Cinco perguntas sobre juros e poupança

POR:
Camila Camilo
Veja na Sala de Aula

Spread, reformas na poupança, taxa básica de juros...explique o que significam os termos que os alunos vêem no jornal  e esclareça o papel do governo nas mudanças econômicas mais recentes

Dilma

No início de maio de 2012, as notícias sobre a queda da taxa de juros e as mudanças
na poupança, tipo de investimento mais comum no país, não saíram dos jornais. Ajude a turma a entender o que mudou  e como o governo influencia na Economia. Ao compreender questões básicas desta área, fica mais fácil entender as consequências dela no nosso bolso. 

1. O que é a taxa básica de juros?
É a referência para a remuneração cobrada quando se pede um empréstimo. No Brasil, recebe o nome de Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) e é calculada por um órgão do Banco Central chamado Comitê de Política Monetária, o Copom. Na prática, é a taxa mais baixa do mercado. Como veremos na pergunta 4, os bancos costumam cobrar bem mais quando emprestam dinheiro.
O professor Roy Martelanc, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), explica que o cálculo da Selic inclui a inflação mais um valor que o governo pode alterar, a taxa real. Quando deseja incentivar o consumo, o que os economistas chamam de "aquecer a economia", o Copom baixa a taxa real e o valor da Selic diminui. Já quando o objetivo é que as pessoas guardem dinheiro em vez de gastar, a taxa real aumenta

2. Por que a presidente quer baixar a taxa básica de juros?
O objetivo do governo é estimular a economia. Quando a taxa é reduzida os bancos diminuem os investimentos nos títulos do governo e aumentam o crédito à população. Além disso, guardar dinheiro rende menos, por isso as pessoas gastam mais.
Ao adotar esta medida a expectativa é que o consumo e a quantidade de dinheiro circulando aumentem. E que a maior demanda estimule o setor produtivo e a economia como um todo. Mas esta não é uma opção completamente segura. Com muita gente comprando, os preços sobem e pode haver inflação, isto é, a diminuição do poder de compra pela alta dos preços.

3. Existe alguma relação entre a taxa básica e a inflação?
Sim. Porque a inflação é levada em conta na hora de formular a Selic e porque o aumento da taxa de juros desestimula o consumo e diminui os preços. Nosso país possui uma das maiores taxas básicas do mundo (cerca de 9% ao ano) o que tende a inibir a produção. Comparativamente, nos Estados Unidos ela fica por volta de 0,25% e na Inglaterra, 0,5%. Do ponto de vista do investidor, emprestar dinheiro ao governo brasileiro seria arriscado pelo passado político do país, que já declarou a suspensão do pagamento da dívida duas vezes, em 1982 e 1987. A taxa alta seria uma maneira de compensar quem investe pelo possível risco de perder seu dinheiro.

4. O que é spread bancário?
O spread é a diferença entre o que o banco cobra para emprestar dinheiro, como o juros do cheque especial e as taxas para empréstimos,  e a remuneração que paga para quem aplica. Na prática, os bancos emprestam por um valor maior, pagam menos e lucram com isso. Em fevereiro deste ano o valor médio do spread dos bancos brasileiros  foi de 28,4%.
Recentemente, a presidente Dilma pediu às instituições privadas que diminuíssem o spread. E providenciou esta diminuição nos dois bancos públicos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, para pressionar outros a fazerem o mesmo.
O governo quer esta diminuição porque quem toma dinheiro emprestado ou aplica, tem o banco como intermediário. E se os juros cobrados são muito altos as pessoas consomem menos.

5. O que muda com a reforma da poupança?
Com a queda na Selic, investir na poupança poderia ficar mais atraente do que comprar títulos do governo. Como a intenção é evitar que as pessoas guardem dinheiro, as regras foram alteradas. Até o dia 04 de maio os depósitos rendiam cerca de 0,5% ao mês, mais a TR (taxa referencial). Criada durante o governo Collor para remunerar a poupança, a TR é uma média ponderada das taxas negociadas no mercado. 
Agora, o rendimento será de 70% da Selic mais a TR, sempre que ela valer ao menos 8,5%. Se for superior a esta porcentagem, vale a regra anterior. Um exemplo: antes uma aplicação de R$1.000,00 renderia, ao final de um ano, R$1.064,22. Com a mudança, o valor final mudaria para R$1.061,36.

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