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01 de Novembro de 2003 Imprimir
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A chave para o bom texto: revisão

As produções dos alunos vão ficar mais claras, coerentes e livres de erros gramaticais se você ensiná-los a fazer a autocorreção

Por: Maria A

Um texto claro, compreensível, agradável, coerente, enfim, bem escrito é o que todo professor deseja que seus alunos sejam capazes de produzir. No entanto, uma das maiores frustrações para quem leciona Língua Portuguesa é justamente perceber que erros se repetem, apesar do empenho ao corrigir os textos. A causa dessa dificuldade pode estar na forma como é encaminhada a correção. Procedimentos básicos adotados nesse momento podem solucionar o problema.

Uma das primeiras práticas a seguir, na avaliação da consultora de Língua Portuguesa Maria José Nóbrega, é fazer a revisão na presença do autor da redação. "Quando a criança recebe um trabalho corrigido, olha a nota e não dá a devida atenção aos erros", comenta.

Igualmente importante é determinar o que corrigir. "Apenas apontar erros ortográficos e gramaticais não é o bastante", afirma Maria José. A gramática não deve ser deixada de lado, mas é preciso considerar vários outros aspectos que contribuem para a qualidade de um texto, como clareza, objetividade, emprego de expressões adequadas ou riqueza de vocabulário. Depois de trabalhar esses pontos em classe, incentive as crianças a incluir a tarefa em sua rotina e revisar, elas mesmas, o próprio texto.


Como aprimorar a redação

Revisar o próprio texto é parte fundamental do processo de escrita. Cabe a você estimular esse hábito e garantir os instrumentos necessários para que cada um assuma a responsabilidade pela tarefa. O segredo é ensinar algumas operações básicas de revisão, como cortar palavras ou trechos excessivos, substituir expressões vagas ou inadequadas, acrescentar elementos para tornar pensamentos mais claros, inverter termos ou sequências para conferir maior expressividade ou organizar mais claramente as ideias. "Por meio dessas práticas mediadas, as crianças se apropriam, progressivamente, das habilidades necessárias à autocorreção", afirma Maria José.

Essa prática traz muito mais benefícios para o aluno do que passar o texto a limpo, após sua correção. "Geralmente eles fazem apenas uma cópia mecânica", diz a consultora.

Oriente os estudantes a distanciar-se de sua produção. Eles devem se colocar na posição de leitores, avaliando se o que foi escrito está compreensível. Trabalhos em dupla, em que um lê o que o outro redigiu, ajudam a estimular esse tipo de percepção.

Um aspecto por vez

Seus alunos devem ser capazes de identificar imperfeições nos textos, refletir sobre elas e buscar soluções. O aperfeiçoamento da escrita vem com o tempo, à medida que a garotada incorpora um bom repertório de recursos lingüísticos. Para tanto, indique regularmente a leitura de bons livros, representativos do gênero que está sendo trabalhado em classe. "Isso funciona como um suporte, fornecendo recursos para a criança criar algo novo e ficar mais atenta no próprio texto", explica Regina Scarpa.

Acompanhe como encaminhar suas aulas para que o grupo se aproprie progressivamente das habilidades necessárias à autocorreção.

• Ao solicitar que a turma faça um texto, garanta as condições didáticas, definindo o tema, o gênero textual, quem será o leitor e qual a finalidade comunicativa do trabalho. Por exemplo: "Vamos produzir uma pequena enciclopédia sobre animais para a biblioteca da escola".

• Na hora da revisão coletiva, transcreva o texto no quadro-negro, mostre-o em transparências ou entregue cópias para todos. Oriente a turma sobre que aspectos precisam ser melhorados naquele momento.

• Fique atento para não escolher um texto que apresente problemas de diversos tipos para evitar desviar a atenção do objetivo proposto. Se seu plano é ajudar o grupo a refletir sobre a repetição de palavras, por exemplo, transcreva o texto a ser trabalhado já sem erros de ortografia.

• Registre e discuta coletivamente as diferentes possibilidades apresentadas pela classe para aprimorar cada trecho. Explique que o critério de escolha da melhor opção deve ser sempre a eficácia comunicativa.

• Garanta que todos tenham acesso a materiais de consulta, como dicionários e gramáticas, e a obras de qualidade que sirvam de modelo.

• Reescreva o texto, incorporando as alterações propostas.

Tarefa de todas as disciplinas

Há quatro anos, o Colégio Marista Arquidiocesano, de São Paulo, criou o Laboratório de Redação, projeto multidisciplinar com o objetivo de melhorar o desempenho de crianças e adolescentes na produção de textos. Segundo a coordenadora, Cristina Helena Ferreira, a proposta é formar estudantes capazes de atender às demandas de escrita dentro e fora da escola. O Laboratório de Redação requer a participação de todos os professores, e não só os que lecionam Língua Portuguesa. "Muitas vezes a garotada estranha quando um professor de Matemática chama a atenção para um erro gramatical ou uma frase mal construída, mas isso ajuda a entender que a escrita nada mais é que um instrumento de comunicação e que, para sermos compreendidos, precisamos usá-lo adequadamente", diz Cristina.

Um trabalho coletivo

Um dos objetivos da revisão é levar a garotada a perceber que uma bom texto não nasce pronto. " Analisar o texto na presença do aluno ou fazer um acompanhamento durante a produção permite a ele incorporar sugestoões, reescrever, substituir termos e reorganizar ideias, até obter um bom resultado", explica Regina Scarpa, coordenadora pedagógica do programa Escola que Vale, do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária. Como fazer isso em classes numerosas? "Uma saída é a revisão coletiva", ensina Maria José. Verifique quais os problemas mais freqüentes nas produções da turma e escolha as mais representativas. O exercício se torna mais eficaz se você focalizar um aspecto de cada vez: coesão ou pontuação ou ortografia, por exemplo.

Quer saber mais?

Colégio Marista Arquidiocesano, R. Domingos de Morais, 2565, 04035-000, São Paulo, SP, tel. (0_ _11) 5081-8444

BIBLIOGRAFIA

Cenas de Aquisição da Escrita: O Sujeito e o Trabalho com o Texto, Maria Bernadete Abaurre, Raquel Salek Fiad e Maria Laura T. Mayrink-Sabinson, 204 págs., Ed. Mercado de Letras, tel. (0_ _19) 3241-7514, 23 reais

Diálogo entre o Ensino e a Aprendizagem, Telma Weisz, 136 págs., Ed. Ática, tel. (0_ _11) 3346-3000, 21,50 reais

O Ensino da Linguagem Escrita, Myriam Nemirovsky, 160 págs., Ed. Artmed, tel. 0800 703-3444, 26 reais

INTERNET

No site do Escola que Vale (www.escolaquevale.org.br) você encontra a descrição dos projetos Narrativas literárias e Uma página para o jornal da cidade, que, entre outros objetivos, ensinam os alunos a produzir e revisar textos.

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