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08 de Agosto de 2018 Imprimir
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Como usar mais e melhor o Word em sala de aula

Confira o passo a passo para criar quadrinhos no editor de texto mais conhecido

Por: Débora Garofalo
Crédito: Glenn Carstens-Peters/Unsplash

A cada dia, uma nova ferramenta tecnológica é lançada. Diversas delas podem auxiliar os professores a transformar as tecnologias em ferramentas no processo de aprendizagem – e diversas delas estão ao alcance das mãos, basta otimizar e potencializar seu uso.

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O Word é um editor de texto. O seu funcionamento é simples, ao mesmo tempo que permite uma aprendizagem interativa e rica. Costumo brincar com os meus alunos que ele é uma página em branco, em que é possível criar, formatar, editar, salvar documentos eletrônicos, misturando elementos visuais e verbais. Mas ele também é um dispositivo que pode ser utilizado na Educação. Por ser composto de recursos que possibilitam escolher a fonte, inserir imagens, gráficos e tabelas, o programa é um convite para fomentar a escrita, a leitura e o desenvolvimento da criatividade.

Entre suas possibilidades, ele pode ser usado para melhorar a habilidade leitora e escritora, aumentar a capacidade de repertório, fluência e precisão na leitura e escrita, compreender e realizar conexões com o objeto de ensino. E mais: pode ser utilizado e explorado em todas as áreas do conhecimento.

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O software permite ser utilizado em diferentes níveis e ciclos de aprendizagem, com maior interação e colaboração dependendo da turma que está sendo aplicado. Como no uso das diferentes ferramentas, o uso do Word tem de ser desafiador. Ele tem que ser capaz de despertar o interesse para construção do conhecimento. O trabalho com as diferentes tecnologias permite hibridez e personalização do ensino traz diversos benefícios além dos já citados acima: permite aprender com os erros (o que beneficia o entendimento sobre o objeto de estudo), trabalhar em colaboração e com empatia, além de aproximar o aluno de ferramentas utilizadas em diferentes segmentos e finalidades da sociedade, incluindo-o no mundo digital.

Os editores de texto são uma página em branco que possibilitam diversas criações

Como usar em sala de aula
Para inspirar essa exploração em ferramentas já tão conhecidas do professor, compartilho uma sequência didática (intitulada “Criando HQ”) para professores que querem trabalhar leitura e escrita de forma interdisciplinar, dialogando com outras áreas do conhecimento, por meio de histórias em quadrinhos. A atividade é indicada para o 7º ano e tem duração de 3 aulas.

Objetivos:
- Pesquisar, analisar, conhecer sobre as histórias em quadrinhos;
- Reconhecer a importância desse gênero literário para a nossa sociedade;
- Conhecer a intencionalidade desse gênero;
- Desenvolver, potencializar e produzir uma HQ a partir do repertório apresentado;
- Coleta e organização de informações.

Conversa inicial
Introduza a aula, indagando se eles já ouviram falar no gênero histórias em quadrinhos (HQ). Converse com os alunos sobre o gênero, fazendo questionamentos como: vocês gostam de ler HQ? Com que idade começaram a ler e quais histórias já leram? Quais são seus personagens favoritos?

Oralmente, peça para os estudantes falar sobre os personagens que foram marcantes a eles e como eles eram. Neste momento, estimule-os a descrever características físicas e psicológicas dos personagens. Deixe os alunos falarem à vontade, estreitando uma relação dialógica, respeitando opiniões e preferências.

Essa conversa inicial é muito importante, pois, traz uma ideia do repertório dos discentes, onde você pode estimular a curiosidade, citando histórias e personagens consagrados e menos conhecidos dos jovens a partir de perguntas norteadoras, como: quem conhece a Mafalda? Qual sua nacionalidade? Qual o seu temperamento? Há alguma intencionalidade que o autor queria transmitir com a Mafalda?

Características das HQs
Leve exemplos de HQs para a sala de aula (tem algumas disponíveis pela internet). A proposta é que eles possam acessar diferentes autores, personagens e enredos para ampliar repertório e compreender o gênero HQ.  Faça inferências para que a turma compreenda que nem tudo está explicito nas imagens e no texto, construindo desta forma o sentido da narrativa.

Converse sobre o contexto, para ter certeza de que os estudantes entenderam o humor, crítica, enredo e demais características marcantes deste gênero. Alguns pontos que podem ser levantados nesse momento:

- Tempo da narrativa (comparação entre um quadrinho e outro);
- Papel do personagem (fala em balões e ou em discurso direto);
- Texto curto, construído com um ou mais quadrinhos, com presença de personagens fixos ou não, que cria uma narrativa com desfecho inesperado e ou esperado no final;
- Valorização dos desenhos, transmissão de expressões nos personagens;
- Diferenciação de letras para indicar entonação, como cochichar (letra pequena), gritar (letra grande), entre outros;
- Uso das onomatopeias (tosse, barulho de buzina, espirro, gritos e suas representações). Os estudantes curtem atividade para expressam graficamente ruídos, sons e situações engraçadas.

Sistematize os conhecimentos através de registros, para eventuais consultas.   

Produção de sua HQ
Organize um roteiro de criação em que os alunos tenham que escrever, em dupla, sobre um episódio. Eles devem decidir sobre personagens, cenário, fato ou acontecimento que irão descrever. Somente após definir a história é que começam a desenhar os personagens e os quadrinhos propriamente ditos.

Uma das possibilidades do editor de texto é criar quadrinhos

Para desenhar os personagens, eles podem utilizar o Paint, que é um software utilizado para criação de desenho simples e também edição de imagens. Após a produção, selecione o desenho, recorte e cole no Word, ou vá no ícone imagem e selecione alguma do arquivo. Também existe a opção do recurso clip-Art que importa imagens diretamente da Internet.  

Na própria ferramenta eles podem criar a tabela para separar as histórias, colar os personagens e inserir os balões, que estão disponíveis no ícone inserir, formas. Apresente estes recursos aos alunos, deixando-os livres para exercitar a criatividade e inventividade, percebendo que a história tem uma sequência lógica. Estimule a usarem e abusarem dos recursos e elementos estudados.

Na sequência, cada dupla, deverá produzir sua HQ, explorando as histórias. Compartilhe as produções com os demais estudantes, podendo juntar todas e produzir um único gibi da turma. A partir dessa aula, você pode dar outros desdobramentos à atividade, dependendo da intencionalidade e do objetivo da aula, como por exemplo, trabalhar com charges que tem características diferenciadas por ser circunstancial e temporal e ainda explorar temas transversais.

E você, querido professor, como utiliza o editor de textos em suas aulas? Compartilhe suas experiências nos comentários, contribuindo para o trabalho de outros educadores. Aproveito para partilhar que nossa coluna agora é semanal, onde dividiremos práticas pedagógicas, opiniões sobre diversos assuntos ligados a Tecnologia e Educação.

Um abraço,
Débora Garofalo 

Professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, Formada em Letras e Pedagogia, Mestranda em Educação pela PUCSP, colunista de Tecnologias para o site da Nova Escola