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01 de Agosto de 2012 Imprimir
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Sistemas endócrino e nervoso: uma dupla afinada

Os dois muitas vezes atuam em parceria. O resultado vai de mudanças complexas, como a puberdade, até as que ocorrem durante um rápido passeio em uma montanha-russa, como mostra o infográfico

Por: Noêmia Lopes

Em Ciências, um dos objetivos dos alunos é entender a dimensão global do organismo, e não enxergá-lo como sendo formado por partes independentes. Ensinar isso é um desafio, dada a complexidade dele. A tarefa pode ficar mais complicada se os conteúdos forem fragmentados. "Sozinho, o jovem terá de lidar com saberes múltiplos e reconstruir o corpo", diz Celina Moraes, professora de Ciências da Escola da Vila, em São Paulo. Para evitar isso, você precisa apresentar sistemas, órgãos, células e diferentes partes do corpo e propor que se estabeleçam relações entre eles.

Os sistemas nervoso e endócrino, por exemplo, comandam as modificações necessárias para que o corpo se ajuste a diferentes condições, segundo Carolina Luvizoto, formadora de professores da Sangari Brasil, em São Paulo. Em parceria, eles recebem e analisam estímulos externos (como luz, som e temperatura) e internos (dor ou carência de nutrientes, por exemplo) e elaboram uma resposta apropriada a cada situação. "Desse modo, atuam na regulação de funções como nutrição, reprodução e metabolismo", explica Carolina.

Antes de mergulhar no tema, vale esclarecer: alguns estudiosos preferem se referir a "glândulas endócrinas" (e não a sistema endócrino). Eles defendem que qualquer órgão retirado de um sistema compromete os demais, e essa regra nem sempre se aplica nesse caso. Outros justificam que a ideia de sistema é a reunião de órgãos com uma função comum - conceito aqui adotado.

O sistema endócrino é formado por várias glândulas. As principais são hipófise, tireoide, suprarrenais, pâncreas, ovários e testículos. Elas secretam os hormônios, que são transportados pelo sangue para todo o corpo, sob o comando do sistema nervoso, e atuam em células específicas. Este, por sua vez, é formado pelo sistema nervoso central (SNC), pelo sistema nervoso periférico (SNP) e pelo sistema nervoso autônomo (SNA). As unidades básicas são as células nervosas, que transmitem impulsos elétricos com precisão e rapidez.

Sistemas endócrino e nervoso: uma dupla afinada. Ilustração: Luciano Veronezi
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1 O perigo é identificado

Antes do passeio, receptores superficiais do corpo captam estímulos (visuais e sonoros) e geram uma corrente de impulsos elétricos para o sistema nervoso central (sNC). ele desencadeia reações. o olhar, por exemplo, fica arregalado.

2 Reações nervosas

Ao receber os estímulos, o SNC, que é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal, provoca respostas em glândulas, músculos e áreas do próprio SNC. Os músculos, por exemplo, reagem, ficando mais rígidos e tensionados.

3 Sistema endócrino

Ao mesmo tempo, as glândulas suprarrenais são estimuladas e secretam adrenalina no sangue. As pupilas e os brônquios dilatam, os batimentos cardíacos aumentam e ocorre a vasoconstrição. O corpo passa a produzir mais suor.

4 Tudo volta ao normal

Fim do passeio. Cessam os estímulos que ativam o SNC e ele para de acionar as suprarrenais. Desse modo, o organismo interpreta que pode retomar o equilíbrio. Essa recuperação leva alguns minutos e varia de pessoa para pessoa.

Consultoria Carolina Luvizoto, formadora de professores da Sangari Brasil, em São Paulo, e Joyce Muzzi, fisioterapeuta e especialista em neurologia, de São Paulo.

Relacionar partes do corpo para entender como ele funciona

Certos eventos provocados pelos dois sistemas são reversíveis. Nas situações de risco em potencial - como o caso do passeio na montanha-russa, o nível de adrenalina se eleva, assim como a velocidade dos batimentos cardíacos. Porém, depois de passado o suposto perigo, ambos voltam ao normal. Existem, no entanto, aqueles que não têm volta, como o crescimento do corpo. Celina explica que, graças à atuação combinada entre as estruturas nervosas e endócrinas, o organismo se desenvolve por inteiro e a pele e os ossos, por exemplo, aumentam de tamanho de modo sincronizado. Têm também a ver com elas a puberdade e as alterações que o organismo sofre nessa fase, como o crescimento de pelos na região do púbis (leia o quadro abaixo).

Esse tipo de reflexão deve permear as aulas. Detalhes que envolvem nomes complicados de estruturas e substâncias podem ser mencionados, mas não são o foco. É complexo para os jovens compreender plenamente o funcionamento dos sistemas que regulam o organismo. "Mais que saber de cor descrições minuciosas, eles precisam compreender a existência dos mecanismos que controlam o corpo e a relação existente entre eles", diz Ana Espinoza, pesquisadora argentina da área de Didática das Ciências Naturais.

À primeira vista, essa maneira de abordar o tema pode parecer ampla e superficial. No entanto, Ana explica que ela é mais sofisticada do ponto de vista do conhecimento: "Ao trabalhar dessa maneira, o professor provoca o grupo a construir conexões entre conteúdos distintos e fazer conjecturas, inclusive com outras partes do organismo".

Um desafio para apresentar à moçada tem a ver com a sensação de fome. Quais partes do corpo estão envolvidas? Como elas atuam em conjunto? Inicialmente, os estudantes podem levar em consideração só o sistema digestório. É o estômago que comanda tudo, inclusive a vontade de comer? É necessário provocar a turma para ir além no levantamento de hipóteses e pesquisar o assunto em fontes confiáveis. Os estudantes vão aprender que o hipotálamo (que fica na região do encéfalo) é o responsável por comandar o centro da fome e da saciedade. Em parceria com o estômago, que sofre contrações nessa situação, ele nos impulsiona a buscar comida.

Mais uma prova de que o corpo, embora formado por partes, é uma estrutura integral e deve ser estudado assim.

O corpo na puberdade
As partes do organismo que são as principais responsáveis pelas mudanças que ocorrem no corpo e o que elas desencadeiam

O corpo na puberdade. Ilustração: Luciano Veronezi

1. Hipotálamo Região que regula a atividade da hipófise. Graças a ele, nos garotos ocorrem a síntese de testosterona nos testículos, a maturação dos espermatozoides e o crescimento dos testículos e pelos ao redor do pênis. Nas meninas, se dá a síntese de estrogênio e progesterona e aparecem o botão mamário e os pelos pubianos.

2. Hipófise É a responsável pelo processo de secreção de vários hormônios que atuam sobre órgãos e outras glândulas endócrinas. ela também secreta vários hormônios que podem estimular a tireoide, as glândulas suprarrenais, os ovários e os testículos. Também responde pelo hormônio do crescimento.

3. Tireoide Glândula que regula o metabolismo do corpo. ela tem como função secretar dois hormônios importantes para esse processo: T3 e T4. entre outras tarefas, eles são responsáveis pela manutenção do peso do corpo.

4. Suprarrenais situadas sobre os rins, produzem alguns hormônios, entre eles, os androgênicos, capazes de aumentar a secreção das glândulas sebáceas, influenciando o desenvolvimento de acne, e exercer efeitos masculinizantes no corpo masculino e feminino.

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