Paulo Freire e Manoel Barros: indicações literárias do professor Evandro Tortora

Apaixonado por leituras, colunista de Educação Infantil dá suas sugestões

POR:
Evandro Tortora

Eu não via a hora de ser convidado para participar da coluna Leitura de Cabeceira. Juro que se não me convidassem, eu me convidaria. Afinal, eu adoro ler e leio de tudo e queria compartilhar isso com meus/minhas colegas professoras e professores.

Junto do convite, veio o desafio de fazer uma indicação de leitura, mas há tantas viagens literárias que poderia compartilhar com vocês.

Minha paixão pela forma como as crianças veem o mundo me fez pensar em sugerir a “Casa das Estrelas” do professor Javier Naranjo. O livro traz uma linda viagem por meio de um (quase) dicionário construído por meio das definições que as crianças do professor Javier deram às palavras, objetos, ideias, pessoas, lugares e sentimentos (é lindo!).

Também pensei em algum livro que marcou minha formação como professor, no caso o “Encontros e encantamentos na Educação Infantil”, organizado pela professora Luciana Ostetto. Esse livro me marcou muito por me fazer rever várias das minhas concepções sobre o planejamento nesta etapa escolar.

Minha formação em matemática me fez pensar no “Alice no País dos Enigmas” de Richard Wolfrik Galland, no qual a nossa Alice (aquela do País das Maravilhas) passa por uma jornada enfrentando enigmas matemáticos. Mesmo que torça o nariz para Matemática, você pode gostar dos desafios!

Foi então que pensei em algo que pudesse contribuir com o momento atual, por isso sugiro duas leituras que eu ainda faço constantemente e que me trazem outras formas de enxergar a realidade. Com elas, pretendo contribuir um pouco para sua consciência política e visão de mundo numa ótica poética e bela com os olhares geniais de Paulo Freire e Manoel de Barros.

Quem acompanha minha coluna sabe que sou admirador de Paulo Freire e aqui trago sua “A Importância do Ato de Ler”. Neste livro está a memorável frase “A leitura de mundo precede a leitura da palavra”, em textos em que coloca linguagem e realidade numa interação constante e explora as relações que existem entre textos e contextos. Ele narra algumas de suas experiências com alfabetização de adultos, porém nos faz refletir sobre nosso papel como educador dentro de um processo de letramento que ensine crianças, adolescentes ou adultos.

Falando em ler o mundo, voltando-me para a infância, convido vocês a conhecer as leituras de mundo de Manoel de Barros no livro “Memórias Inventadas”. É um livro lindo em que me atrevo a dizer que retrata poeticamente as leituras de mundo das “infâncias” do autor.

A cada poema lido você se pega pensando na boniteza das suas infâncias e sente saudades do menino que foi e do que não foi. Acredito que Manoel de Barros nos coloca a reflexão para encarar a infância não como uma fase da vida (já que ele mesmo diz que só teve infâncias). A infância é vista como uma filosofia de vida, uma forma de enxergar o mundo, estar aberto ao novo, ser inventivo, ver o desimportante como importante, ser curioso, inventivo e ver no simples o extraordinário! Espero que aproveitem as leituras!

Um abraço carinhoso e até breve,

Evandro Tortora
professor e colunista NOVA ESCOLA

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