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Hóquei no pátio: faça a atividade reciclando materiais

Conheça uma sequência didática baseada na prática do esporte que trabalha habilidades, valores e atitudes presentes na BNCC, com grande engajamento dos alunos em todas as etapas do processo

Autor: Rita Trevisan

Conversar com os alunos antes de fechar o planejamento do ano é algo que o professor Eduardo Manzano Sorroche sempre faz. Neste ano não foi diferente. Com a turma de quinto ano da EMEF Dom Walter Bini, do município de Lins, em São Paulo, Sorroche fez um diagnóstico sobre as práticas corporais que os alunos realizavam na escola e fora dela, com o objetivo de verificar com quais atividades eles tinham mais contato.

Isso serviu para que ele pudesse propor conteúdos com base em atividades pouco vivenciadas, mas capaz de despertar o interesse dos alunos. “As crianças deram várias sugestões de atividade: dança, parkour, esporte com taco, skate, peteca, entre outros. Optei por iniciar pelos esportes com taco porque estávamos no mês de realização dos jogos olímpicos e paralímpicos de inverno, que oportunizava o trabalho com o hóquei em um contexto em que poderia ser tematizado”, diz o professor.

A sequência didática foi desenvolvida ao longo de três meses. “Durante todo o processo, alguns objetivos foram priorizados, como aprender sobre esportes não convencionais, criar estratégias individuais e coletivas básicas para sua execução, prezar pelo trabalho coletivo e pelo protagonismo e, ainda, possibilitar a inclusão de alunos com necessidades especiais, com a construção de valores e respeito às diferenças e no combate aos preconceitos de qualquer natureza”, afirma.

O projeto foi desenvolvido em seis etapas:

 

pesquisa

Na primeira, foram realizadas aulas com uso do multimídia para aprofundar o conhecimento a respeito dos jogos olímpicos e paralímpicos de inverno. Foram transmitidos vídeos e imagens, seguidos de discussões com a turma. Na sala de informática, os alunos foram estimulados a pesquisar mais sobre as perguntas que surgiram:

  • Por que o Brasil não valoriza esses esportes? Por que os jogos não foram televisionados?
  • Como os atletas brasileiros que foram para os jogos treinaram, se no Brasil não tem gelo?
  • Como ocorre o processo de superação dos atletas paraolímpicos?

Também houve levantamento de informação sobre os equipamentos usados, a forma de pontuação e como são feitas as pistas de gelo. Além do hóquei sobre o gelo, os alunos conheceram o hóquei na grama e analisaram as semelhanças e as diferenças entre as práticas.

 

preparação dos materiais

Os alunos expuseram os trabalhos no pátio da escola para que todos pudessem ler. Após a apresentação dos trabalhos, o professor sugeriu a vivência do hóquei usando materiais adaptados, que não oferecessem risco. A decisão foi de usar canos de PVC, com uma curva na ponta para facilitar a condução da bola. 

PRÁTICANDO HABILIDADES

Para iniciar a experimentação, foram desenvolvidas atividades e brincadeiras de familiarização com o taco no próprio pátio da escola, de maneira individual, em duplas e em grupos. Foram estimuladas habilidades como rebater, conduzir, passar e dominar. Ao final, houve uma roda de conversa a respeito do que os alunos sentiram na vivência, do que gostaram e não gostaram, e sobre o que poderia ser melhorado.

hora de jogar!

Depois do primeiro contato com o esporte, houve minijogos de hóquei. O professor explicou os comandos essenciais e deixou que os alunos indicassem o número de jogadores em cada equipe, as regras, o momento de término do jogo e reforçou que todos os alunos poderiam participar. Uma aluna cadeirante adaptou seus materiais, usou dois tacos e teve auxílio do professor para não ficar de fora. Os alunos com síndrome de down e deficiência intelectual tiveram estímulos verbais.

vivenciando o diferente

Para falar sobre o hóquei paraolímpico, a dinâmica passou a ser diferente: para jogar, as crianças não podiam levantar das cadeiras, que foram colocadas no local, era preciso deslizar com os pés. Houve uma conversa sobre as sensações das crianças e os desafios enfrentados. “Uma aluna disse ter sentido na pele como é estar em uma cadeira de rodas, citando um dos aspectos que eu tinha a intenção de trabalhar com eles”, lembra o professor.

concluindo

A cada etapa, foram realizadas rodas de conversa, observações, registros fotográficos e de vídeos. Um registro escrito sobre as experiências foi utilizado como forma de acompanhamento e evolução da turma em relação às habilidades propostas.

   


 

Habilidades da Base contempladas na sequência

(EF89EF01)
Experimentar diferentes papéis (jogador, árbitro e técnico) e fruir os esportes de rede/parede, campo e taco, invasão e combate, valorizando o trabalho coletivo e o protagonismo.

(EF89EF02)
Praticar um ou mais esportes de rede/parede, campo e taco, invasão e combate oferecidos pela escola, usando habilidades técnico-táticas básicas.

(EF89EF03)
Formular e utilizar estratégias para solucionar os desafios técnicos e táticos, tanto nos esportes de campo e taco, rede/parede, invasão e combate como nas modalidades esportivas escolhidas para praticar de forma específica.

(EF89EF05)
Identificar as transformações históricas do fenômeno esportivo e discutir alguns de seus problemas (doping, corrupção, violência etc.) e a forma como as mídias os apresentam.