Crescimento econômico X investimentos sociais

A geração de riquezas e os subsídios aos mais pobres são incompatíveis ou devem caminhar juntos? Conheça a relação entre ambos e leve a discussão para a escola

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NOVA ESCOLA

Bolsa-Família, que atrela o recebimento do benefício à permanência escolar. Crédito: Divulgação

=== PARTE 1 ====
A expansão dos programas sociais, sobretudo do Bolsa-Família, é considerada um dos fatores da atual estagnação da economia brasileira por alguns segmentos da sociedade, como mostra a entrevista “Parece barato, mas sai caro”, com o economista Paulo Rabello de Castro, um dos fundadores do movimento Brasil Eficiente.

No Brasil e no mundo, porém, cada vez mais especialistas defendem que gastos sociais levam a uma melhora dos indicadores econômicos de um país. O documento Investimentos em Educação e Desenvolvimento Econômico, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por exemplo, mostra que a expansão educacional conduz a um crescimento na renda per capita, o que produz riquezas. “A melhoria dos indicadores educacionais gera mão-de-obra mais qualificada, que melhora a produtividade e os índices de inovação, gera crescimento econômico e melhor distribuição de renda”, explica Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, em São Paulo.

O tema pode gerar uma discussão em sala de aula que relaciona conhecimentos da Geografia, História e até da Matemática. Saiba como esclarecer as principais dúvidas dos estudantes.

1. É possível conciliar crescimento financeiro e gastos sociais?
Sim. Os investimentos são uma pré-condição para que a economia se desenvolva. A saúde e a Educação das pessoas influenciam a sua participação na vida social e o seu desempenho profissional. Investir nesses segmentos, portanto, pode incentivar o crescimento, uma vez que as pessoas se mantêm produtivas durante mais tempo e contribuem para a geração de riquezas de um país.

Contrapor a economia ao social é equivocado, fruto da ideia ultrapassada de que a elite seria capaz de promover o crescimento e “puxaria” todo o restante da sociedade, inclusive os mais pobres. Na verdade, quanto mais pessoas puderem contribuir, maior será o crescimento do país. O repasse de mais recursos ao ensino e a melhoria dos indicadores educacionais gera mão-de-obra mais qualificada, que melhora a produtividade e os índices de inovação, gera crescimento econômico e melhor distribuição de renda.

2. De que maneira, os investimentos sociais podem contribuir para a melhoria da economia brasileira?
No Brasil, ainda temos uma grande quantidade de pobres, que não participa ativamente da economia do país. Apesar de ir para escola, essa parcela da sociedade acaba ficando para atrás e a abandona muito cedo. Com formação deficiente, tem dificuldades para encontrar trabalho, ter acesso à renda e, assim, contribuir para o crescimento do país. Demograficamente, o número de jovens não está crescendo, portanto é necessário aproveitar toda essa potencial força de trabalho investindo neles com programas como o Saúde na Família e o Bolsa-Família, que atrela o recebimento do benefício à permanência escolar e, assim, reduz a evasão escolar. Além disso, é preciso fortalecer uma rede de cuidados na primeira infância.

3. Que países conseguiram atrelar desenvolvimento econômico e investimentos sociais?
A Coréia do Sul investiu maciçamente em Educação e teve um crescimento elevado nas últimas décadas. Para superar o pós-Guerra da Coreia (1950-1953), o governo dedicou 10% do Produto Interno Bruto (PIB) ao segmento por uma década e os sul-coreanos rapidamente ascenderam em rankings internacionais de proficiência em matemática e língua, como o Pisa.

Os países escandinavos são outro bom exemplo. Eles têm altas cargas tributárias, que contribuem para a manutenção de programas de bem-estar social e levam a altos indicadores de renda e escolaridade, bem como no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O desempenho deles mostra que um país se torna menos desigual na medida em que cria condições para que as pessoas se desenvolvam.
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