BNCC: como trabalhar Geometria no Fundamental 1

A partir da observação de objetos e situações cotidianas é possível explorar diferentes conceitos da unidade temática em todos os anos da etapa de ensino

POR:
Camila Cecílio
Crédito: Getty Images

Experimente parar o que você está fazendo agora e observe ao seu redor. Móveis, embalagens, objetos, casas, prédios. Certamente você percebeu que todas essas coisas possuem uma forma e ocupam um espaço, não é mesmo? Isso quer dizer que a Matemática está mais presente no nosso dia a dia do que imaginamos. “O mundo é geométrico. Para onde quer que a gente olhe, vemos formas. Convivemos com a geometria diariamente”, diz Mirela Mendes, mestre em Ensino de Ciências e Matemática e coordenadora de Formação Continuada do Grupo Mathema.

Aprender geometria, segundo Mirela, está inteiramente ligado à necessidade do uso dela no cotidiano. “Para compreender melhor o mundo, precisamos compreender a geometria. Quanto mais se aprende, mais é possível ampliar a percepção espacial e analisar os elementos visuais do mundo”, enfatiza. E essa relação do conteúdo com o mundo prático pode ser usada na hora de trabalhar o tema com os estudantes. “Fazer uso das situações do cotidiano como forma de construir significado daquilo que se aprende é fundamental”, diz Juliana Portella de Freitas, professora do Time de Autores de NOVA ESCOLA para planos de aula de Matemática e coordenadora de Programas Educacionais na Secretaria de Educação Municipal de Guarulhos (SP).

A professora afirma que desde a Educação Infantil há oportunidades de construir conhecimentos relacionados a geometria. Isso é possível, por exemplo, a partir da percepção de si, das formas e do espaço que os objetos e pessoas ocupam. Ao longo de todo o Ensino Fundamental, este conhecimento é aprofundado. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, as expectativas de aprendizagem deste conteúdo são:

- Identificação de pontos de referência para a localização e o deslocamento de objetos;
- Construção de representações de espaços conhecidos;
- Estimativa de distâncias, usando como suporte mapas (em papel, tablets ou smartphones), croquis e outras representações;
- Identificação de características das formas geométricas tridimensionais e bidimensionais;
- Associação de figuras espaciais a suas planificações e vice-versa;
- Nomeação e comparação de polígonos, por meio de propriedades relativas aos lados, vértices e ângulos;
- Manipulação de representações de figuras geométricas planas em quadriculados ou no plano cartesiano, e com recurso de softwares de geometria dinâmica.

Geometria segundo a BNCC

 “A geometria envolve o estudo de um amplo conjunto de conceitos e procedimentos necessários para resolver problemas do mundo físico e de diferentes áreas do conhecimento. Assim, nessa unidade temática, estudar posição e deslocamentos no espaço, formas e relações entre elementos de figuras planas e espaciais pode desenvolver o pensamento geométrico dos alunos. Esse pensamento é necessário para investigar propriedades, fazer conjecturas e produzir argumentos geométricos convincentes. É importante, também, considerar o aspecto funcional que deve estar presente no estudo da geometria: as transformações geométricas, sobretudo as simetrias. As ideias matemáticas fundamentais associadas a essa temática são, principalmente, construção, representação e interdependência”. (FONTE: páginas 271 e 272 da BNCC)

Matemática na BNCC: Desenvolvendo o letramento matemático

Neste curso, você irá se aprofundar nos significados do letramento matemático e conhecer melhor as sugestões metodológicas para que ele seja favorecido. Estratégias como a resolução de problemas, a investigação, o desenvolvimento de projetos e a modelagem serão discutidos. 

Além disso, segundo Mirela Mendes, o estudo da geometria permite conexão com outros campos da Matemática. Quando o estudante lê ou produz um gráfico, por exemplo, pode associá-lo à localização espacial, bem como à estatística. "No trabalho com grandes medidas, ao diferenciar metro, que é unidimensional, do metro quadrado, que é bidimensional, do metro cúbico, que é tridimensional, fica mais fácil se o estudante tem conhecimento geométrico, pois vai entender isso por meio da representação geométrica”, frisa. 

Geometria: formas e espaços no cotidiano
O que os objetos têm em comum? O que os diferenciam? Por que alguns têm determinadas características e outros não? Essas são algumas perguntas propostas pela professora Maria Luisa do Nascimento Quandt, professora e diretora na EMEF Padre Leonel Franca, em São Paulo (SP), e também membro do Time de Autores de NOVA ESCOLA, para ajudar os estudantes a pensar na geometria baseada na relação com elementos concretos.

Sugestão para sua aula alinhada à BNCC

Como autora dos planos de aula NOVA ESCOLA, a professora Juliana Portella desenvolveu algumas atividades sobre geometria para Fundamental 1. Ela sugere desenvolver ideias como as do plano de aula “Procurando figuras planas”, em que o objetivo é reconhecer figuras planas a partir de objetos do cotidiano. Com isso, o professor pode potencializar o uso dos objetos e promover boas discussões a partir da observação e argumentação das crianças.

Para buscar sugestões de como trabalhar o tema do 1º ao 9º ano do Fundamental, confira nossa lista de 12 planos de aula para trabalhar figuras geométricas até no ensino remoto:

Para quem está no ensino remoto, um bom caminho, de acordo com Maria Luisa, é pedir para que as crianças observem os objetos que há em casa e reflitam sobre suas características. O professor pode estimular uma brincadeira em que as crianças localizem objetos diferentes com formas semelhantes, por exemplo, ou com características específicas, como objetos com duas bases, redondos ou retangulares. “Importante que o professor traga mais perguntas do que respostas. Ao desenvolver o trabalho, faça pequenas intervenções e deixe que os alunos levantem as hipóteses e cheguem em conclusões”, recomenda a professora para estimular uma postura mais ativa do estudante em sua aprendizagem.

Mas vale lembrar que geometria não é só forma. “Temos a parte do espaço e da localização espacial, principalmente nos Anos Iniciais”, observa Mirela Mendes. Para trabalhar o espaço, ela sugere usar práticas como brincadeiras tradicionais como pular corda, pega-pega e amarelinha para explicar os conceitos relacionados à localização e movimentação de pessoas e objetos no espaço, utilizando pontos de referência e indicação de mudanças de direção e sentido. Em relação às formas, a sugestão é ir além de analisar o formato e nomear formas e propor atividades que instiguem os alunos a observar as características dos objetos, esboçar desenhos, construir sólidos geométricos, faça uso de dobraduras e explore ângulos. Uma ideia criativa para incorporar às aulas é explorar obras de arte com formas diversas. Exemplo disso são os quadros de Tarsila do Amaral, que trazem sólidos geométricos, e os de Alexander Calder, com figuras planas como as da obra “Pirâmides.

Geometria espacial para crianças

Neste Nova Escola Box confira como trabalhar as noções básicas de geometria especial com as crianças de uma forma atrativa. Acesse também um e-book com um bê-a-bá da Geometria para afiar seus conhecimentos de Matemática.

Um ponto de atenção destacado por Mirela é que não dá para ensinar geometria somente com atividades com lápis e papel. “Geometria não combina com só olhar e pintar. Precisamos propor situações que a criança explore algo e o professor oriente. O que não pode acontecer é uma geometria estática”, ressalta. A tecnologia pode ser aliada nesse momento. Softwares gratuitos como o Poly e o GeoGebra são úteis na hora de movimentar as aulas remotas do tema. Para atividades off-line, objetos concretos e materiais recicláveis (como papel e papelão) podem ser úteis no desenvolvimento de aulas relacionadas aos sólidos geométricos e exploração de ângulos.

Como estimular a reflexão e a curiosidade dos pequenos?

As perguntas a seguir são sugestões que podem ajudar a disparar reflexões das crianças sobre como as formas geométricas estão presentes no dia a dia e os motivos de possuírem determinadas características: 

- Como as formas geométricas aparecem em casas e outras construções?
- Existe alguma semelhança entre os móveis da sua casa? Por que a maioria deles são retangulares ou quadrados?
- Um móvel em formato de cone com a ponta para baixo, poderia sustentar uma estante ou um lugar para dormir? Por que não?
- Por que a roda é redonda?
- Por que diversas frutas têm formas esféricas?
- Por que a maioria das embalagens não apresentam formatos esféricos?
- Um prato precisa ser redondo? Ele pode ser quadrado? Por que o formato do prato não influencia em sua funcionalidade?
- Se a lousa da sala de aula, que é um retângulo, fosse um quadro ou um círculo, isso mudaria o uso dela?
- O leite condensado pode ser encontrado tanto em caixa quanto em lata. Isso muda algo em seu conteúdo?
- Qual seria o motivo para escolher o formato de uma mesa quadrada, redonda ou retangular?
- Você consegue imaginar o formato de uma caixa de uma bicicleta?
- E o formato de uma caixa para um bambolê?
- O rolo do papel higiênico, se fosse no formato de um bloco retangular, funcionaria da mesma maneira?
- Qual a diferença entre um cubo e um quadrado?
- Qual é a soma dos números de duas faces opostas de um dado?

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