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Por que me sinto ansioso e deprimido?

Um diagnóstico revela que a saúde mental dos professores não anda bem. Saiba como prevenir esses sintomas

POR:
Laís Barros Martins
porta de vidro embaçada em que pode ser vista uma pessoa cabisbaixa dentro do ambiente com a mão apoiada na porta
Crédito: Getty Images

Professores costumam enfrentar uma rotina desgastante dentro e fora da sala de aula. Além de vivenciarem diretamente a pressão do dia a dia, estarem sujeitos a longas jornadas de trabalho, receberem baixos salários e contarem com pouca parceria com seus colegas, o cenário profissional muitas vezes também não garante boas perspectivas ao oferecer poucos recursos e uma estrutura precária.

Esse quadro acaba por desencadear situações estressantes que impactam diretamente a saúde desses profissionais, sendo altas as taxas de depressão e ansiedade entre professores, como indicou a pesquisa A saúde do educador brasileiro, realizada pela Nova Escola.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil lidera o índice mundial de ansiedade, com 9,3% da população que manifesta sintomas da patologia, e somos também o "país mais deprimido da América Latina", com 5,8% dos brasileiros deprimidos.

Você deve se sentir ansioso e deprimido justamente porque experimenta com certa frequência pelo menos um dos fatores listados no primeiro parágrafo, o que acaba por gerar a sensação de esgotamento físico e mental, com pensamentos como “não vou dar conta” ou “estou sozinho na luta por educação de qualidade”, além de serem bastante comuns sentimentos relacionados a desvalorização e falta de reconhecimento.

O médico psiquiatra Celso Lopes de Souza considera ainda outro fator determinante nesse contexto: a transformação do perfil de alunos. O especialista comenta que, ao chegar à sala de aula desmotivado e sem capacidade de lidar com a frustração, por exemplo, o aluno traz problemas para esse ambiente compartilhado de aprendizagem e desestabiliza o professor, que também não está preparado para lidar com essas emoções, “sobretudo aqueles profissionais com mais de 35 anos de idade ou prestes a se aposentar”. Isso porque, segundo Celso, “há uma resistência em sair da zona de conforto e buscar novas estratégias e recursos. Falta resiliência e criatividade para conseguir se reinventar”. Embora esse processo não seja fácil, é perfeitamente possível, incentiva ele.

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Para Celso, que é também cofundador do Projeto Semente, um programa estruturado de aprendizagem socioemocional, o foco em apresentar o escopo das competências e habilidades socioemocionais é um desafio global para professores e alunos, tendo sido previsto inclusive na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o documento elaborado pelo Ministério da Educação (MEC) que trata dos elementos mínimos a serem desenvolvidos ao longo da trajetória escolar a fim de formar cidadãos com capacidade de resolver problemas, trabalhar em equipe, argumentar, defender seu ponto de vista, respeitar o outro e ser cada vez mais críticos.

Professores também ganham com essa nova diretriz “ao aprenderem a administrar as preocupações, a manejar a raiva e a controlar os impulsos, evitando que questões relacionadas a quadros de ansiedade e depressão escalem e fujam do controle”, aponta Celso. Ou seja, “aprender a lidar com as emoções é a prevenção”, resume.

Além disso, também é uma estratégia eficiente para afastar incidências da síndrome de burnout - incluída pela primeira vez na Classificação Internacional de Doenças (CDI) da Organização Mundial da Saúde (OMS) -, que é o esgotamento profissional “desencadeado justamente quando a capacidade emocional de enfrentar e perceber os desafios mostram-se insuficientes, e insistimos na direção errada de seguir tentando os mesmos recursos que já apresentaram resultados negativos antes e não solucionaram o problema”.

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“Para evitar catastrofizar as situações, com declarações do tipo ‘eu nunca mais vou conseguir dar aula para aquela turma’ ou ‘ninguém se importa com o meu trabalho’, por exemplo, devemos treinar a capacidade de enxergar os fatos sob outros ângulos”, comenta o especialista.

Outras medidas preventivas contra os sentimentos depressivos e de ansiedade envolvem estabelecer rotinas mais saudáveis e incentivar práticas de feedbacks positivos. Celso sugere a “caixinha da gratidão”, que ele já experimentou: “Os alunos de uma escola escreveram bilhetes endereçados a quem se sentiam gratos. A ação mobilizou e comoveu todos os funcionários. Isso porque sentir-se reconhecido é uma necessidade humana, um fator importante para a saúde mental, pois ativa a área do cérebro relacionada ao propósito, e o profissional, capaz agora de perceber como contribuiu para aquela situação, sente-se útil”, explica o médico psiquiatra especializado em linhas socioemocionais. “Quando alguém me agradece pelo o que fiz, me sinto bem e posso contar uma outra versão daquela história”.

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