Acesso em 19 de nov. de 2018.

Tema da aula select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 1 minuto

Orientações: Apresente a proposta da aula para os alunos.

Introdução select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 12 minutos

Orientações:

  • Inicie a aula reproduzindo o vídeo “Curupira Lendas Brasileiras”.
  • Na introdução do vídeo, faça uma pausa e peça para que os alunos prestem bastante atenção aos detalhes desde o seu início, pois logo após farão uma reflexão sobre a forma de composição da narrativa.
  • No vídeo, Leonardo, que é uma criança, conta sobre quando encontrou o Curupira. Ele faz uma descrição do personagem que tem cabelos de fogo, olhos vermelhos, pés virados para trás, e que é o grande protetor dos animais da floresta. Leonardo faz o seguinte relato: Certo dia, dois caçadores entraram na floresta e procuravam alguns animais para caçar, prender e vender na cidade. Quando um animal ficou preso na armadilha do caçador, os outros animais começaram a gritar para chamar o Curupira. Quando o Curupira ficou sabendo das maldades dos caçadores, ele decidiu fazer uma armadilha para pegá-los. Primeiro o Curupira fez os caçadores se perderem no meio da floresta, depois ele deixou suas pegadas na floresta, o que deixou os caçadores mais confusos ainda, ficando eles encurralados. Quando viram o curupira, tentaram matá-lo com suas armas de caça, mas ele muito esperto, desviou-se das balas. O Curupira se aproximou dos caçadores sem munição e transformou um deles em macaco, deixando o outro fugir para contar a história para outros caçadores, que, com medo, não iriam mais na floresta caçar animais. Nesse momento, Leonardo encontra o Curupira, e o personagem nervoso acha que ele também é caçador. O garoto corre para dentro da floresta e o Curupira o segue montado em seu porco do mato. O menino sobe em uma árvore e o Curupira passa pertinho dele. No meio do caminho Leonardo encontra a gatinha de estimação da sua irmã, a Marri. Na mesma hora aparece novamente o Curupira e a gata fala com ele na língua dos animais, explicando que o menino não é caçador e que cuida dos animais. Tudo se resolve e na volta para casa um macaquinho não larga deles, era o caçador transformado pelo Curupira, mas como animais da floresta não podem ir para casa, eles o deixam lá mesmo.

Materiais complementares: AnimaCriança. Curupira Lendas Brasileiras. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4QjkJVN-SiY. Acesso em 09 de novembro de 2018.

Introdução select-down

Slide Plano Aula

Orientações:

Diga aos alunos que farão uma reflexão sobre o vídeo. Leia as questões em voz alta e peça para que os alunos pensem e respondam:

1 - No início desse vídeo aparecem algumas ilustrações. Como elas são? Quem as ilustrou? Se for necessário, reproduza o início do vídeo novamente.

(São crianças ilustrando personagens folclóricos como boitatá, bruxa, mula-sem-cabeça, lobisomem, saci... eles ilustraram com canetinhas hidrocores e estavam bem à vontade, após terminarem colocaram na parede utilizando fitas adesivas. Então aparece o Saci, personagem bem conhecido dos alunos que completa uma das ilustrações e é colocado no livro, uma maneira de alertar os alunos que a história irá começar)

2 - Quem conta essa história? (Uma criança que se chama Leonardo)

3 - O narrador participa dos fatos? Caso participe, em que momento ele aparece? (Sim, o narrador participa da história, é uma narrativa em 1ª pessoa. Ele aparece logo após os caçadores irem embora assustados com o Curupira)

4 - Quem será que fez o vídeo? Para quem? (São pessoas que produzem histórias voltadas para o público infantil, ilustradas e contadas pelas próprias crianças).

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Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 30 minutos

Orientações:

  • Se estiver seguindo a sequência de aulas, explique aos alunos que irão relembrar a lenda indígena “Juruá e Anhangá”, caso não esteja seguindo diga que irão conhecer esta lenda. Leia o texto para os alunos em voz alta.
  • Faça os questionamentos aos alunos e registre as conclusões no quadro.

1) As lendas indígenas têm origem oral ou escrita? (Essas histórias foram contadas oralmente pelos indígenas e para os indígenas, atualmente muitas histórias estão escritas e chegam aos mais diversos públicos)

2) Quem narrou essa história? (Um narrador que não participa da história, ele é observador). Aproveite e faça uma comparação com o vídeo “no vídeo o narrador também é observador?” É esperado que os alunos respondam que não, na história do Curupira o narrador além de contar também participa dos fatos narrados.

3) Quando e aonde essa história se passa? (no tempo passado, em uma floresta)

4) Quais são os personagens principais? (A mãe, Juruá, e Anhangá - o espírito da floresta)

5) Qual é o conflito gerador? (O conflito gerador da trama é a oposição entre Juruá, caçador imprudente e Anhangá, o espírito protetor das florestas)

6) Qual é a resolução do conflito? (Anhangá, buscando dar uma lição em Juruá, transforma sua mãe em cervo e ele a caça, descobrindo depois, ter matado a própria mãe)

Comentários: Converse com os alunos que ao ler ou recontar uma lenda indígena características que fazem parte de seu estilo e forma composicional, deverão ser consideradas: a presença de narrador, o local e tempo em que se passa a história, os personagens principais e secundários, o conflito e o desfecho (ou resolução) do mesmo no final do enredo.

Materiais complementares: Para acessar o texto impresso clique aqui.

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Slide Plano Aula

Orientações:

  • Escolha um lugar aconchegante: pode ser na própria sala de aula, numa biblioteca que tem um espaço adequado, ou até mesmo num ambiente externo (caso seja possível em sua escola). Faça um roda, peça para os alunos ficarem sentados.
  • Leia a proposta. Saliente a importância de se recontar uma história com foco na sequência dos fatos narrados, na entonação (não podemos falar nem tão alto e nem tão baixo, mas sim no volume adequado para que todos compreendam a história) e na postura. Também é muito importante que ao recontar uma história evitem a repetição desnecessária de palavras e de ideias para que não fique cansativo, além de evitarem uso excessivo de marcadores típicos dos textos orais não planejados como “tipo, né, daí...”.
  • É importante que os alunos reconheçam que há um planejamento ao realizar o reconto - o que não ocorre em uma conversa espontânea, por exemplo -, pois ele parte de um texto conhecido, estudado e com uma estrutura típica que poderá auxiliá-los na organização das ideias na realização da performance oral.
  • Reforce aos alunos que eles serão os narradores e assim como o Leonardo do vídeo “Curupira Lendas Brasileiras”, eles também participarão do enredo.
  • É importante que os alunos saibam que eles podem fazer adaptações na história e acrescentar elementos. Diga que eles poderão ser bem criativos, mas sem esquecer que Juruá contará sobre o conflito entre ele e com Anhangá. Isso deve ser fixo.
  • Peça para que um aluno dê início a história e os outros deem continuidade, seguindo a ordem dos alunos na roda. Você pode dar exemplos de início da história para facilitar o começo da atividade e para demonstrar que cada um deve narrar um trecho curto. Exemplos de início e de brevidade de cada trecho: “Certo dia meus colegas do colégio e eu, fomos fazer um passeio à floresta junto com o(a) professor(a) ___________, quando de repente avistamos um índio…” ou “Meus colegas e eu fizemos um passeio à floresta (nome da floresta) na semana passada e encontramos Juruá, um índio …”.
  • Se a turma for pequena é possível que apenas uma rodada de falas não seja suficiente para terminar a história, não se preocupe, continue convidando as crianças, na ordem em que estão sentadas na roda, para irem narrando até chegar ao fim. Cuide para que a atividade seja dinâmica e passe a vez assim que cada aluno concluir a narrativa de um dos acontecimentos, evitando assim que alguém monopolize a fala tomando o tempo de fala dos demais.
  • É importante definir se a história será contada em 1ª pessoa do singular (“eu encontrei”) ou 1ª pessoa do plural (“nós encontramos”) e definir o tempo verbal (sugerimos o pretérito). Observe que deve haver flexão verbal de acordo com a escolha do narrador e a manutenção do tempo verbal, ambos sendo mantidos até o final da história.
  • Pode ser que algum aluno ou aluna demonstre timidez ou não consiga dar continuidade à história, nesse momento é importante pedir ajuda aos outros colegas, mas tome um cuidado especial para que todos esperem a sua vez de participar e que ouçam os colegas para compreender o andamento da história.

Desenvolvimento select-down

Slide Plano Aula

Orientações:

  • Ainda em roda, fale para os alunos que farão uma análise do reconto da turma e faça os seguintes questionamentos:
  • Nossa história teve início, meio e fim? (É esperado que os alunos, principalmente aqueles que estão seguindo essa sequência de aulas, consigam recontar a história tranquilamente, com começo, meio e fim)
  • Todos conseguiram fazer o reconto sem repetir muito as palavras? (Nessa questão, tome um cuidado especial para os alunos não exponham alguns colegas. Muito provavelmente alguns alunos não atingiram esse objetivo, deixe bem claro que esse foi um momento para experimentarem um reconto e nas próximas aulas terão nova oportunidade para evitar essa repetição de palavras)
  • Conseguimos atingir o objetivo da proposta? (Reflita se na história os alunos encontraram com Juruá, se ele contou sobre o que houve com a sua mãe, qual foi a conversa que tiveram e se houve uma despedida entre eles)
  • Trocamos as palavras: né, daí ou outras que ficaram cansativas por expressões como: então, de repente, em seguida, porque, pois, como… dando maior coesão ao texto? (Provavelmente alguns alunos usaram essas palavras, com cuidado diga a eles que isso pode acontecer no primeiro reconto, mas nos próximos deverão ficar mais atentos para evitarem o uso delas e assim o reconto oral ficar mais atrativo e significativo para todos)
  • Compreendemos toda a história? (É esperado que todos compreendam a história)
  • O tom da sua voz e dos colegas estava adequado? (Com certeza, alguns alunos falam mais baixinho ou até mais alto. Reforce que fiquem atentos para que a voz sempre esteja num tom adequado para que todos compreendam o que disseram)
  • O que precisamos melhorar nos próximos recontos? (Essa resposta vai depender muito do desempenho da turma, é possível que respondam sobre o tom da voz, palavras repetitivas, coesão ou coerência da história)

Fechamento select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 7 minutos

Orientações:

  • Projete o slide para a turma com as perguntas e providencie uma cartolina (papel kraft ou papel metro) para registrar algumas respostas e deixar fixado de preferência no painel da sala de aula para futuras consultas. Você pode também solicitar que os alunos escrevam as descobertas no caderno. Assim será possível resgatar essas informações mais adiante.
  • Sistematize com os alunos o que aprenderam durante esta aula, as perguntas devem apoiar as seguintes respostas:

1 - Por que contamos histórias? (A mãe costuma contar histórias para o filho desde bebê, professores contam para seus alunos, os avós também têm esse costume. Na tradição indígena os recontos orais são as vias de acesso das crianças as crenças, a sabedoria e histórias de seu povo. Em outras culturas as histórias também cumprem essa função, mas de certa forma, as histórias podem estar mais vinculadas ao prazer da leitura, e são mais “lidas” do que contadas oralmente. Converse com as crianças sobre a diferença entre oralizar um texto (ou seja ler em voz alta) e recontar fazendo uso ou não de imagens ou objetos, como foi o caso do vídeo apresentado).

2 - Quais características das lendas não podem faltar numa contação de história indígena?

  • É importante decidir se o narrador irá participar ou não dos fatos narrados;
  • Quando e onde se passa essa história? (geralmente ocorre em uma floresta ou aldeia, no tempo passado)
  • Quais são os personagens que participam da história? ( índios, animais e elementos da natureza costumam estar presentes)
  • Deve haver um conflito gerador e o desfecho, em geral, com a resolução do conflito.

3 - Você conhece outras maneiras de se contar histórias? Quais? (Provavelmente os alunos irão responder que as histórias podem ser contadas através de teatro, fantoches, objetos e instrumentos também podem ser utilizados, além de ilustrações)

4 - Caso esteja seguindo a sequência de aulas de “lendas indígenas”, compartilhe com os alunos que nas próximas aulas eles irão planejar e se preparar para fazer um reconto oral para outros alunos do colégio. Nesse fechamento, os alunos devem ser convidados a começar a pensar nos materiais de apoio e nos elementos estruturantes que não poderão faltar para os recontos da turma.

Resumo da aula

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Este slide não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: esta é décima aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero lendas indígenas e no campo de atuação artístico-literário. A aula faz parte do módulo de Oralidade.

Materiais necessários: Computador e projetor multimídia para passar os slides. Vídeo AnimaCriança (T1/E1). Curupira Lendas Brasileiras. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=4QjkJVN-SiY. Texto impresso “Juruá e Anhangá” de Kaká Werá Jecupé, disponível nos materiais complementares. Papel kraft ou metro.

Informações sobre o gênero: Lendas indígenas são narrativas de tradição oral que tratam sobre questões vinculadas à existência e a sentimentos como o medo, a coragem, a dúvida, o amor… falam sobre erros, acertos e sobre os enfrentamentos da vida, questões nem sempre fáceis de serem elaboradas. No Brasil, essas lendas inicialmente foram escritas por não indígenas, no intuito de fazer conhecer essa cultura, em um momento histórico em que se buscava construir uma identidade nacional. Entretanto, esses primeiros escritos, de caráter folclórico, muitas vezes trouxeram ideias genéricas sobre os índios. Desde os anos 90, a literatura indígena, escrita pelos próprios índios, vem ganhando força, e é por meio dela que buscaremos proporcionar aos alunos o conhecimento da pluralidade cultural do país, além do distanciamento de pré-julgamentos baseados em visões estereotipadas e pejorativas. Portanto, a leitura desses textos deve proporcionar a reflexão sobre como o outro vê e lê o mundo e como conta suas histórias. Nessas obras o texto é interativo e multimodal: as narrativas são permeadas de referências a sons, olfato, tato e sensações que podem ser mais bem descritas por quem de fato viveu ou esteve mais próximo dessas experiências… além de geralmente conter desenhos tradicionais (como os grafismos) e paratextos com informações adicionais relacionadas à cultura, língua e localização da etnia em questão. Esses textos literários provocam o imaginário e a fantasia, a curiosidade, sentido de descoberta e ao mesmo tempo promovem aprendizagens e questionamentos.

Dificuldades antecipadas: Muitos alunos podem apresentar dificuldades em fazer um reconto oral de lendas indígenas e de textos literários em geral. Isso pode ocorrer devido à pouca familiaridade com a forma composicional e estilo do gênero em questão. Dificuldades com a compreensão da trama da história também podem prejudicar o reconto. Apesar das crianças estarem acostumadas a contar e recontar suas histórias e vivências do dia a dia, esse tipo de experiência com a oralidade na sala de aula tende a ser menos incentivada se comparada às experiências com a leitura e escrita. Desse modo, os alunos podem se sentir inseguros com a proposta de reconto, por não estarem habituados com situações em que sua fala está em evidência. O apoio deve ser no sentido de fazê-los vivenciar essa experiência com tranquilidade, atentando para a organização dos acontecimentos da narrativa e cuidando para não omitir fatos importantes, o que acarretaria na falta de coerência e coesão textual.

Referências sobre o assunto:

FARIA, M. A. Como usar a literatura infantil em sala de aula. São Paulo: Contexto, 2009.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Ed. ática, 2002.

JECUPÉ. Kaká Werá. As fabulosas fábulas de IAUARETÊ. São Paulo: Peirópolis, 2007.

THIEL, Janice Cristina. A Literatura dos Povos Indígenas e a Formação do Leitor Multicultural. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 38, n. 4, p. 1175-1189, out./dez. 2013. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/edreal/v38n4/09.pdf. Acesso em 19 de nov. de 2018.

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 1 minuto

Orientações: Apresente a proposta da aula para os alunos.

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Tempo sugerido: 12 minutos

Orientações:

  • Inicie a aula reproduzindo o vídeo “Curupira Lendas Brasileiras”.
  • Na introdução do vídeo, faça uma pausa e peça para que os alunos prestem bastante atenção aos detalhes desde o seu início, pois logo após farão uma reflexão sobre a forma de composição da narrativa.
  • No vídeo, Leonardo, que é uma criança, conta sobre quando encontrou o Curupira. Ele faz uma descrição do personagem que tem cabelos de fogo, olhos vermelhos, pés virados para trás, e que é o grande protetor dos animais da floresta. Leonardo faz o seguinte relato: Certo dia, dois caçadores entraram na floresta e procuravam alguns animais para caçar, prender e vender na cidade. Quando um animal ficou preso na armadilha do caçador, os outros animais começaram a gritar para chamar o Curupira. Quando o Curupira ficou sabendo das maldades dos caçadores, ele decidiu fazer uma armadilha para pegá-los. Primeiro o Curupira fez os caçadores se perderem no meio da floresta, depois ele deixou suas pegadas na floresta, o que deixou os caçadores mais confusos ainda, ficando eles encurralados. Quando viram o curupira, tentaram matá-lo com suas armas de caça, mas ele muito esperto, desviou-se das balas. O Curupira se aproximou dos caçadores sem munição e transformou um deles em macaco, deixando o outro fugir para contar a história para outros caçadores, que, com medo, não iriam mais na floresta caçar animais. Nesse momento, Leonardo encontra o Curupira, e o personagem nervoso acha que ele também é caçador. O garoto corre para dentro da floresta e o Curupira o segue montado em seu porco do mato. O menino sobe em uma árvore e o Curupira passa pertinho dele. No meio do caminho Leonardo encontra a gatinha de estimação da sua irmã, a Marri. Na mesma hora aparece novamente o Curupira e a gata fala com ele na língua dos animais, explicando que o menino não é caçador e que cuida dos animais. Tudo se resolve e na volta para casa um macaquinho não larga deles, era o caçador transformado pelo Curupira, mas como animais da floresta não podem ir para casa, eles o deixam lá mesmo.

Materiais complementares: AnimaCriança. Curupira Lendas Brasileiras. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4QjkJVN-SiY. Acesso em 09 de novembro de 2018.

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Orientações:

Diga aos alunos que farão uma reflexão sobre o vídeo. Leia as questões em voz alta e peça para que os alunos pensem e respondam:

1 - No início desse vídeo aparecem algumas ilustrações. Como elas são? Quem as ilustrou? Se for necessário, reproduza o início do vídeo novamente.

(São crianças ilustrando personagens folclóricos como boitatá, bruxa, mula-sem-cabeça, lobisomem, saci... eles ilustraram com canetinhas hidrocores e estavam bem à vontade, após terminarem colocaram na parede utilizando fitas adesivas. Então aparece o Saci, personagem bem conhecido dos alunos que completa uma das ilustrações e é colocado no livro, uma maneira de alertar os alunos que a história irá começar)

2 - Quem conta essa história? (Uma criança que se chama Leonardo)

3 - O narrador participa dos fatos? Caso participe, em que momento ele aparece? (Sim, o narrador participa da história, é uma narrativa em 1ª pessoa. Ele aparece logo após os caçadores irem embora assustados com o Curupira)

4 - Quem será que fez o vídeo? Para quem? (São pessoas que produzem histórias voltadas para o público infantil, ilustradas e contadas pelas próprias crianças).

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Tempo sugerido: 30 minutos

Orientações:

  • Se estiver seguindo a sequência de aulas, explique aos alunos que irão relembrar a lenda indígena “Juruá e Anhangá”, caso não esteja seguindo diga que irão conhecer esta lenda. Leia o texto para os alunos em voz alta.
  • Faça os questionamentos aos alunos e registre as conclusões no quadro.

1) As lendas indígenas têm origem oral ou escrita? (Essas histórias foram contadas oralmente pelos indígenas e para os indígenas, atualmente muitas histórias estão escritas e chegam aos mais diversos públicos)

2) Quem narrou essa história? (Um narrador que não participa da história, ele é observador). Aproveite e faça uma comparação com o vídeo “no vídeo o narrador também é observador?” É esperado que os alunos respondam que não, na história do Curupira o narrador além de contar também participa dos fatos narrados.

3) Quando e aonde essa história se passa? (no tempo passado, em uma floresta)

4) Quais são os personagens principais? (A mãe, Juruá, e Anhangá - o espírito da floresta)

5) Qual é o conflito gerador? (O conflito gerador da trama é a oposição entre Juruá, caçador imprudente e Anhangá, o espírito protetor das florestas)

6) Qual é a resolução do conflito? (Anhangá, buscando dar uma lição em Juruá, transforma sua mãe em cervo e ele a caça, descobrindo depois, ter matado a própria mãe)

Comentários: Converse com os alunos que ao ler ou recontar uma lenda indígena características que fazem parte de seu estilo e forma composicional, deverão ser consideradas: a presença de narrador, o local e tempo em que se passa a história, os personagens principais e secundários, o conflito e o desfecho (ou resolução) do mesmo no final do enredo.

Materiais complementares: Para acessar o texto impresso clique aqui.

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Orientações:

  • Escolha um lugar aconchegante: pode ser na própria sala de aula, numa biblioteca que tem um espaço adequado, ou até mesmo num ambiente externo (caso seja possível em sua escola). Faça um roda, peça para os alunos ficarem sentados.
  • Leia a proposta. Saliente a importância de se recontar uma história com foco na sequência dos fatos narrados, na entonação (não podemos falar nem tão alto e nem tão baixo, mas sim no volume adequado para que todos compreendam a história) e na postura. Também é muito importante que ao recontar uma história evitem a repetição desnecessária de palavras e de ideias para que não fique cansativo, além de evitarem uso excessivo de marcadores típicos dos textos orais não planejados como “tipo, né, daí...”.
  • É importante que os alunos reconheçam que há um planejamento ao realizar o reconto - o que não ocorre em uma conversa espontânea, por exemplo -, pois ele parte de um texto conhecido, estudado e com uma estrutura típica que poderá auxiliá-los na organização das ideias na realização da performance oral.
  • Reforce aos alunos que eles serão os narradores e assim como o Leonardo do vídeo “Curupira Lendas Brasileiras”, eles também participarão do enredo.
  • É importante que os alunos saibam que eles podem fazer adaptações na história e acrescentar elementos. Diga que eles poderão ser bem criativos, mas sem esquecer que Juruá contará sobre o conflito entre ele e com Anhangá. Isso deve ser fixo.
  • Peça para que um aluno dê início a história e os outros deem continuidade, seguindo a ordem dos alunos na roda. Você pode dar exemplos de início da história para facilitar o começo da atividade e para demonstrar que cada um deve narrar um trecho curto. Exemplos de início e de brevidade de cada trecho: “Certo dia meus colegas do colégio e eu, fomos fazer um passeio à floresta junto com o(a) professor(a) ___________, quando de repente avistamos um índio…” ou “Meus colegas e eu fizemos um passeio à floresta (nome da floresta) na semana passada e encontramos Juruá, um índio …”.
  • Se a turma for pequena é possível que apenas uma rodada de falas não seja suficiente para terminar a história, não se preocupe, continue convidando as crianças, na ordem em que estão sentadas na roda, para irem narrando até chegar ao fim. Cuide para que a atividade seja dinâmica e passe a vez assim que cada aluno concluir a narrativa de um dos acontecimentos, evitando assim que alguém monopolize a fala tomando o tempo de fala dos demais.
  • É importante definir se a história será contada em 1ª pessoa do singular (“eu encontrei”) ou 1ª pessoa do plural (“nós encontramos”) e definir o tempo verbal (sugerimos o pretérito). Observe que deve haver flexão verbal de acordo com a escolha do narrador e a manutenção do tempo verbal, ambos sendo mantidos até o final da história.
  • Pode ser que algum aluno ou aluna demonstre timidez ou não consiga dar continuidade à história, nesse momento é importante pedir ajuda aos outros colegas, mas tome um cuidado especial para que todos esperem a sua vez de participar e que ouçam os colegas para compreender o andamento da história.
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Orientações:

  • Ainda em roda, fale para os alunos que farão uma análise do reconto da turma e faça os seguintes questionamentos:
  • Nossa história teve início, meio e fim? (É esperado que os alunos, principalmente aqueles que estão seguindo essa sequência de aulas, consigam recontar a história tranquilamente, com começo, meio e fim)
  • Todos conseguiram fazer o reconto sem repetir muito as palavras? (Nessa questão, tome um cuidado especial para os alunos não exponham alguns colegas. Muito provavelmente alguns alunos não atingiram esse objetivo, deixe bem claro que esse foi um momento para experimentarem um reconto e nas próximas aulas terão nova oportunidade para evitar essa repetição de palavras)
  • Conseguimos atingir o objetivo da proposta? (Reflita se na história os alunos encontraram com Juruá, se ele contou sobre o que houve com a sua mãe, qual foi a conversa que tiveram e se houve uma despedida entre eles)
  • Trocamos as palavras: né, daí ou outras que ficaram cansativas por expressões como: então, de repente, em seguida, porque, pois, como… dando maior coesão ao texto? (Provavelmente alguns alunos usaram essas palavras, com cuidado diga a eles que isso pode acontecer no primeiro reconto, mas nos próximos deverão ficar mais atentos para evitarem o uso delas e assim o reconto oral ficar mais atrativo e significativo para todos)
  • Compreendemos toda a história? (É esperado que todos compreendam a história)
  • O tom da sua voz e dos colegas estava adequado? (Com certeza, alguns alunos falam mais baixinho ou até mais alto. Reforce que fiquem atentos para que a voz sempre esteja num tom adequado para que todos compreendam o que disseram)
  • O que precisamos melhorar nos próximos recontos? (Essa resposta vai depender muito do desempenho da turma, é possível que respondam sobre o tom da voz, palavras repetitivas, coesão ou coerência da história)
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Tempo sugerido: 7 minutos

Orientações:

  • Projete o slide para a turma com as perguntas e providencie uma cartolina (papel kraft ou papel metro) para registrar algumas respostas e deixar fixado de preferência no painel da sala de aula para futuras consultas. Você pode também solicitar que os alunos escrevam as descobertas no caderno. Assim será possível resgatar essas informações mais adiante.
  • Sistematize com os alunos o que aprenderam durante esta aula, as perguntas devem apoiar as seguintes respostas:

1 - Por que contamos histórias? (A mãe costuma contar histórias para o filho desde bebê, professores contam para seus alunos, os avós também têm esse costume. Na tradição indígena os recontos orais são as vias de acesso das crianças as crenças, a sabedoria e histórias de seu povo. Em outras culturas as histórias também cumprem essa função, mas de certa forma, as histórias podem estar mais vinculadas ao prazer da leitura, e são mais “lidas” do que contadas oralmente. Converse com as crianças sobre a diferença entre oralizar um texto (ou seja ler em voz alta) e recontar fazendo uso ou não de imagens ou objetos, como foi o caso do vídeo apresentado).

2 - Quais características das lendas não podem faltar numa contação de história indígena?

  • É importante decidir se o narrador irá participar ou não dos fatos narrados;
  • Quando e onde se passa essa história? (geralmente ocorre em uma floresta ou aldeia, no tempo passado)
  • Quais são os personagens que participam da história? ( índios, animais e elementos da natureza costumam estar presentes)
  • Deve haver um conflito gerador e o desfecho, em geral, com a resolução do conflito.

3 - Você conhece outras maneiras de se contar histórias? Quais? (Provavelmente os alunos irão responder que as histórias podem ser contadas através de teatro, fantoches, objetos e instrumentos também podem ser utilizados, além de ilustrações)

4 - Caso esteja seguindo a sequência de aulas de “lendas indígenas”, compartilhe com os alunos que nas próximas aulas eles irão planejar e se preparar para fazer um reconto oral para outros alunos do colégio. Nesse fechamento, os alunos devem ser convidados a começar a pensar nos materiais de apoio e nos elementos estruturantes que não poderão faltar para os recontos da turma.

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