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Atividades desplugadas: linguagem de programação sem computador

Não é preciso utilizar programas específicos, apenas vivenciar a programação de forma concreta

POR:
Débora Garofalo
Ilustração: Getty Images

A linguagem de programação, ainda é vista por muitos como algo de outro mundo. Por muito tempo, também foi assim para mim. Por isso, é importante reforçar que isso não é verdade e todos podem programar. Introduzir a programação no currículo é dar uma oportunidade de desvendar o que está por trás das demais tecnologias que utilizamos, além de contextualizar o aprendizado adquirido.

Ao trabalhar com a programação, os alunos desenvolvem na prática a criatividade e lidam com situações problemas. Além disso, podem trabalhar o currículo em disciplinas como Matemática, Ciências e Língua Portuguesa, entre outras, ao testar possibilidades e hipóteses, desenvolvendo o pensamento científico.

E como introduzir a programação nas aulas?

Tenho uma sugestão! Através das atividades desplugadas, que consiste em produção e realização de atividades sem a necessidade de utilizar programas específicos, de forma concreta, vivenciando a programação.

Para dar uma mão, fiz uma lista de sugestões de atividades desplugadas.

1) Decodificando a Amarelinha

Paulo Adriano Ferrari, professor de Informática Educativa da Emef Ana Maria Benetti, em São Paulo, realizou com os seus alunos a atividade codificando a brincadeira da amarelinha. “Introduzi o ensino da linguagem de programação de uma maneira fácil e divertida, menos abstrata e mais concreta, ao adaptar o jogo de amarelinha ao ensino de lógica de programação. Com papelão e giz podemos realizar uma atividade de programação desplugada para que as crianças criem códigos e símbolos e ‘escrevam’ um programa para jogar a amarelinha. A atividade incorpora o uso do corpo na aprendizagem de conceitos matemáticos, espaciais e de lógica de programação ‘materializando-os’ no chão da sala de aula de uma forma lúdica e colaborativa.”

Foto: Paulo Ferrari

2) Gamificação

Com os meus alunos realizei uma gamificação, que consiste em um caça tesouro por meio de pistas para desvendar a programação, incluindo movimentos, noções espaciais e conceitos matemáticos. Como por exemplo: “Pista 1 – Você entrou no jogo da programação, mova dez passos para frente, vire à esquerda e mova três passos para frente, então levemente vire à direita e entre no espaço à sua frente, procure nessa sala a sua nova dica e boa sorte!”. Através da ludicidade, da experimentação e do envolvimento, os alunos realizaram atividades de programação, exercitando conhecimentos prévios na prática, colaborando com os colegas, resolvendo soluções de problemas.

3) Dinâmica Robô

Outra atividade que costumo realizar com os discentes é a dinâmica do robô. Por meio de um circuito criado no chão com fita crepe, é escolhido um aluno para ser o robô que receberá os comandos orais dos demais discentes para realizar o percurso determinado.

O aluno que fará o robô é orientado a se mover com orientações claras e a ficar parado quando todos falam ao mesmo e ou quando alguém não fala um comando claro, como “ande para frente”.

Para que o robô realize o circuito é necessário receber a programação correta, como “mova dez passos para frente, gire levemente para a direita” e assim sucessivamente. Dessa forma, os alunos exercitam noções espaciais, e conhecimentos de forma oral, internalizando os aprendizados adquiridos.

Foto: Débora Garofalo

Dica

Se você quer se aprofundar nesse assunto o Computer Science Unplugged reúne uma coleção de atividades gratuitas que ensinam programação desplugada, através de jogos e quebra-cabeças, que usam cartões, cordas, entre outros. As atividades apresentam aos alunos o pensamento computacional por meio de conceitos como números binários, algoritmos e compreensão de dados. O material está disponível gratuitamente e é compartilhado sob uma licença Creative Commons BY-NC-SA, que facilita a cópia, adaptação e compartilhamento, podendo ser extraído para o português.

Trabalhar com atividades desplugadas estimula a convivência e a criatividade, antecipa fatos e vivencia experiências que irão auxiliar posteriormente a realizar programações em softwares específicos. E para iniciar a linguagem de programação com estudantes, uma sugestão é iniciar pelo Programaê, uma plataforma gratuita, que visa ensinar os primeiros passos na programação de forma lúdica e interativa, a partir de desafios com personagens que os estudantes já conhecem.

E você querido (a) professor (a) já realizou alguma atividade desplugada? Conte aqui nos comentários! Compartilhe conosco suas experiências.

Um grande abraço e até a próxima!

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