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Tecnologia na Educação: como enriquecer o currículo com a robótica

A professora Débora Garofalo explica a robótica educacional, a metodologia learning by doing e como incluí-las em suas aulas

POR:
Débora Garofalo
Crédito: Getty Images

No lugar da lousa, giz, mesas e cadeiras, a sala de aula abre espaço para martelos, parafusos, furadeiras, componentes eletrônicos. Como principal atividade, o professor propõe a construção de um protótipo – com uma finalidade especifica, que desperte a curiosidade da turma e se envolva com a aprendizagem ao possibilitar que o estudante seja o centro do processo educacional. O nome desta aula é robótica educacional.

O seu uso, como estratégia, vem crescendo nas escolas brasileiras, trazendo soluções inovadoras como o learning by doing, que é o aprender fazendo.

Learning by doing (em tradução literal, aprender fazendo) refere-se a uma teoria da Educação do filósofo americano John Dewey. Ele teorizou que a aprendizagem deveria ser relevante e prática, não apenas passiva e teórica. Ele implementou essa ideia instalando a Escola de Laboratórios da Universidade de Chicago. Suas visões têm sido importantes no estabelecimento de práticas de Educação progressista.

O que é a robótica educacional?

A robótica é a ciência que estuda construção de objetos, como robôs. Ela envolve outras áreas e conceitos vindos da engenharia mecânica, elétrica, inteligência artificial e também de componentes curriculares como, por exemplo, Física, Matemática, Ciências e Língua Portuguesa.

É importante desmistificar que para desenvolver atividades ligadas à robótica é necessário um alto investimento em peças eletrônicas. Na robótica educacional mesclamos ambientes de aprendizagens que reúnem materiais não estruturados (que podem ser sucata) e ou kits de montagem. Esses kits são compostos por diversas peças, motores, sensores, controlados por uma placa com software que permite programar o funcionamento dos modelos montados. Ambos garantem ao aluno a oportunidade de desenvolver sua criatividade com a montagem de seu próprio projeto.  

O que a robótica favorece

As construções desenvolvidas pela robótica contribuem para a vida em sociedade. Alguns exemplos disso são os robôs que exploram locais de difícil acesso, como o mar e o espaço ou que auxiliam em procedimentos médicos. Na Educação, a robótica tem por objetivo desenvolver o raciocínio e a lógica na construção de algoritmos e programas para controle de mecanismo. É um projeto que favorece o planejamento e organização de projetos, motiva o estudo e análise de mecanismos existentes e estimula a criatividade nos diferentes segmentos da construção do conhecimento.

Ao experienciar a robótica, o aluno desenvolve sua capacidade de solucionar problemas, utilizando a lógica de forma eficiente, compreendendo conceitos das diversas áreas do conhecimento e exercitando-os na prática.

Aspirador de pó criado pela turma da professora Débora. Crédito: acervo pessoal/Débora Garofalo

Para o professor, também há vantagens: ele tem condições de diversificar sua ação pela possibilidade do emprego de materiais diversos e por intermédio de temas transversais, ações sustentáveis e planejamento interdisciplinar. O ensino de robótica por meio de materiais não estruturados é a porta de entrada para começar a inovar em sala de aula, trazendo novas abordagens educacionais que atendam o perfil dos alunos (que são nativos digitais) e resgatando da Educação Infantil, o movimento de ter a experimentação e o testar presentes o tempo todo.

Esta mudança de construir algo com as mãos (que denominamos de mão na massa), permite que o aluno vivencie a aprendizagem, experimentando, testando soluções, errando, tentando de novo, até acertar. Falhar faz parte desse processo e o torna significativo, permitindo que os estudantes sejam criativos e capazes de resolver problemas com autonomia. No processo de realização os alunos são levados naturalmente a passar e pensar pelas fases:


Minha experiência em sala com robótica

Quando iniciei o trabalho de robótica com meus alunos – que intitulei de robótica com sucata – ele foi organizado para mobilizar uma prática pedagógica. A proposta é incentivar a aprendizagem por meio da criatividade, estimular a experimentação de ideias, exploração de pesquisas e o alcance de resolução de problemas. Muitos temas podem ser agregados em um projeto como esse.

Na minha escola, trouxemos a questão do lixo. Ao promover aulas públicas, sensibilizamos a comunidade. Trazendo esses materiais para a sala de aula, os reutilizamos e diminuímos o lixo (não só nos materiais usados no projeto, mas também por meio da conscientização e ação da comunidade). Ao envolver diversas áreas do conhecimento, possibilitamos uma aprendizagem mais ativa e atuante ao aluno. Além disso tudo, as atividades têm ajudado a pensar em uma escola que não só produza conhecimento, como também traga contribuições locais – como a retirada de 700 quilos de materiais recicláveis das ruas da comunidade de São Paulo, ação realizada a partir do projeto.

Para implementar na sala de aula

A metodologia utilizada nas aulas de robótica tem como base o desenvolvimento de projetos sobre um tema de interesse do grupo e ou classe. Os projetos geralmente se encaixam em uma destas três classificações:


A chave para o sucesso na implementação de uma Educação inovadora, está na mudança do foco das pessoas e da criação de um ambiente que permita a participação dos atores envolvidos, para que conheçam o processo e possam contribuir com ele. Além de estimular essa colaboração, eles adquirem a sensação pertencimento e de autoria, que via tirá-los da passividade e os coloca no centro do processo de aprendizagem – e as pessoas são o centro do processo da educação inovadora!

Dentro deste contexto, as salas de aulas passam a ter novas configurações no aspecto físico e principalmente em sua concepção, favorecendo colaboração e interação entre os estudantes e o desenvolvimento de habilidades e competências. A pesquisa e a troca de experiências colaborativas serão bases da cognição, tornando o processo significativo e envolvente.

Os alunos podem aprender tudo o que quiserem. A internet, cada dia mais acessível móvel e presente na vida cotidiana, têm refletido nas escolas. Criar situações de pertencimento e dar voz aos alunos é permitir autonomia para que participem ativamente da criação do seu conhecimento.

E você querido professor, como faz uso da robótica educacional em sala de aula? Conte aqui nos comentários e ajude a fomentar práticas docentes.

Um abraço,

Débora Garofalo

Professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, Formada em Letras e Pedagogia, Mestranda em Educação pela PUCSP, colunista de Tecnologias para o site da NOVA ESCOLA. 

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