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Reverti a reprovação de uma aluna com a ajuda das redes sociais

Débora Garofalo, professora da rede pública de São Paulo, conta como uma troca de mensagens colaborou para ela entender o problema de uma estudante e virar o jogo

POR:
Débora Garofalo
Página da professora na rede social Edmodo

“Ao longo da minha carreira como educadora, muitas questões externas à sala de aula afetaram diretamente o aprendizado dos meus alunos. Com esses seres humanos fantásticos, compartilhei experiências e saberes, alegrias e tristezas. Lembro, por exemplo, de uma aluna que foi um grande desafio para mim.

Na época, ela estava no 1º ano do Ensino Médio e não se interessava pelas aulas. Ficava sempre com a cabeça baixa e se recusava a realizar as atividades propostas. Realizei várias intervenções para motivá-la nas aulas e ela sempre mantinha a mesma reação. Os rendimentos alcançados por ela eram muito baixos em diversas áreas do conhecimento e a sinalização era a de que ela não teria condições de ser aprovada para a série seguinte.

Além da sala de aula, eu tinha contato com ela – e com os outros alunos – por meio de grupos de estudos fechados na rede social Edmodo. Por lá, faltando três meses para terminar o ano letivo, ela me passou uma mensagem contando o motivo por não se interessar pelas atividades. Problemas na família e de ordem financeira estavam ocupando a preocupação dela e interferindo diretamente nos estudos.

Diante dessa situação, refleti sobre como a tecnologia aproxima as pessoas e funciona como uma extensão da sala de aula. Temos de tirar proveito desses preciosos recursos! As discussões e os fóruns realizados em grupos fechados de ferramentas como WhatsApp, Edmodo, Facebook e Telegram permitem que a relação de aprendizagem ocorra em tempo real. Essa vivência rica estimula a leitura, a escrita, a investigação e o protagonismo. Claro que alguns cuidados precisam ser tomados, como a questão dos fóruns serem fechados e as discussões manterem o cunho educacional.

Bom, voltando à aluna. A mensagem dela foi uma grande surpresa. Fiquei feliz pela confiança depositada em mim, mas, também, me questionei bastante sobre como agir. Como poderia proporcionar uma aprendizagem significativa para ela diante de questões sociais tão relevantes? É possível separar a realidade familiar do fazer pedagógico? Como oferecer tudo o que cada aluno precisa e merece e colaborar para que ele desenvolva competências e habilidades, sabendo que suas prioridades são outras? Talvez nunca encontremos as respostas para todas as angústias que vivenciamos ao entrar em uma sala de aula.

Eu e a aluna nos aproximamos e dialogamos muito após a troca de mensagens. Ela passou a se envolver mais nas atividades e uma que se destacou foi o “Café cidadão”. Promovemos rodas de conversa e debates sobre temas sociais como o papel dos serviços e órgãos públicos. Oferecemos aos alunos a possibilidade de se expor, debater e ouvir opiniões de especialistas. Algumas dessas discussões avançaram para os fóruns virtuais.

A aluna que me preocupava começou a participar timidamente e foi se transformando. Se tornou autora e protagonista dos debates. No final do primeiro mês, já constatei mudanças nas minhas aulas e nas outras. Ela recuperou os estudos e foi aprovada para o ano seguinte com o ânimo renovado. Uma alegria imensa para mim!

Aprendi que a persistência deve nos acompanhar sempre nesta caminhada pela Educação de qualidade para todos e todas e que a internet é uma aliada também na comunicação com os alunos que não se abrem pessoalmente!”

Débora Denise Dias Garofalo, professora da rede pública de ensino de São Paulo

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