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Radioatividade: como trabalhar o assunto em sala de aula

Ajude a turma a entender a questão da energia nuclear e o acidente na usina de Fukushima, no Japão

por:
KS
Kika Salvi
Foto: Reprodução

À primeira vista, parece um assunto distante e complicado de ensinar. Mas, como tem sido muito comentado desde o acidente com vazamento de material radioativo em Fukushima, no Japão, vale levar o tema radioatividade para a sala de aula mesmo nos primeiros anos do Ensino Fundamental. Fúrio Damiani, docente de física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica por que é importante aproximar o conteúdo do cotidiano dos alunos. "Eles precisam entender o impacto daquilo em sua vida e é possível mostrar que esse fenômeno não está tão afastado de nós." 

Para isso, durante as aulas, baseie-se numa definição simples: radioatividade é a capacidade que muitas substâncias (ou elementos químicos) têm de emitir radiação. E radiação, por sua vez, é aquilo que "sai em raios", como os do Sol, que emite energia. Explique também que desde a descoberta de que existem materiais radioativos na natureza (leia a linha do tempo na página seguinte), foram encontrados diversos deles, como urânio, plutônio, iodo, césio, cobalto, netúnio e carbono. 

A radiação pode ser natural - emitida por elementos como madeira, plantas e metais - ou artificial. Esta, copiada pelo homem em laboratório, buscando liberar energia a ser utilizada em campos diversos. Veja alguns exemplos. 

- Medicina Nessa área, a radioatividade é usada desde o século 19, quando foi descoberto o raio X, importantíssimo para o diagnóstico e o tratamento de doenças e fraturas. A capacidade dos raios X de atravessar o corpo e imprimir suas estruturas internas num filme fotográfico deu origem à radiologia. Posteriormente, ao perceber o poder da radiação de penetrar matérias e, assim, destruir células, o homem aprendeu a usá-la para atacar as que estavam doentes, como as do câncer. Assim, nasceu a radioterapia. 

- Datação de rochas Presente em tecidos orgânicos mortos, o carbono 14 possibilita que se determine a idade de um fóssil. Isso porque constatou-se que madeira e ossos, por exemplo, vão perdendo, com o passar dos anos, quantidades desse elemento radioativo. 

- Produção de eletricidade ou de bombas Elementos como o urânio e o plutônio são usados como combustível em reatores nucleares, que geram energia elétrica por meio da fissão nuclear. Para a construção de bombas, os elementos usados são os mesmos, porém o enriquecimento deles deve ser bem maior. 

Esclarecidos os diferentes usos da radiação, foque a aula o uso da energia atômica para a produção de energia elétrica, como em Fukushima (leia o projeto didático). "Para ensinar esse tipo de conteúdo, em que não se pode fazer demonstração em laboratório, uma boa saída é investir em ilustrações e vídeos", afirma Damiani. Os alunos devem entender que as usinas termonucleares são uma saída importante em locais onde não existem rios e, portanto, não há a possibilidade de construir hidrelétricas. São também escolhidas como alternativa às termoelétricas, que funcionam de forma semelhante, mas com o bagaço de cana e carvão mineral, por exemplo, como combustível. Esclareça, durante as discussões, que a viabilidade das usinas termonucleares está sendo reavaliada por especialistas nesse momento devido aos problemas de segurança verificados no Japão.

O erro mais comum
Apresentar o assunto à turma dando ênfase aos perigos da energia nuclear. Os estudantes devem conhecer o assunto em todos seus aspectos.

Da descoberta da radioatividade ao acidente de Fukushima 

Os materiais radioativos possibilitam a produção de energia e avanços na medicina. Porém seu uso em bombas e os acidentes em usinas são prejudiciais ao homem

Foto: Reprodução

1896
Material radioativo

O francês Henri Becquerel (1852-1908) descobre a radioatividade do urânio. Próximas ao material, placas fotográficas ficam com imagens impressas sem serem expostas à luz.

 

Foto: Reprodução

1942
A primeira bomba

O físico italiano Enrico Fermi (1901-1954), a serviço dos Estados Unidos, produz a primeira reação atômica em cadeia, condição essencial para a produção da bomba atômica.

 

Foto: Reprodução

1951 
Nova alternativa

Têm início as atividades de funcionamento da primeira usina nuclear para a geração de energia elétrica no estado de Idaho, nos Estados Unidos.

 

Foto: Reprodução

1972
O corpo por dentro
 
É construída a primeira máquina de tomografia pelo britânico Godfrey Hounsfield (1919-2004). Sua contribuição à medicina rendeu o prêmio Nobel de Fisiologia em 1979.

 

Foto: Ricardo Chaves

1982
As usinas brasileiras

A primeira usina nuclear brasileira, Angra I, começa a operar. Junto com a usina de Angra II, ela é responsável por produzir 3% da energia elétrica consumida no país.

 

Foto: Sergei Supinsky/AFP

1986
Energia perigosa

Ocorre o pior acidente de lixo radioativo da história em Chernobyl, na ex-União Soviética. Um incêndio e o vazamento de radiação na usina causaram milhares de mortes.

 

Foto: Sankei/Getty Images

2011
Alerta no Japão

Após um terremoto seguido de tsunami, ocorre um vazamento de material radioativo da usina de Fukushima, no Japão. O acidente é classificado com a nota 7, a máxima.

 

Fontes: Larousse Universal, Furio Damiani e Cristian Annunciato

Reportagem sugerida por Aline Nobre, de São Bernardo do Campo, SP

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