Ir ao conteúdo principal Ir ao menu Principal Ir ao menu de Guias

Faltam para:   

Sala de Aula | Arte | 8º e 9º ano | Sala de aula


Por: Paula Peres, NOVA ESCOLA e Maggi Krause

Um rio refletido pela lente do celular

A teoria aliada à tecnologia portátil inicia a moçada na prática da fotografia

NOVA ESCOLA. 

Antes de sair pela cidade, o professor conduziu com os alunos uma reflexão sobre problemas ambientais da cidade de São João da Ponta, como a extração de caranguejo fora de época, as queimadas para a agricultura e a presença de lixo no mangue e no rio. O docente passou o vídeo A Carta do Ano de 2070, sobre um futuro sem sustentabilidade. "É interessante notar que o educador aborda temáticas transversais do currículo - a ecologia, a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente - e trabalha com a fotografia", aponta Umbelina Barreto, professora do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

Em seguida, Tavares da Silva pediu que a turma pensasse na cidade e registrasse lugares que gostaria de ver preservados. A garotada foi dividida em grupos de cinco e saiu a campo. "Curiosamente, sem que eu tivesse falado nada, todos escolheram retratar o Rio Mocajuba e seu entorno", conta o educador. Cada estudante deveria fazer pelo menos uma imagem. Quem não tivesse celular poderia usar o do colega. Adriano Cordovil Duarte, 15 anos, fotografou um ninho de pássaros na beira da água. "O rio é um local que gostaria de ver preservado e achei que a imagem mostrava essa vida.

Os segredos escondidos na paisagem foram o foco do registro que fernando produziu
Crédito: Janduari Simões e Arquivo pessoal/José Luiz Tavares da Silva

Prática e análise da produção 
Diferentes olhares surgiram: alguns registraram a relação da comunidade com o local, outros regiões com poluição ou a natureza ao redor. O professor acompanhou algumas saídas a campo. "Percebi que, quando estavam sozinhos, os grupos ficavam presos em registrar o momento. Ao acompanhá-los, houve mais intervenções e uma preocupação maior com a produção", lembra. De acordo com Souza e Silva, o professor deve tomar cuidado para não impor padrões. "Os estudantes precisam ser livres para experimentar e a presença do docente é interessante para expandir as possibilidades, mas não pode delimitá-las", defende ele. 

Depois de receber as fotografias dos alunos, Tavares da Silva usou o próprio notebook, levado à sala de aula, para mostrar à turma o que foi produzido. O professor provocava o debate com perguntas: "Qual foi sua intenção com esse registro? Que mensagem você gostaria de passar?". Em grupo, os alunos observarm se, de fato, os objetivos do autor foram alcançados e compartilharam o que sentiram. Alex Nascimento Almeida, 16 anos, conta que registrou crianças pulando no rio. "A luz estava boa, a posição das pessoas também e peguei o salto no ar. A foto ficou espontânea, pois elas estavam se divertindo e isso é transmitido pelo movimento." O colega Fernando Rodrigues Silva, 15 anos, teve o cuidado de preparar uma cena com personagens. "Quis mostrar com a foto que há na paisagem coisas que a gente não vê." 

Estudantes e professor analisaram enquadramento, intensidade da luz e foco. "Pedi que apontassem o foco da imagem e o que ele representava para o conjunto. Conversamos sobre fotografias em que o branco estava 'estourado' - termo utilizado para dizer que uma área clara emite tanta luz que atrapalha a visão de outras formas - e nos questionamos como aqueles registros poderiam ser melhorados", explica. 

O processo de sair a campo para fazer os registros, voltar para a sala de aula e debater sobre o que foi produzido levou cerca de 15 dias. Nesse período, os jovens tiveram a oportunidade de refazer os registros, caso quisessem. Para finalizar o trabalho, Tavares da Silva organizou uma mostra. Cada grupo foi convidado a escolher apenas uma foto, o que levou a sala a uma discussão para chegar a um consenso. "A escolha de uma imagem tem sempre uma relação subjetiva. É importante definir os parâmetros de classificação para essa tomada de decisão. Isso pode ser trabalhado com o próprio grupo", diz Umbelina. 

Entusiasmado com os resultados do trabalho, o professor resolveu continuar explorando as possibilidades das câmeras de celulares da turma, estimulando a produção de curtas-metragens. Já que a fotografia é a base do cinema, não foi difícil ampliar as informações sobre enquadramento e luminosidade e aplicá-las às imagens em movimento. Dessa vez, os grupos foram em busca de lendas típicas contadas pelos mais velhos da comunidade, depois escreveram roteiros e saíram a campo para gravar, utilizando com propriedade e desenvoltura os recursos do celular.

O ninho de pássaros chamou a atençao de Adriano, que retratou a riqueza do ambiente
Crédito: Janduari Simões e Arquivo pessoal/José Luiz Tavares da Silva

Resumo

1 Conhecer a fotografia Converse com a turma sobre as diferentes funções desse tipo de registro e os aspectos técnicos que envolvem a produção de fotos. Fale também sobre as câmeras, enfatizando o uso de celulares. 

2 Refletir sobre problemas Proponha uma discussão sobre temas relevantes à cidade em que vivem e o papel da fotografia no registro dessas questões. 

3 Sair a campo e produzir Divida a turma em grupos e convide todos a retratar com o celular lugares que gostariam de ver preservados. Acompanhe os alunos nessa tarefa. 

4 Analisar as fotografias Peça que os grupos apresentem seus registros e avalie com a moçada a intenção de cada foto, as questões técnicas e a mensagem que ela passa. Se quiser, organize uma mostra.