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"A ideia de que só se aprende inglês em escolas de idioma deve ser superada", diz especialista

Laura Nassar fala sobre pontos importantes da BNCC que podem contribuir para a melhoria das experiências com a língua inglesa nas escolas brasileiras

Autor: Rita Trevisan

Laura Meloni Nassar, formada em Letras, com dupla habilitação de Inglês/Português, Mestre em literaturas e crítica literária de língua inglesa e selecionadora de língua estrangeira do Prêmio Educador Nota 10.

 

Um pequeno recorte de dados compilados em estudo publicado pelo British Council em 2015, sobre o ensino de inglês na escolaridade pública brasileira, acerta em cheio nos desafios que vêm sendo enfrentados diariamente nas salas de aula de língua inglesa. Os 1.269 professores de escolas públicas entrevistados elencaram como as suas três principais dificuldades o acesso a recursos didáticos, seguida da desvalorização e distanciamento da área e das dificuldades de planejamento. Encaremos a verdade: esses dados não anunciam nenhuma novidade, mas extraem do senso comum as insatisfações e críticas daqueles que entram na sala de aula diariamente.

Diante esse cenário, nos perguntamos como a BNCC pode contribuir para a melhoria das experiências em classe e na qualidade das aprendizagens da língua inglesa nas escolas brasileiras. Não pretendemos esgotar o assunto, mas levantaremos alguns pontos que exigirão de todos nós profundas reflexões:

 

A homologação da BNCC é parte de uma política pública nacional. O documento adquire papel político importante à medida que define caminhos para a revisão e reformulação curricular das áreas de conhecimento em âmbito nacional.

O documento homologado se ateve à terceira versão, sendo, portanto, o produto de um processo que envolveu debate e gerou polêmicas. É fato, no entanto, que é essa terceira versão que guiará não só as revisões curriculares, como também as políticas de formação de professores.

A BNCC traz como novidade a definição do inglês como componente obrigatório. Para algumas comunidades e regiões, a obrigatoriedade fará emergir impasses, considerando-se a diversidade de contextos socioculturais brasileiros.

A desigualdade socioeconômica é, ainda, um fator importante para a falta de sentido da disciplina nas salas de aula.  

Ligada à ideia de inglês como língua franca, está a noção de multiletramento e da língua enquanto prática social em contextos digitais, o que amplia as possibilidades de planejamento. No entanto, as condições de trabalho, notadamente o acesso à internet e a equipamentos tecnológicos, precisam ser garantidos.  

A proposição de que a língua se aprende em uso e que seu ensino deva compreender práticas relacionadas à oralidade, leitura, escrita e às dimensões linguísticas e culturais são da maior importância. Porém, são necessárias ações no campo da formação para que os pressupostos metodológicos se convertam em caminhos efetivos e coerentes com os contextos reais. A Base reafirma concepções fundamentais, mas não oferta saídas concretas.     

Concluindo, em continuidade às reflexões trazidas pelos PCNs, encontramos na Base a ênfase do caráter formativo em que se inscreve o processo de aprendizagem do inglês, já que o compreende pela perspectiva de uma educação metalinguística, que faz o sujeito se deparar com outras formas de dizer e pensar o mundo, ao mesmo tempo que o faz retornar para sua própria língua, processo este que se dá de maneira autoral e criativa. É preciso que acreditemos nessa ideia, para que possamos fazer nosso aluno querer pensar sobre o mundo e aceitar o desafio de buscar na nova língua maneiras de dizer o que pensa, usando os recursos que tem, ao mesmo tempo em que busca novos.