Indicação da professora Selene Coletti: A Amiga Genial

Confira uma dica de livro para fazer uma leitura por prazer

POR:
Selene Coletti

Fiquei muito feliz pelo convite em participar da Leitura de Cabeceira, mas também escolher um livro foi muito difícil. Desde pequena amo ler, gosto despertado pelo meu pai, que era um leitor voraz. Veja como somos exemplos. Fui também um bom exemplo para a minha filha que contaminou a minha neta que com 3 anos já “lê” os livrinhos mesmo sem saber ler.

Por isso, escolhi uma leitura por prazer. Ler por prazer, dentre as muitas possiblidades de leitura, penso ser fundamental para desenvolver o hábito de ler. Além de podermos mergulhar em mundos tão diversos, mas que se tornam tão próximos do nosso, a leitura é uma viagem, é poder desligar o botão da nossa realidade e partir para uma realidade paralela. É um refúgio, principalmente em tempos de pandemia.

Então, escolhi o meu atual livro de cabeceira mesmo, que está lá ao lado da minha cama.

É a tetralogia da Elena Ferrante, uma autora italiana, envolta em mistérios sobre a sua identidade. Dá raras entrevistas e somente por e-mail. A resenha convidava à leitura e à descoberta desse mistério. Aceitei o desafio!

Os quatro livros são: A amiga genial, História do novo sobrenome, História de quem foge e de quem fica, História da menina perdida. Estou no terceiro.

Grande parte da narrativa se passa em Nápoles, na Itália do pós-guerra, se estendendo até a atualidade. É o percurso de duas amigas ao longo da vida, Lila ou Lina e Lenu (apelido de Elena, a autora). São duas personalidades que às vezes se misturam e se mostram, em outras, muito diferentes. A gente se envolve de tal forma que é difícil parar, mesmo se tratando de quatro livros.

O texto é uma obra de arte na forma como a autora conduz a narrativa e constrói os personagens, aliás um dos críticos aponta que todos deveriam ler algo assinado por ela.

De quebra você ainda pode conhecer o sistema de ensino italiano da época da infância e adolescência das meninas, além de perceber que aspectos da sociedade machista e da violência velada contra a mulher ainda persistem.

É também um retrato da amizade entre essas duas mulheres e por que não dizer da amizade feminina e de tantas outras questões envolvendo a mulher: o amor, a maternidade, o trabalho, as relações sociais.

Fica o convite para começar, então. Você vai devorar, esse é o termo, e não vai querer se desprender da vida de Lenu e Lila e dos demais personagens que orbitam em torno delas. Esses romances farão morada na sua cabeceira.  E caso não aprecie (acho que não será o caso) tem o direito de não continuar, como aponta Daniel Pennac nos direitos do leitor, no seu livro Como um romance, mas este já é uma outra indicação.

Vamos embarcar nessa viagem deliciosa?  

Selene Coletti
colunista NOVA ESCOLA

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