Artistas da cidadania

Escola usa a arte para motivar os alunos e envolver a comunidade em campanha pela paz

POR:
Priscila Ramalho
Pintura do muro, confecção de flores e colcha de retalhos: cartolina, cola e pincel por um bairro menos violento. Foto: Mauricio Piffer

Pintura do muro, confecção de flores e colcha de retalhos:
cartolina, cola e pincel por um bairro menos violento.
Foto: Mauricio Piffer

A violência está tão presente nas grandes cidades que é cada vez mais difícil não ter de lidar com ela na escola. Mas como envolver os alunos numa aula que possa realmente ajudá-los a desenvolver a cidadania e lutar contra esse problema? A Escola Municipal Presidente Campos Salles, na favela de Heliópolis, a maior de São Paulo, encontrou a resposta em desenhos, recortes e colagens. "Usamos a arte para motivar os alunos e sensibilizar a comunidade", diz o diretor Braz Nogueira.

Quem iniciou o projeto foi a professora de Arte Mirlei Clélia Garcia. Ela pediu que as crianças de 5ª a 8ª série pintassem o muro da escola com desenhos inspirados no tema da paz. "O muro é simbólico, porque representa o contato com a comunidade exterior", justifica.

A iniciativa deu tão certo que todos os professores se uniram para criar uma campanha pela redução da violência, tanto na escola quanto na comunidade. O símbolo escolhido foi o girassol - alusão ao nome da favela, que significa cidade do sol. Como Heliópolis tem altos índices de violência, Mirlei trabalhou medos, lembranças e aflições da garotada. Tudo foi registrado em desenhos e bordados que se transformaram em uma enorme colcha de retalhos. "O exercício serviu para que cada um compreendesse e exteriorizasse seus sentimentos", explica Mirlei.

Turma preparada, chegou a hora de passar a mensagem para a comunidade. A forma encontrada foi uma grande marcha pelas ruas do bairro. Meninos e meninas prepararam dezenas de faixas e cartazes coloridos e 2000 flores de papel, que foram entregues aos moradores durante o trajeto. Segundo a especialista em Arte-educação Rosa Iavelberg, esse arsenal foi o grande trunfo para garantir a participação de pais e vizinhos: "Ao emocionar as pessoas, a arte faz com que elas se envolvam com o projeto".

O trabalho rendeu também resultados concretos: uma sensível redução da violência no ambiente escolar e, no final do ano passado, o 1o lugar no Prêmio Arte na Escola Cidadã 2000, oferecido pela Fundação Iochpe. "Hoje, os alunos se respeitam mais", orgulha-se o diretor. "Ficamos meses sem ter de separar uma briga."

Neste ano que está começando, Mirlei pretende continuar sua campanha: quer levar a turma para colorir a rua principal da favela e a praça que fica em frente ao colégio. Pintando muros, calçadas, praças, ela espera ajudar a desenhar um novo futuro para Heliópolis.

Quer saber mais?

EMEF Presidente Campos Salles, R. Cavalheiro Frontini, 87 CEP 04241-000, São Paulo, SP, tel. (0_ _11) 6947-6723

Fundação Iochpe, Al. Tietê, 618, casa 1, CEO 01417-020, São Paulo, SP, tel. (0_ _ 11) 3060-8388

Compartilhe este conteúdo:

Tags

Guias