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O que significa planejar para a compreensão?

No livro Planejamento para a Compreensão, o docente é convidado a pensar sobre o planejamento curricular de maneira intencional

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Começar o planejamento pela compreensão pressupõe inverter a ordem que ele ocorre no cotidiano escolar. Em vez de começar pelas atividades, habilidades ou conhecimentos mais específicos que o professor precisa dar conta, o planejamento tem início com compreensões essenciais.

Isso significa focar no ensino para o aluno e suas percepções e nas conexões e transferências que se espera que ele faça ao final de um curso, uma unidade ou uma aula. Considerar que compreensões são essenciais em cada campo de estudo é o que os autores de Planejamento para a Compreensão (Editora Penso), Grant Wiggins e Jay McTighe, propõem como início do processo. É fato que a escola não pode pretender ensinar todo o conhecimento humano já documentado. A complexidade do mundo em que vivemos demanda fazer escolhas curriculares. Para tal, é preciso partir das ideias conceituais ou princípios centrais de cada área do conhecimento – o que os autores chamam de “grandes ideias”.

O livro apresenta um quadro conceitual prático que ajuda o leitor a pensar sobre o planejamento curricular de maneira intencional. O processo de planejamento é descrito em três estágios: identificar resultados desejados, determinar evidências de aprendizagem aceitáveis e planejar experiências de aprendizagem de ensino. Um dos propósitos de deixar o planejamento das atividades para o fim é garantir o alinhamento construtivo entre “o que” e “como” se ensina. O primeiro estágio do modelo proposto pelos autores (resultados desejados) envolve primordialmente a definição de objetivos de transferência e o que queremos que os alunos tenham sobre as grandes ideias selecionadas. Essa compreensão se revela quando eles transferem sua aprendizagem para novos contextos, por conta própria, mostrando que as grandes ideias fazem sentido para si mesmos.

Por se tratar de uma abstração mental, compreensões não são ditas, não são afirmações dadas para memorização pelos alunos. Ao contrário, compreensões precisam ser conquistadas, construídas de maneira ativa e significativa pelos estudantes. Para ajudá-los a chegar a elas, os autores recomendam a criação de perguntas essenciais que instiguem a investigação e a análise com base em diferentes pontos de vista.

O segundo estágio implica refletir sobre os tipos de evidências de aprendizagem válidas por meio das quais o professor conseguirá enxergar a capacidade dos alunos para explicar ou interpretar sua aprendizagem, mostrar seu trabalho e justificar ou confirmar seu desempenho com comentários. Os autores sugerem muitas ideias para ajudar a pensar de que maneira fazer isso, assim como para evidenciar a capacidade de transferência da compreensão para novas e variadas situações que sejam aplicáveis à realidade.

Finalmente, no terceiro e último estágio do planejamento, as experiências de aprendizagem e ensino derivadas dos resultados desejados e das avaliações para aprendizagem (previstos nos dois estágios anteriores) devem apoiar os alunos tanto na aquisição de conhecimentos e habilidades específicos, como na construção de sentidos e na transferência.

Ensinar para a compreensão pressupõe oferecer aos estudantes inúmeras oportunidades para que façam inferências e generalizações por si próprios. De maneira prática, os autores sugerem elementos-chave a serem considerados pelo professor planejador nessa etapa.

Criar um planejamento para a compreensão implica entender profundamente sua estrutura e sua lógica. Pressupõe também desconstruir uma já enraizada forma de planejar e a formação de uma nova mentalidade. É interessante lançar mão dos exemplos de planejamento da obra tal como dos alertas sobre possíveis concepções equivocadas e da recomendação de que uma comunidade de prática e de planejamento pode ser um caminho para que os professores colaborem uns com os outros, compartilhando planos e planejamentos voltados para a compreensão.

* Este livro faz parte da Coleção Biblioteca Essencial do Professor