Clarice Lispector: o poder transformador da literatura

Conheça uma das experiências de Carol Miranda com o livro “Laços de Família”

POR:
Carolina Miranda

O ano era 1999 e eu estava na 7ª série (atual 8º ano). Era uma boa aluna, com notas acima da média, até prestava atenção nas aulas, mas passava boa parte delas conversando com as amigas. Lembro de ter aqueles ataques de riso homéricos nas aulas de português do professor Sérgio.

Esse texto talvez seja uma homenagem a esse professor. Talvez seja uma homenagem à literatura, ou à uma autora, ou, talvez, a tudo isso junto, por serem coisas indissociáveis.

Trabalho com educação e, não é pra puxar sardinha pra esse lado, mas já reparou que todo mundo tem uma história bacana pra contar sobre uma professora ou professor? Sua experiência escolar pode ter sido a pior do mundo, mas eu poderia apostar que você consegue escavar seu cérebro e encontrar um momento no qual uma professora ou professor te deu aquela palavra de incentivo que mudou tudo ou te apresentou para um conhecimento que explodiu sua cabeça.

O professor Sérgio está nesse segundo caso. Ele era professor de Literatura e nunca subestimou os alunos. Foi com ele, por exemplo, que fiquei sabendo quem era Guimarães Rosa e o quanto ele brincava com as palavras.

Um dia, o professor Sérgio pediu para a gente ler um conto chamado “Feliz Aniversário”, que fazia parte do livro “Laços de Família”, da Clarice Lispector. Ok, um texto sobre a festa de aniversário de uma velha, com todos os seus parentes como convidados. O que tem demais?

O que tem demais? METÁFORAS! Sim, metáforas e metonímias e comparações e toda sorte de figuras de linguagem. Uau! Então o bolo seco e caído era uma metáfora para a velha? O bolo era a velha? E aquele momento epifânico quando a netinha fala para a avó… Bom, deixa pra lá, vocês vão querer ler e descobrir as maravilhas desse conto sozinhos.

Mas, naquele momento, eu não estava sozinha. Ainda bem! Eu tinha o professor Sérgio explicando tudo, me guiando nessa leitura, mostrando que a literatura podia ser muito mais do que palavras reunidas em algumas páginas.

Até hoje mora na minha estante a edição desse livro lida em sala de aula em 1999, com as anotações na minha letra de pré-adolescente que estava descobrindo a literatura e que não sabia ainda que no futuro trabalharia e teria tanto prazer com as palavras.

Como disse a própria Clarice em um conto que eu só fui conhecer muito mais pra frente: não era mais uma menina com seu livro, era uma mulher com seu amante.

Um abraço e até a próxima, 

Carolina Miranda,
coordenadora pedagógica da área de projetos de NOVA ESCOLA

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