Como usar museus virtuais na sua aula?

Instituições nacionais e internacionais liberaram suas galerias na internet durante a pandemia. Veja sugestões de trabalhar com essa ferramenta a distância

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Ana Paula Bimbati, Duda Oliva
Ilustração: Duda Oliva

Ir ao teatro da cidade, visitar uma exposição ou conhecer um museu novo são atividades que geram muito interesse dos alunos. Com as aulas a distância, as saídas pedagógicas (conhecidas também como passeios), não são presencialmente possíveis – mas há ainda um universo de galerias a serem exploradas online.

Desde o início da pandemia, dezenas de museus brasileiros e internacionais deixaram suas galerias disponíveis na internet. Sendo assim, elas também são uma ferramenta possível de ser incluída na aula online e de forma alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Pesquisar planos de aula sobre museus para usar a distância

“A arte tem sido muito valorizada nesse período, porque quando a gente consegue se conectar com esse universo [das artes plásticas, música, dança, teatro], esse tipo de conteúdo nos dá uma nova perspectiva”, explica Milene Chiovatto, coordenadora da Ação Educativa da Pinacoteca de São Paulo.

A visita ao museu possibilita também estimular a curiosidade do aluno e a ampliação do repertório cultural, uma das competências gerais da BNCC. “A escola também é esse espaço de ampliar o acesso dos alunos a lugares como os museus. Muitos estudantes não têm acesso a esculturas”, exemplifica a professora de História Sherol Santos, da rede pública estadual do Rio Grande do Sul, e especialista do Time de Autores NOVA ESCOLA.

Sugestões de atividade com as galerias virtuais
Será que seu aluno sabe por que um objeto vira um objeto de museu? Por que não pode tocar nos itens dessas instituições? Sherol sugere que essa pode ser uma temática para a abordagem da aula, levando os alunos depois a visitarem os museus online. “A BNCC fala em reconhecer e identificar os registros e objetos de museus”, explica.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.


(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

Além disso, trabalhar com museus abre uma janela de oportunidade para trabalhos interdisciplinares. “Conhecer um museu de Ciências, por exemplo, e levar os alunos a entender porque o museu serve de salvaguarda também do patrimônio da cidade. A ciência é um patrimônio da comunidade”, diz a professora de História.

As professoras Sandra Evangelista e Adriana Francato, do Colégio Santa Maria, em São Paulo (SP), desenvolveram um projeto interdisciplinar sobre Beethoven. Elas envolveram a literatura, música e também a visita ao museu do compositor. “Contei para turma que iríamos conhecer a casa de Beethoven, a ideia era também mostrar que o museu pode ser próximo da realidade do aluno”, conta Adriana, professora de música.

Já Sandra trabalhou com os alunos do 4º ano a leitura de um livro sobre códigos, remetendo a história de Beethoven, que usava a música como código para se comunicar com o mundo. “É o tipo de projeto que colabora para que a gente forme um aluno questionador, competente e também um leitor fluente”, aponta.

Para Adriana, é importante que o professor crie esse link do museu com a aula, tenha um embasamento. Além de ter um foco para direcionar o olhar da criança durante a atividade.

A professora Sherol sugere também a impressão de imagens ou envio de livros, caso não haja acesso à internet para toda turma. “Municípios pequenos misturam as instituições (biblioteca e museu) e é interessante trabalhar a materialidade do acervo. Aqueles livros que não têm mais [novas] edições, por exemplo”, indica.

Orientações para fazer as visitas online
Para a especialista Milene Chiovatto, a primeira orientação é deixar explicado para os alunos que nenhum passeio virtual substitui o presencial. “A gente não pode criticar o uso de uma ferramenta virtual para construir conhecimento, mas precisamos entender que é uma outra experiência”.

Milene recomenda também que o professor cumpra um papel de conduzir a observação. “Não cabe ao professor colocar um significado no que será visto pelos alunos, mas sim articular para que os alunos deem seu significado”. Além disso, ela alerta para que seja evitado estímulos ou perguntas que “achatem” o significado perceptivo do estudante. "Por exemplo, na obra do caipira picando fumo, você não pode apresentar para os alunos "esse é o caipira picando fumo, o que vocês acham que ele está fazendo?", porque vai inibir o potencial perceptivo. Ao invés disso, pergunte "o que vocês acham que esse homem está fazendo?", explica. 

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A professora Sherol sugere também que o professor planeje o uso do museu se baseando no perfil da turma. “É importante também acessar a galeria virtual para prever problemas. Se algum objeto não tem dado, por exemplo, por que ele não tem? Isso pode gerar até perguntas durante a aula”, afirma. Por isso, para que o passeio virtual seja produtivo, é necessário que o docente faça uma visita antecipadamente ao acervo que será apresentado aos estudantes.

Milene propõe também que os professores usem outros recursos nas visitas virtuais, de acordo com a faixa etária dos estudantes. “Se a figura imita o cetim de uma roupa, porque não mostrar um cetim? Como é a dobradura desse tecido? Os recursos podem colaborar com o objetivo que deseja ser alcançado na aula”, indica a especialista.

Museus e galerias para conhecer o mundo sem sair de casa

CCBB
Com sedes em quatro estados, o braço cultural do Banco do Brasil, além do acervo da instituição, conta com exposições temporárias que abordam diferentes períodos históricos e vertentes artísticas. Com um público crescente nos últimos anos, as unidades vêm investindo em visitas guiadas e expografias interativas, além de um catálogo de mostras de apelo popular, como "Basquiat", "Mestres do Renascimento", "Chiharu Shiota". Atualmente, conta com um tour virtual pela sua última grande exposição "Egito: do Cotidiano a Eternidade", com audioguia, vídeos e vistas panorâmicas de maquetes e objetos.

Durante a pandemia
A instituição vem buscando formas de trabalhar acessibilidade a suas exposições por meio do aplicativo Musea (acesse aqui). Através dele é possível conferir reportagens, vídeos, fotos e textos curatoriais de várias de suas últimas mostras. Disponível para iOS e Android, o material conta também com audiodescrição e tradução em Libras.

Super dica: O CCBB tem uma comunicação bastante ativa nas redes sociais, e através do seu Instagram é possível baixar catálogos das exposições passadas. Além disso, o aplicativo Musea não só traz material relacionado ao CCBB, como pode também traz conteúdo de outras instituições culturais como o Sesc.

Como usar: Acesse o Instagram de qualquer uma das quatro unidades do CCBB e confira os destaques do Stories (eles ficam no topo da página, embaixo da foto do perfil). Ali, acesse a opção "Catálogos".

IMS
Mais voltado para fotografia e iconografia, o Instituto Moreira Salles (IMS) possui uma biblioteca imensa com fotos, aparelhos, cadernos, periódicos, negativos e materiais impressos do Brasil. No site, é possível conferir parte deste catálogo em mais de 2 milhões de arquivos, acessar vídeos de bastidores de montagem expográfica, e entrevistas com curadores. Além disso, o Instituto disponibilizou um conteúdo especial produzido para as mostras que foram interrompidas pela Covid-19: visitas gravadas, galeria das obras expostas, reportagens sobre o artista e sua obra e ensaios em texto.

Durante a pandemia
Parte da estratégia de difusão cultural e apoio a classe artística, o Instituto iniciou em março o IMSConvida (acesse aqui), programa do museu que convida artistas e coletivos a se expressarem por meio de vídeos, música, pinturas, ilustração e ensaios. Até maio, mais de 60 obras foram contempladas pelo projeto e disponibilizadas para o público.

Super dica: Além do acervo de fotografia, literatura e música, o Instituto também disponibiliza em seu site parte do conteúdo de seus periódicos Serrote (caderno de ensaios de temas plurais) e Zum (revista especializada de fotografia).

Galeria Degli Uffizi
Um dos principais museus italianos, o espaço trabalha com pinturas italianas de diferentes períodos históricos, além de materiais como esculturas e artigos têxteis. Além do acesso a artigos e textos de exposições prévias, o passeio digital pode ser feito pela plataforma Hypervision (clique aqui para acessar), em que é possível, além de caminhar pelo espaço, acessar os dados das obras expostas durante a visita. Para conferir tudo que a galeria tem a oferecer, é possível realizar a tradução da página (em italiano) pelo próprio site ou através das extensões do navegador (Chrome e Explorer).

Como usar (Google Chrome): Para traduzir qualquer página para o português, selecione a opção de tradução na barra de navegação (parte da página em que o endereço do site é digitado). Ao entrar em um site sem a língua selecionada para o sistema, esta janela aparecerá automaticamente no topo da página, basta aceitar a tradução.

Como usar (Internet Explorer): Para traduzir uma página neste navegador, vá até o endereço www.bing.com/translator . No primeiro campo de preenchimento, cole o endereço da página que você deseja traduzir (por exemplo, https://www.uffizi.it/en). No segundo campo, selecione o idioma desejado, e clique no link que irá surgir logo abaixo.

Durante a pandemia
A galeria desenvolveu uma experiência de visitação virtual na plataforma Hypervision (acesse aqui) em que é possível, além de caminhar pelo espaço, acessar os dados das obras expostas durante a visita.

Super dica: Para aprender um pouco mais sobre arte, a galeria liberou o conteúdo de sua revista digital Imagines, periódico que discute a relação entre fazeres artísticos. O acervo digital da galeria também é uma alternativa para estender a visita.

GoogleArtsAndCulture
Iniciativa que busca democratizar o acesso à Arte e integrá-la ao cotidiano das pessoas, o portal é um dos maiores endereços online para consumo de conteúdo cultural, abarcando artes plásticas, literatura, dança, teatro, cinema e mais. Em parceria com mais de 2 mil museus de todo o mundo, o GoogleArtsAndCulture possui uma produção de conteúdo vasta, galerias especiais, curadorias temáticas, ferramentas para ensino em casa, atividades e testes, material para redes sociais, e diversas outras funções atualizadas com frequência no portal. É prato cheio para quem quiser visitar não apenas museus e exposições ao redor do mundo.

A visita virtual pode ser feita neste link. Para visitar qualquer museu parceiro, basta selecionar o museu desejado na lista. Na página seguinte, você encontrará diversos caminhos para explorar a coleção escolhida, tanto através das sessões da própria instituição, pelo catálogo geral das obras ou pelo tour virtual do museu. O site também disponibiliza uma opção (em todas as páginas, no rodapé) para traduzir o conteúdo para Língua Portuguesa.

Durante a pandemia
A plataforma já disponibilizava diversos recursos antes da quarentena, contudo as ferramentas para celular ganharam bastante destaque recentemente por permitirem interações e atividades que minimizem o impacto do distanciamento social. Há conteúdos em Realidade Aumentada para experimentar esculturas e arquiteturas, filtros artísticos (confira aqui o filtro Art Selfie e aqui, o Arte Transfer) para compartilhar em redes sociais e galerias de conteúdo personalizadas de acordo com as pesquisas do usuário. 

Super dica: A plataforma investe em conteúdos multimídia que exploram obras ou temas apresentados e também buscam conectar as mensagens e ideias das peças com questões de nosso tempo ou que incitem discussões acerca de arte e cultura no mundo. O material é organizado dentro de narrativas visuais que incluem vídeos, músicas, imagens e textos para o visitante experimentar no seu próprio ritmo e prezam pela diversidade de temas e curadoria exemplar.

Pinacoteca do Estado de São Paulo
O mais antigo museu da cidade, a Pinacoteca de São Paulo traz um panorama da arte brasileira do século 19 até hoje. Além do vasto acervo fixo, o prédio – de desenho do renomado arquiteto modernista Ramos de Azevedo – abriga mostras e exposições temporárias. Na visita virtual (que pode ser guiada automaticamente ou pelo usuário), é possível conferir as obras do acervo permanente, como a Coleção de Arte Moderna, a Galeria de Esculturas e a Sala de Arte Pop. Faça uma visita virtual clicando aqui.

Durante a pandemia
Parte dos esforços de manter o contato da instituição com seus visitantes, o PinaDeCasa é uma iniciativa que traz diversos recursos para o momento atual, como jogos educativos, curadoria de obras no Instagram e a playlist "Distância", que compartilha obras de videoarte da coleção. 

Super dica: A plataforma utilizada pela Pinacoteca para visitação virtual (Iteleport), além de trazer adaptações para Realidade Aumentada, também permite conferir outras instituições culturais, como o Museu de História Natural e a Zipper Galeria.

Como usar: após acessar este link, selecione a categoria "Museus e Galerias".

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