Mãos na argila para ampliar perspectivas

Trabalho com o material ajuda a apresentar o universo da produção tridimensional

POR:
Wellington Soares, NOVA ESCOLA, Ana Ligia Scachetti
A turma da EEEF Ismael Chaves Barcellos usou a argila após vencer o estranhamento inicial. Marcelo Curia A turma da EEEF Ismael Chaves Barcellos usou a argila após vencer o estranhamento inicial Nos primeiros contatos com o material, a classe pôde experimentá-lo com toda a liberdade. Marcelo Curia Nos primeiros contatos com o material, a classe pôde experimentá-lo com toda a liberdade Nos primeiros contatos com o material, a classe pôde experimentá-lo com toda a liberdade. Marcelo Curia Nos primeiros contatos com o material, a classe pôde experimentá-lo com toda a liberdade Nos primeiros contatos com o material, a classe pôde experimentá-lo com toda a liberdade. Marcelo Curia Nos primeiros contatos com o material, a classe pôde experimentá-lo com toda a liberdade Mais seguros em relação às técnicas, os alunos capricharam nos objetos produzidos. Marcelo Curia Mais seguros em relação às técnicas, os alunos capricharam nos objetos produzidos Mais seguros em relação às técnicas, os alunos capricharam nos objetos produzidos. Marcelo Curia Mais seguros em relação às técnicas, os alunos capricharam nos objetos produzidos Mais seguros em relação às técnicas, os alunos capricharam nos objetos produzidos. Marcelo Curia Mais seguros em relação às técnicas, os alunos capricharam nos objetos produzidos

No primeiro contato que os alunos de Alessandra Menegol Tortelli tiveram com a argila, a reação foi de estranhamento. A professora do 2º ano da EEEF Ismael Chaves Barcellos, em Caxias do Sul, a 137 quilômetros de Porto Alegre, conta que eles compararam o material com a massa de modelar, com a qual já estavam mais acostumados. "Ela não tem cheiro bom como a massinha", disse um. "Ela também é fria e bem mais dura", acrescentou outro.

Enfrentar esse espanto inicial é necessário para ampliar o repertório das crianças e apresentar a elas materiais diversificados e técnicas consagradas. "O trabalho com a argila é importante por ser tridimensional, diferente da pintura e do desenho, linguagens bastante comuns nas escolas", ressalta Rosa Iavelberg, docente da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Maria Morena Godoy, formadora de professores da Comunidade Educativa Cedac, indica que é possível escolher entre dois focos: dar ênfase à experimentação ou aliar essa ação ao estudo da produção de determinado movimento ou período histórico. Seja qual for o caminho, não se pode deixar o processo criativo de lado. É preciso planejar algum momento em que a turma tenha liberdade de manusear o material e elaborar obras com base na imaginação.

Alessandra optou por combinar a prática a um estudo sobre a cultura de tribos indígenas da Amazônia que modelam vasos com o barro. Para isso, leu com as crianças uma reportagem que tratava do assunto e apresentou a elas as imagens que ilustravam o texto. "Todas acharam as peças muito bonitas e ficaram empolgadas quando eu disse que desenvolveriam trabalhos no mesmo estilo", conta a docente. Índios habitantes da região em que a escola se localiza produzem vasos semelhantes, que são vendidos nas estradas próximas à aldeia. Por isso, os estudantes já conheciam o material. A técnica usada por essas etnias e aplicada nas aulas que se seguiram se chama acordelado e consiste em moldar o objeto sobrepondo diversos rolinhos (cordões) de argila.

Outras possíveis referências para a turma nesse momento são imagens de esculturas antigas e contemporâneas e obras populares brasileiras. "A produção de um artista específico também pode ser a base de uma proposta desde que o aluno não tenha de fazer uma cópia. A releitura deve dar lugar ao fazer artístico, inspirado pelas peças apresentadas", ressalta Rosa. "Com esses conhecimentos, acrescidos das experimentações, os estudantes começam a compreender a história da Arte de maneira significativa."

Feita a apresentação do tema, Alessandra pediu que cada um trouxesse na aula seguinte meio quilo de argila escolar. Papelarias normalmente fornecem o material já limpo, mas caso ele seja adquirido em olarias é preciso bater a massa para retirar as impurezas (leia outras dicas de manuseio no quadro da página seguinte).

Antes de começar a modelar, os alunos prepararam o ambiente: forraram as mesas com jornais e trouxeram potinhos de água. Por gerar muita sujeira, o ideal é que a atividade não seja feita em sala de aula. A turma de Caxias do Sul ocupou uma cozinha desativada existente na escola, mas ainda assim o esforço da docente foi grande para que tudo ficasse organizado novamente. "Como protegemos a bancada, achei que não haveria muita bagunça. Mas tinha me esquecido do chão, que acabou todo sujo. Poderia ter forrado a sala toda para evitar esse problema."

A garotada pode criar livremente para, depois, preparar a obra final

Tudo preparado, chegou a hora de explorar o material. Nesse primeiro momento, a docente deixou a turma livre para que sentisse a textura e a consistência da argila e testasse fazer os objetos que viessem à sua imaginação. Enquanto isso, ela conduziu uma conversa sobre algumas características da massa. "Perguntei se ela era de origem natural ou havia passado pela manipulação do homem", conta. Para satisfação dela, já que o assunto também vinha sendo abordado nas aulas de Geografia, quase todos acertaram que o material era retirado da natureza.

Ela também comentou sobre a temperatura, o cheiro e a consistência da argila. Explicou que é gelada por causa da água utilizada para amolecê-la e que, quando o líquido evapora, ela vai ficando mais dura até não ser mais possível modelá-la. E acrescentou que o cheiro é ruim (como a turma havia destacado) porque não tem os aromatizantes artificiais que são colocados na massinha, um produto industrializado.

Além de notar essas informações sobre a matéria-prima, é importante que as crianças tenham contato com técnicas que possibilitem incrementar o manuseio. "É bacana elas encararem problemas e bolarem soluções", indica Rosa. Entretanto, nem todas as dificuldades podem ser resolvidas pela meninada. Por isso, há momentos em que você deve apresentar os macetes para auxiliar o grupo e evitar frustrações.

Com o objetivo de colaborar com a classe, a educadora circulou entre os alunos e propôs algumas questões com base no que via. Apontou, por exemplo, que a massa de um deles estava muito dura e perguntou se alguém sabia como amolecê- la. Alguns sugeriram que bastava colocar mais água. Alessandra pediu, então, que eles testassem e todos puderam verificar que de fato dava certo. Mas uma parte da classe exagerou na dose e a peça ficou mole demais. Os que estavam nesse grupo pediram ajuda e aí a docente mostrou que poderiam misturar mais pedaços de argila seca à porção em uso. Ela também fez formas como bolas, rolinhos e quadrados com eles para que vissem como o material poderia ser manuseado. Depois de vencer as dúvidas, todos conseguiram avançar na manipulação e produziram até objetos mais complexos, como camas e bonecos.

Para concluir, a professora retomou os exemplos de arte indígenas apresentados na primeira aula e pediu que as crianças tentassem fazer vasos com base nas referências. Depois de prontos e secos, eles foram pintados com tinta guache. Também é possível, após a pintura, dar mais brilho às peças ao passar uma mão de cola branca ou esfregar uma pedra bem lisa nelas.

Em vez de pedir que todos façam o mesmo objeto - como fez Alessandra -, você pode apostar na diversidade de formas. Nesse caso, retome as lições aprendidas na experimentação do material e solicite que cada um escolha algo a ser produzido. Quando a classe estiver com sua obra pronta, conclua com uma conversa coletiva. "Os alunos comentam, por exemplo, os motivos para a escolha do tema, os procedimentos usados e se já haviam feito trabalhos semelhantes com outras técnicas", complementa Rosa.

Dicas para o manuseio

- Proteção Forre as mesas com um jornal para evitar que o material grude na superfície em que está trabalhando. Caso não tenha papel disponível, você também pode retirar a peça passando um fio de náilon embaixo dela.

- Armazenamento Caso as obras não fiquem prontas num dia, guarde-as num saco plástico. Assim, elas não ressecam e as crianças podem observar, no dia seguinte, as gotas acumuladas, sinal da evaporação da água.

- Consistência A densidade ideal da argila é o chamado ponto de couro, em que ela não está nem muito dura nem muito mole. Deixe as crianças procurarem esse ponto, acrescentando água para amolecer o material.

- Junção Não use palitos para unir pedaços de argila. Se as partes estiverem úmidaMais seguros em relação às técnicas, os alunos capricharam nos objetos produzidoss, é possível grudá-las. Quando estiverem secas, faça pequenas ranhuras e molhe com barbotina (argila, água e vinagre).

Consultoria Maria Morena Godoy e Rosa Iavelberg.

1 Referências que inspiram Apresente para a turma imagens e textos sobre obras feitas com argila. Explique que nas aulas seguintes serão produzidas peças com esse material. Mas atenção: as referências servem de inspiração e não devem ser copiadas.

2 Uma bagunça organizada Prepare uma área da escola que possa receber a turma e forre as mesas e o chão com jornal. Providencie argila suficiente para iniciar o trabalho no encontro seguinte.

3 Autonomia e criatividade Deixe que todos manuseiem o material e criem várias formas. É normal surgirem dificuldades. Apresente técnicas que podem resolvê-las apenas quando a turma não conseguir fazer isso sozinha.

4 Brilho para terminar Defina qual será o produto final, retome os aprendizados da experimentação e reserve um tempo para que cada aluno termine sua obra. Depois de seca, a peça pode ser pintada ou polida.

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