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O que você precisa saber para ler "Mayombe"

Livro é o primeiro título de um autor africano solicitado na Fuvest

POR:
Anna Rachel Ferreira

O escritor angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, o Pepetela. Foto: Jorge Nogueira/Divulgação

 

O vestibular é uma época conturbada na vida de qualquer jovem. Me lembro da ansiedade para estar apta a responder todas aquelas perguntas. Também é forte a memória da confusão em tentar compreender as obras literárias que precisava ler misturada com um encantamento do primeiro encontro com elas.

Nesse ano, a lista da Fuvest apresenta o angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, o Pepetela. É a primeira vez que o maior vestibular do país solicita a leitura de um autor africano. Para Rita Chaves, professora de literatura africana da Universidade de São Paulo (USP) é fundamental que os alunos de Ensino Médio tenham contato com essa literatura que ainda é marginalizada. “É como o pagamento de uma dívida tardia”, completa reforçando a importância do continente na constituição do Brasil.

O livro requisitado no processo seletivo é Mayombe (248 págs., 44,90 reais). O texto foi publicado em 1980 e escrito durante a década anterior, quando o escritor participava da guerra de libertação da Angola. A partir desse fato histórico e das experiências vividas pelos colegas de guerrilha, Pepetela escreveu uma obra ficcional sobre o cotidiano do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) em luta contra as tropas portuguesas. Nela, o autor escancara dúvidas dele mesmo sobre as contradições, medos e convicções que impulsionavam os guerrilheiros em busca de liberdade no interior da floresta.

O texto, escrito em português, tem poucas peculiaridades linguísticas que dificultem e entendimento do leitor brasileiro.  “Até as expressões específicas são facilmente interpretadas”, conta Rita. Mas, ainda assim, deve ser lido como literatura estrangeira, pois vem de um contexto específico. “No Brasil, tendemos a ter um discurso pacifista e crer que a literatura trata de assuntos sublimes. Na Angola, a guerrilha foi um investimento na construção de um mundo melhor”, exemplifica a docente. Ela esclarece que o conhecimento histórico amplia a discussão e despe o leitor de preconceitos que possam ter a respeito do tema tratado.

Quanto a relação do livro com os demais títulos portugueses e brasileiros solicitados no vestibular, Iracema (José de Alencar) é o que parece mais se aproximar por ambos tratarem de conflitos entre tribos e o embate com o colonialismo português. Mas, o próprio Pepetela já confessou ter sido influenciado pelo trabalho de outros autores brasileiros como Jorge Amado, Graciliano Ramos e João Guimarães Rosa que também figuram a lista.

Divirta-se com essa leitura!

Até o próximo post!

Anna Rachel

 

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