Expressões coloquiais em inglês

"Are you with me? So, check it out!" Essas são duas das expressões coloquiais que a turma de São Caetano do Sul aprendeu. Você já pensou em trabalhá-las em classe? A propósito, a tradução é: "Você está me entendendo? Então dá uma olhada!"

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Caroline Ferreira
De volta à classe, todas as pesquisas foram socializadas. Com a ajuda da professora, uma lista de expressões da linguagem informal foi montada. Foto: Raoni Maddalena
De volta à classe, todas as pesquisas foram socializadas. Com a ajuda da professora, uma lista de expressões da linguagem informal foi montada
Para se familiarizar com as novas expressões e fixar a pronúncia, os alunos fizeram a leitura dos termos e tentaram incorporá-los à fala. Foto: Raoni Maddalena
Para se familiarizar com as novas expressões e fixar a pronúncia, os alunos fizeram a leitura dos termos e tentaram incorporá-los à fala

A linguagem informal está presente na conversa das pessoas, nas músicas, nos jornais e nos seriados de TV. "Mudanças sociais e culturais transformaram o uso do idioma e, hoje, termos coloquiais fazem parte do inglês da vida real", explica Jack Scholes, professor e autor de Slang Activity Book (103 págs., Ed. Disal, tel. 11/3226-3111, 37,50 reais), entre outros livros. Isso significa que a compreensão ampla da língua depende do uso correto dos coloquialismos. "Isso define a diferença entre os fluentes ou não", diz Scholes.

O trabalho em sala com a linguagem coloquial deve ocorrer de forma constante, paralelamente a outros conteúdos, pois se trata de um tema essencial para a comunicação. A professora Sônia Maria Bundschuch, da EE Maria Trujilo Torloni, em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo, encontrou uma forma de provocar reflexões sobre o coloquialismo com turmas de 8º e 9º ano usando a internet como ferramenta.

"Questionei os alunos sobre os tipos de linguagem existentes e chegamos à conclusão de que a informal é a mais utilizada no dia a dia. Além disso, analisamos exemplos de coloquialismo apresentados no livro didático. Depois, pedi que eles pesquisassem o uso desse tipo de linguagem em alguns sites, como o bbc.co.uk", diz (conheça as principais etapas do trabalho nas fotos da reportagem).

Terminada a pesquisa, que foi feita em dupla, os estudantes apresentaram os resultados e foi organizada uma discussão sobre as variações linguísticas. "Foram encontradas expressões em letras de música, filmes e seriados", relata Sônia.

O passo seguinte foi redistribuir os resultados do trabalho para que todos conhecessem outros materiais e percebessem a diversidade de expressões. Cada dupla escreveu no quadro-negro os exemplos de coloquialismo mais comuns levantados na pesquisa. Em seguida, com a supervisão da professora, fizeram a leitura das expressões escolhidas. O objetivo era fixar a pronúncia e familiarizar a garotada com o novo vocabulário. "Na última aula, confeccionamos cartazes sobre o tema que continham frases resultantes da pesquisa e ilustrações retiradas de jornais e revistas que exemplificavam as situações escritas", diz a professora. Essas produções ilustradas foram coladas nas paredes da sala de aula para futuras consultas da turma sobre as construções coloquiais pesquisadas.

Esse tipo de estratégia é válida para levar a turma a se apropriar dos termos. "Só o uso sistemático das expressões ajuda a assimilá-las de forma satisfatória. Assim, o aluno aprende a usá-las em situações de comunicação reais, no futuro", diz Scholes. Para tanto, é preciso prever também momentos de conversa, nos quais a moçada deve inserir as expressões coloquais em seus diálogos.

Outra possiblidade é registrar cada nova descoberta do idioma em um bloquinho ou caderno e consultá-lo sempre. A criação de um dicionário online também é uma alternativa interessante. "Isso pode ser feito de modo colaborativo, por meio de plataformas como a do site Wikispaces. A ideia é a mesma da Wikipedia, mas em menor escala, ou seja, o conteúdo é escrito apenas pela turma", diz Ana Cristina Biondo Salomão, doutoranda em Linguística pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) e pesquisadora do grupo de Tecnologias nos Estudos da Linguagem (TEL) da instituição.

* Tradução dos textos dos balões: "Adivinhe", "Tanto faz" e "É brincadeira!" (acima) e "Você está me entendendo?" e "Entendi!" (abaixo)

Pesquisa com gírias de outras épocas pode ajudar na reflexão

Na última etapa, a garotada confeccionou cartazes - eles foram expostos na parede da sala para consultas posteriores. Foto: Raoni Maddalena
Na última etapa, a garotada confeccionou cartazes - eles foram expostos na parede da sala para consultas posteriores

Para aprofundar o trabalho, vale pesquisar o modo como as pessoas falavam em outras épocas. O site Cougartown, por exemplo, tem um dicionário com expressões dos anos 1960. É possível escolher termos usados no período, como boss. O ponto de partida é propor uma discussão sobre o sentido denotativo da palavra e questionar sobre o modo em que ela é usada no exemplo dado (His new car is boss). "Os estudantes devem perceber que o termo é um substantivo, mas que na frase é usado como adjetivo e significa algo muito bom, muito legal", diz Ana Cristina.

Por fim, deve-se perguntar sobre outras expressões atuais que tenham o mesmo significado, como awesome.

Em seguida, mostrar situações em que a palavra é usada, como no filme Kung Fu Panda (Jennifer Yuh Nelson, 91 min., Dreamworks), provoca reflexões sobre o seu uso. Os alunos podem fazer uma pesquisa com seus familiares para descobrir como se dizia "muito bom" em décadas passadas. Para finalizar, o recomendado é propor uma conversa sobre as mudanças que a linguagem sofre ao longo do tempo. Assim, a garotada entende que a língua está viva e é constantemente criada e recriada pelos próprios falantes.

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