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01 de Julho de 2012 Imprimir
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Inaf: cai analfabetismo no País, mas desafio ainda é gigante

Entenda como o analfabetismo está distribuído no Brasil e veja exemplos de questões comentadas do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf)

Por: Elisângela Fernandes

Recentemente divulgados, os resultados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2011 revelam que 27% da população são analfabetos funcionais - o que representa um contingente de mais de 35 milhões. Apesar de grave, esse cenário já foi pior: 39% em 2001, ano em que o levantamento foi feito pela primeira vez.

Realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, o Inaf avalia por meio de uma prova as habilidades de leitura, escrita e matemática da população de 15 a 64 anos. Os resultados são distribuídos em analfabeto e alfabetismo rudimentar, básico e pleno. São considerados analfabetos funcionais aqueles que ficam nesses dois primeiros níveis.

Apesar da redução no número de analfabetos funcionais, Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, alerta para a estagnação no percentual de pessoas plenamente alfabetizadas. (veja a evolução na tabela abaixo)

Ao analisar esse cenário, ela explica que a ampliação do acesso à escola, que ocorreu principalmente nas décadas de 1990 e 2000, contribuiu para que o País retirasse as pessoas da condição de analfabetismo. No entanto, ela alerta que somente um forte investimento na qualidade do ensino é capaz de ampliar o número de cidadãos com alfabetização plena. "Esse é um salto que só a qualidade pode dar", conclui.

INAF - Evolução do Indicador

Inaf: evolução do indicador. Fonte: Inaf 2011/2012
Inaf - evolução do indicador

Entenda o que está por trás de cada nível:

Analfabetos Funcionais
- Analfabeto:
1. Leitura e Escrita: Não consegue realizar tarefas simples como a leitura e a escrita de palavras e frases.
2. Matemática: Pode ler apenas números familiares, como números de telefone, preços, etc.

- Rudimentar:
1. Leitura e Escrita: Localiza uma informação explícita em textos curtos e familiares, como em um anúncio ou em uma pequena carta.
2. Matemática: Lê e escreve números usuais, realiza operações simples.

Funcionalmente alfabetizadas
- Básico:
1. Leitura e Escrita: Lê e compreende textos de média extensão, é capaz de localizar informações, ainda que para isso seja necessário realizar pequenas inferências.
2. Matemática: Lê números na casa dos milhões, resolve problemas envolvendo uma sequência simples de operações e tem noção de proporcionalidade. No entanto, tem limitações com operações que envolvem maior número de elementos, etapas ou relações.

- Pleno:
1. Leitura e Escrita: Compreende e interpreta textos em diferentes situações usuais. Mesmo com os mais longos, analisa e relaciona suas partes, compara e avalia informações, distingue fato de opinião e faz inferências e sínteses.
2. Matemática: Resolve problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada, mapas e gráficos.

Quanto maior a escolaridade, menor o analfabetismo

Gráfico: Quanto maior a escolaridade, menor o analfabetismo. Fonte: Inaf 2011/2012
Fonte: Inaf 2011/2012

Parece óbvio, mas a escolaridade é a variável com maior efeito sobre a redução do analfabetismo. De acordo com os resultados, 53% das pessoas que estudaram até a 4ª série do Ensino Fundamental são analfabetos funcionais, já quem estudou da 5ª a 8ª série, esse percentual cai para 26%.

No entanto, os resultados confirmam que não dá para ampliar o acesso à Educação sem garantir a qualidade do ensino. Ainda são muitos os que passam pelos bancos escolares sem aprender: 8% dos que concluíram o Ensino Médio estão na condição de analfabetos funcionais.

Uma dívida histórica com a Educação

Gráfico: Uma dívida histórica com a Educação. Fonte: Inaf 2011/2012
Fonte: Inaf 2011/2012

Para os especialistas, o grande desafio é acabar com o problema entre a população mais velha que não teve a oportunidade de estudar: 30% dos brasileiros de 35 a 49 anos são analfabetos funcionais. Esse percentual chega a 52% entre aqueles com 50 ou mais.

Além disso, o Censo Demográfico de 2010 demonstra que 65 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não tiveram nenhuma instrução ou têm o Ensino Fundamental incompleto, o que representa 45% da população. Apesar de esse contingente ser um público em potencial de alunos na EJA, somente 4 milhões estavam matriculados em 2011, de acordo com o Censo Escolar feito pelo Ministério da Educação.

"A boa notícia é que conseguimos fechar a torneira do analfabetismo absoluto", comenta Roberto Catelli Júnior, coordenador do programa de EJA da Ação Educativa (veja o gráfico abaixo). Pela primeira vez, o percentual de pessoas de 15 a 24 anos no nível mais baixo do Inaf é zero.

Veja a publicação completa com os resultados do Inaf 2011/2012

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