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Novos temas e reorganização das áreas são as principais novidades em Matemática

A BNCC aprofunda e amplia alguns dos objetivos dos PCNs. Mudanças ressaltam a importância do componente para a vida em sociedade

Autor: NOVA ESCOLA

Não se espante ao folhear as habilidades de Matemática: muitos conteúdos foram reorganizados e alguns novos foram inseridos dentro do proposto pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Álgebra e Probabilidade e Estatística passam a fazer parte do cotidiano do Fundamental 1 e habilidades relacionadas a tecnologia, robótica e programação figuram no currículo.

Apesar das alterações, o documento não propõe uma ruptura com a visão sobre a disciplina adotada desde os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs):  uso da  documento que durante anos serviu de referência para as escolas brasileiras. Ao delimitar as competências específicas da disciplina, que indicam como as competências gerais da Base devem ser expressas naquele componente, a Matemática é conceituada como “ciência humana, fruto das necessidades e preocupações de diferentes culturas, em diferentes momentos históricos” e, ainda, “uma ciência viva, que contribui para solucionar problemas científicos e tecnológicos e para alicerçar descobertas e construções”. A Base foca no que o aluno precisa desenvolver, para que o conhecimento matemático seja uma ferramenta para ler, compreender e transformar a realidade.

A seguir, você confere quais foram as principais mudanças e como cada uma delas vai impactar a sua aula. 




AS PRINCIPAIS MUDANÇAS

1. Reorganização de conteúdos
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, além das unidades Números, Geometria e Grandezas e Medidas, aparecem duas novas: Álgebra e Probabilidade e Estatística. Antes, os conteúdos relacionados a essas unidades só apareciam nos anos finais do segmento. Não se trata de um “adiantamento” do conteúdo, mas de trabalhar desde o início do Fundamental um modo de pensar que será utilizado mais tarde, quando conteúdos como Equações – típico da álgebra – ou cálculos de probabilidade entrarem em cena.

NA PRÁTICA

Compreender a ideia de igualdade para escrever diferentes sentenças de adições ou de subtrações de dois números naturais que resultem na mesma soma ou diferença. (Habilidade EF03MA11 – 3º ano)

As noções de igualdade e equivalência, que depois ajudam a compreender o conceito de equações, podem ser trabalhados ao pensar em como diferentes somas podem sempre dar o mesmo resultado. Conheça um exemplo na reportagem publicada na revista Nova Escola.

Álgebra nos anos iniciais | Nova Escola, edição 309.
Álgebra nos anos inciais | Nova Escola, edição 309. Foto: Raoni Maddalena

NA BASE

Classificar eventos envolvendo o acaso, tais como “acontecerá com certeza”, “talvez aconteça” e “é impossível acontecer”, em situações do cotidiano. (Habilidade EF01MA20 – 1º ano)

Jogos e sorteios podem servir como base para conhecer as noções de provável, improvável ou impossível, que mais tarde serão usadas como base para cálculos numéricos. Conheça um exemplo na reportagem publicada na revista Nova Escola.

O certo, o provável e o impossível | Edição 310
O certo, o provável e o impossível | Nova Escola, edição 310.


 
2. Mais reflexão, menos memorização
Os verbos selecionados para descrever objetivos e habilidades já dão mostras do que mudou. Nos PCNs, era comum encontrar palavras como “reconhecer”, “identificar” e “utilizar” (para o trabalho com ferramentas e procedimentos de cálculo). Na Base, elas deram lugar a ações como “interpretar”, “classificar”, “comparar” e “resolver”. O novo texto deixa mais claro o propósito de levar o aluno a pensar a partir das informações recebidas, de analisá-las e de responder com uma postura ativa.



3. Progressão que favorece a aprendizagem
Outra mudança importante é a forma como os objetos de conhecimento são tratados a cada ano. Houve a preocupação de tornar a progressão a mais natural possível, levando em conta a complexidade dos temas (do mais simples ao mais complexo), as possíveis conexões entre conceitos matemáticos e o tempo de aprendizagem do aluno. Há, ainda, a ideia de que um conceito pode levar mais de um ano para ser aprendido. Assim, um mesmo conteúdo aparece em diversos anos, mas as expectativas de aprendizagem aumentam a cada nova etapa, bem como as habilidades que se espera desenvolver a partir do conhecimento construído em sala de aula.

NA BNCC

Observe como a BNCC apresenta a progressão sobre o trabalho com porcentagens a partir do 5º ano do Ensino Fundamental. Por esse exemplo específico, é possível perceber que um mesmo tema volta a ser tratado em diferentes momentos da trajetória escolar, mas com uma complexidade e uma profundidade maior a cada ano.



5º ANO

Associar as representações 10%, 25%, 50%, 75% e 100% respectivamente à décima parte, quarta parte, metade, três quartos e um inteiro, para calcular porcentagens, utilizando estratégias pessoais, cálculo mental e calculadora, em contextos de educação financeira, entre outros. (Habilidade EF05MA06)



6º ANO

Resolver e elaborar problemas que envolvam porcentagens, com base na ideia de proporcionalidade, sem fazer uso da “regra de três”, utilizando estratégias pessoais, cálculo mental e calculadora, em contextos de educação financeira, entre outros. (Habilidade EF06MA13)



7º ANO

Resolver e elaborar problemas que envolvam porcentagens, como os que lidam com acréscimos e decréscimos simples, utilizando estratégias pessoais, cálculo mental e calculadora, no contexto de educação financeira, entre outros. (Habilidade EF07MA02)



8º ANO

Resolver e elaborar problemas, envolvendo cálculo de porcentagens, incluindo o uso de tecnologias digitais. (Habilidade EF08MA04)



9º ANO

Resolver e elaborar problemas que envolvam porcentagens, com a ideia de aplicação de percentuais sucessivos e a determinação das taxas percentuais, preferencialmente com o uso de tecnologias digitais, no contexto da educação financeira. (Habilidade EF09MA05)


Cálculos contextualizados
A BNCC estabelece que, no Ensino Fundamental, a escola precisa preparar o estudante para entender como a Matemática é aplicada em diferentes situações, dentro e fora da escola. Na aula, o contexto pode ser puramente matemático, ou seja, não é necessário que a questão apresentada seja referente a um fato cotidiano. O importante é que os procedimentos sejam inseridos em uma rede de significados mais ampla na qual o foco não seja o cálculo em si, mas as relações que ele permite estabelecer entre os diversos conhecimentos que o aluno já tem. Uma aplicação seria usar equações de segundo grau para descobrir medidas de lado de figuras geométricas: aqui, o contexto é matemático, mas há uma aplicação da álgebra em relação a outros conhecimentos.

“Na expectativa de facilitar a compreensão dos conteúdos matemáticos ou de tornar as atividades atrativas para os alunos, alguns educadores investem em situações-problema contextualizadas, que têm a ver com o cotidiano. Mas elas nem sempre são necessárias e, por vezes, até atrapalham. Na verdade, para aprender e saber Matemática, é preciso que o professor ensine a turma a usar ferramentas (como teoremas) para resolver problemas e interpretar novas questões.”

VEJA MAIS

Leia o artigo em que Saddo Ag Almouloud, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), discute o uso de contextos nos problemas matemáticos. 



4. Vivência em pesquisa
A questão da pesquisa estruturada em etapas é algo a que a BNCC dá ênfase, em especial no que diz respeito ao trabalho com procedimentos estatísticos. A Base deixa evidente a necessidade de se aprender estatística simulando pesquisas e passando pelas etapas de investigação e coleta, organização e tratamento de dados, até chegar a um resultado que precisará ser representado e comunicado ao público de interesse. Além disso, o texto considera que experimentar a pesquisa é essencial na formação do cidadão crítico, que lê e interpreta diariamente dados estatísticos nas mais diferentes mídias. 



5.Tecnologia a serviço da aprendizagem
A tecnologia é considerada um elemento importante em todas as áreas do conhecimento. E as tecnologias digitais, em especial, são situadas como importantes ferramentas na modelagem e resolução de problemas matemáticos. A principal mudança está no reconhecimento de que elas não são um elemento separado da Matemática. A Base reconhece que campos como a programação e a robótica são cada vez mais presentes no convívio social e na vida profissional, e por isso busca aproximá-los da disciplina. Entre os vários exemplos dessa tentativa está o estudo de fluxogramas no Ensino Fundamental 2, tanto na Geometria quanto em Números. É uma linguagem nova, da qual professores terão que se apropriar, antes de inserir o tema em aula. 



6.Educação financeira
O tema ganhou maior destaque, além de um enfoque diferente. Sai a matemática financeira pura e entra a preocupação em formar cidadãos mais capazes de tomar boas decisões quando o assunto é dinheiro – tanto na vida pessoal quanto no convívio social.  Para isso, a Base propõe situações do cotidiano do estudante como pano de fundo. É importante que o professor de Matemática promova um estudo no contexto da educação financeira tanto na dimensão espacial (impactos das ações e decisões financeiras sobre um contexto social específico) como na dimensão temporal (como as decisões tomadas no presente podem afetar o futuro).

Fontes: Cristiane Chica, gestora pedagógica do Mathema, Fernando Barnabé, diretor da Orez Educação e Luciana Tenuta, consultora na área de formação de professores de Matemática — Ensino Fundamental e Médio.

Continue navegando no
Guia da BNCC de Matemática



1) O que mudou

2) Comparação PCN e BNCC

3) O que e como ensinar: Conheça as unidades temáticas do componente

4) Competências da área: Matemática para explicar o mundo

5) Artigo: Na BNCC, Matemática é número, jogo e linguagem

6) Entrevista com Katia Stocco Smole

7) Saiba mais: 10 livros e 3 vídeos para se aprofundar

8) Teste: Você sabe tudo sobre as mudanças na disciplina?

9) Palestra: as principais mudanças em Matemática