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Os principais desafios do início da carreira do professor

Será que os desafios enfrentados por professores em início de carreira são os mesmos que os de professores mais experientes?

POR:
Ana Carolina C D'Agostini
Crédito: Getty Images

O Brasil tem cerca de 2,2 milhões de professores, o que caracteriza a profissão como a mais numerosa de todo o país. Segundo dados da pesquisa Profissão Professor, realizada pelo Todos pela Educação em parceria com o Itaú Social, 49% dos docentes brasileiros não recomendam a própria profissão, e 71% avaliam como insuficiente a sua formação inicial para dar aulas. Somado a isso, conforme já noticiado pela NOVA ESCOLA, o quadro de saúde emocional dos professores brasileiros é preocupante. Entretanto, como será que os professores com menos de 5 anos de experiência na área enxergam esse início de profissão? Quais serão os principais desafios enfrentandos por esses profissionais e como eles se sentem? NOVA ESCOLA conversou com uma professora em início de carreira para entender melhor esse momento pelo qual todos os docentes passam.

Formada em Geografia e com dois anos de experiência em sala de aula nos Ensinos Fundamental I e II, Bruna começou sua carreira como professora substituta em uma escola pertencente a uma rede em São Paulo. Mesmo com pouco tempo de profissão, ela já consegue falar com propriedade sobre os desgastes psicológicos sentidos pela experiência em sala de aula. Segundo ela, seus dias como professora podiam ser classificados ora como bons, ora como terríveis. Os dias terríveis eram marcados principalmente pela dificuldade em dar as aulas que havia preparado. Eram frequentes os comportamentos de desrespeito, excesso de brincadeiras em sala de aula, falta de atenção, o que lhe trazia a sensação de frustração por não conseguir ministrar uma aula como havia pensando ser capaz. O maior desgaste, para ela, era tentar encontrar uma forma de cativar e prender a atenção dos alunos em meio ao caos.

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Bruna critica o preparo para a prática docente e a solidão no início da profissão. Ao longo da licenciatura, ela sente que foi preparada para conhecer sobre a legislação em Educação e para pensar e questionar as suas práticas de ensino. Porém, sentiu falta do aprendizado prático, que só veio de fato quando ela começou a dar aulas. Na escola em que trabalhou, também sentiu dificuldades quanto à formação: não havia reuniões pedagógicas para apoiar a sua prática e tampouco um espaço destinado ao diálogo com outros colegas. Querendo melhorar sua atuação em sala de aula, Bruna buscava usar como base a sua experiência de quando era aluna e buscou por conta própria assistir às aulas de outros professores mais experientes para observar como eles lidavam com os desafios de gestão de sala de aula. Mesmo tendo encontrado esse espaço com alguns professores, ela lamenta que outros já pareciam tão desgastados com a profissão que infelizmente não havia abertura para a troca.

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Em pouco tempo como professora, Bruna sentiu os efeitos do estresse e da ansiedade em sua saúde emocional. Ela relata ter sentido um estado de completo esgotamento físico e mental por diversas vezes. Para se cuidar, Bruna procurava conversar com amigos que também eram da área da Educação, estudava bastante por conta própria para complementar sua formação e procurava diversificar as atividades em que estava envolvida para manter ativas suas outras áreas de interesse. Atualmente, ela está afastada da sala de aula, porém quando pergunto se tem vontade de continuar na profissão, ela prontamente responde que sim. “Apesar da preocupação com a baixa remuneração e com a falta de tempo, não há lugar mais cheio de vida, de movimento, de possibilidades de desenvolvimento, de ideias e de troca como o relacionamento entre alunos e professores”, afirma.

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Os desafios relatados por Brunca são bastante similares ao de professores com mais anos de profissão. Parece que a falta de tempo, as dificuldades de gestão de sala de aula, a solidão e a falta de preparo para lidar com a realidade da profissão acompanham o docente desde o início da carreira. Para finalizar, uma pergunta aos professores mais experientes e que já estão há mais anos na estrada: o que vocês gostariam de ter aprendido no início da profissão? Queremos ouvir vocês! Deixem seus comentários.

 

Ana Carolina C D'Agostini é psicóloga e pedagoga com formação pela PUC-SP, especialização em psicologia pela Universidade Federal de São Paulo e mestre em Psicologia da Educação pela Columbia University. Trabalha como consultora de projetos em competências socioemocionais e é consultora do projeto de Saúde Emocional da Nova Escola.

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