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Jornalismo

Observação da paisagem e sua relação com as atividades humanas

Porprofessor

02/09/2017

Objetivo(s) 

  • Resgatar quais são as concepções de paisagem dos alunos;
  • Discutir o que são representações;
  • Exercitar as diversas possibilidades de observação e representação da paisagem;
  • Discutir o que é uma paisagem bonita, uma paisagem degradada.

Conteúdo(s) 

  • Conceitos de paisagem
  • Conceito de representação
  • A degradação da paisagem

Ano(s) 

6º, 7º, 8º, 9º

Tempo estimado 

1 aulas.

Material necessário 

  • Mapas, imagens de satélite, fotografias aéreas da paisagem em representação na atividade;
  • Fotos, pinturas, aquarelas, blocodiagramas e outras representações da paisagem em representação na atividade;
  • Papel grande (A3 ou maior) para construção do mapa mental; lápis; lápis colorido; borracha; régua.

Desenvolvimento 

1ª etapa 

Introdução 
O que é a paisagem? A primeira idéia que nos vem à cabeça é que a paisagem é aquilo que enxergamos. Mas, será que enxergamos tudo que está na paisagem? O exercício de observação da paisagem é necessário para que possamos "enxergar" as diversas características de uma paisagem, pensar quais são as relações existentes entre os componentes de uma paisagem, discutir a função desses componentes, etc. Há diversas formas de apreensão e de representação de uma paisagem. Podemos observá-la:

1. De frente: apreensão frontal, horizontal, que normalmente é aquela dos quadros que retratam alguma paisagem.

2. Forma panorâmica: apreensão oblíqua, como por exemplo, pode ser a visão de um observador localizado num nível mais alto àquele da paisagem observada.

3. Vôo de pássaro: apreensão por meio de uma visão vertical, que será a paisagem observada de um avião.

4. Cinética ou cinemática: apreensão da paisagem em movimento, vista da janela de um carro em movimento ou outro meio de transporte que apresente de forma cinemática aquela paisagem.

Tais apreensões da paisagem podem ser representadas em diversas formas. Existem múltiplas formas de representação. Essas são as mediações existentes entre um observador e o objeto observado que chegam até nós. Portanto a paisagem pode ser apreendida diretamente, por meio do olhar do observador, e também por meio de diversas representações. Nós podemos ser observadores da paisagem diretamente ou ser observadores de uma representação da paisagem. São vários os exemplos de representações:

- De Frente: uma aquarela, pintura ou fotografia (visão frontal, horizontal);
- Panorâmica: um bloco diagrama, uma fotografia panorâmica (visão oblíqua);
- Vôo de pássaro: uma fotografia aérea, uma imagem de satélite, um mapa (visão vertical);
- Cinemática: um filme que traga uma paisagem em movimento.

Na primeira aula sugerimos que o professor oriente uma tarefa que é uma representação feita pelo aluno de uma determinada paisagem - que deve ser uma paisagem de conhecimento comum dos alunos - por meio de um mapa mental. Um mapa mental é a representação de lugares conhecidos, direta ou indiretamente, fazendo uso, por exemplo, da memória. Talvez seja adequado ele representar a paisagem do bairro de sua escola, que não necessariamente é o que ele mora. Deve-se destacar que essa representação, mesmo sendo produto da memória, é uma representação da visão vertical (mapa). O mapa mental revelará como a paisagem representada é compreendida e vivida pelo aluno. Do ponto de vista da cartografia, a elaboração de um mapa mental servirá para exercitar as seguintes noções: proporcionalidade entre os objetos representados, isto nos remete a uma noção de escala; orientação e direção nos objetos representados; referência; seleção, quando os alunos selecionam e elegem pontos mais significativos para representar no papel. O mapa mental permitirá observar se o aluno tem a percepção efetiva da paisagem e condições de transpor essa informação para o papel. Este exercício possibilitará uma dupla verificação: quais são os elementos representados da paisagem, indicando o que o aluno enxerga e o que considera mais importante e a capacidade de "mapeador" do aluno.

2ª etapa 

Nesta aula os mapas elaborados pelos alunos serão trocados entre a turma, para que seja fomentada a seguinte discussão:

- O que é paisagem? O que é uma paisagem bonita? Quais são os elementos mais significativos da paisagem representada? Por que para os alunos os elementos mais importantes daquela paisagem diferem? (já que para uma mesma paisagem haverá seleções de objetos a serem representados que podem ser bastante diversos).

- Quais são os elementos que indicariam a degradação daquela paisagem? É uma paisagem que possui algum grau de degradação ou não está degradada? Discutir o que é degradação de uma paisagem. (É interessante verificar que alguns elementos que podem ser bastante degradadores de uma paisagem urbana, por exemplo, não estarão no contexto de uma apreensão visual e representação num mapa mental, como ruídos muito intensos - trânsito, atividade de pedreiras - ou odores desagradáveis - poluição dos automóveis, ou de atividades industriais (indústrias químicas, farmacêuticas, por exemplo) etc.

Após esta discussão, os alunos vão trabalhar com outras representações daquela paisagem. O que houver de disponível, já produzido (visões frontais, oblíquas, verticais e cinemáticas). Caso existam mapas topográficos e imagens de satélite ou fotografias aéreas da paisagem em discussão, é um momento propício para discutir a questão da escala integral da imagem de satélite e da foto aérea com relação ao mapa: na foto aérea ou imagem de satélite os objetos aparecem proporcionais à sua dimensionalidade no terreno - objetos maiores aparecem e objetos muito pequenos tendem a não aparecer -, já no mapa haverá o processo de seleção e generalização. Se quisermos destacar algo, vamos representá-lo de forma visível, mesmo que numa foto ele não apareça. Aliás, esse foi o processo utilizado pelos alunos na construção do mapa mental, o que pode ter sido feito de forma intuitiva. É o construtor do mapa que escolhe os objetos que vão ser representados no mapa enquanto que numa foto área escolhe-se o foco, mas não se pode definir o que vai aparecer numa foto aérea por exemplo.

Tudo isso se constitui num gancho interessante para se discutir uma questão que pode ser lançada na classe nesse momento: a representação é cópia fiel da realidade? Ou toda a representação passa pelo olhar de um observador, que pode ser o fotógrafo, o pintor, o cartógrafo, etc.? Isso não quer dizer que a realidade do representador de uma paisagem é uma construção dele em alguma medida?

3ª etapa 

Os alunos vão discutir e sistematizar os elementos degradados e/ou degradadores na paisagem representada no seu mapa mental. Isto é eles vão voltar a observar e pensar somente sob o foco desses elementos de degradação. E quais são os elementos de degradação de uma paisagem? A seguir apresentamos duas tabelas de espaços diferentes: espaço urbano e espaço rural. Nessas constam exemplos de elementos degradados das paisagens. Nas urbanas existe uma contribuição maior do homem na constituição dos objetos que formam aquela paisagem; e nas naturais ou rurais, há um grau menor de ação humana em comparação com aquele verificado no urbano. Abaixo são listados alguns exemplos de elementos degradados ou que podem ser degradadores da paisagem. Os alunos devem estruturar uma tabela com os elementos elencados por eles mesmos:

 











Urbano

1. Concentração de moradias precárias;

2. Fiação e infra-estruturas visíveis em estado caótico;

3. Pichações, cartazes, propagandas distribuídas sem controle e sem critérios;

4. Estado de limpeza das ruas; se há locais de concentração de lixo;

5. Situação estética da fachada dos prédios;

6. Ausência de arborização, de parques.

7. Desmatamento de encostas;

8. Rios degradados e poluídos

9. Outros elementos


A sugestão é que o professor e os alunos identifiquem mais elementos que podem servir de referência para a apreensão da paisagem urbana sob esse ponto de vista. A seguir a tabela do espaço rural:
 













Rural/natural

Poluição e assoreamento dos corpos d água;

Presença de erosão;

Presença de pouca diversidade na paisagem, por exemplo, grandes canaviais ou grandes pastagens;

Presença de florestas degradadas (com árvores morrendo, que perderam as folhas, as copas, cobertas de cipós), queimadas, etc.;

Ausência de fauna;

Presença excessiva de espécies invasoras, sejam vegetais ou animais;

Habitações e equipamentos (currais, silos, etc.) deteriorados;

Infra-estrutura mal conservada (estradas, redes de transmissão diversas, etc.)

Outros elementos


Que tal agora, de posse desses elementos e da revisão da observação sob esse ponto de vista se propor uma nova representação da paisagem que foi objeto do mapa mental? A seguir uma comparação será bem-vinda. O que vai se notar? Que a paisagem espontânea do mapa mental original foi produzida por uma seleção livre de elementos por parte do estudante e que a paisagem da degradação (ou degradação da paisagem) é uma representação cuja seleção dos elementos foi orientada. Isso não demonstra o quanto a apreensão da paisagem pode variar?

Avaliação 

No decorrer dessas três aulas será bem interessante o professor estimular o trabalho de observação e representação dos seus alunos. As diversas representações de uma paisagem e as características de cada tipo de representação em si já são um aprendizado agregador de conhecimento para o aluno. Ele trabalhará com outras formas de linguagem, baseadas no mundo das imagens, que além de ser uma forma de apreensão de conhecimentos poderá vir a ser uma forma de expressão de conhecimentos, como verificado na atividade de elaboração do mapa mental. A avaliação pode se dar, portanto, com base na participação nas atividades propostas e também com base nos produtos encomendados.   Quer saber mais? BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, Rosângela Doin; SANCHEZ, Miguel César & PICCARELLI, Adriano. Atividades Cartográficas. São Paulo, Atual, 4 vols., 1997. ALMEIDA, Rosângela Doin; LE SANN, Janine Gisele e SAUSEN, Tânia Maria. Cartografia na escola. In: http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2003/ce/index.htm NOGUEIRA, Amélia Regina Batista. Mapa mental: recurso didático para o estudo do lugar. In: PONTUSCHKA, Nídia Nacib. Geografia em Perspectiva. São Paulo: Contexto, 2002. p. 125-131. SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Cartografia no ensino fundamental e médio. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri (Org.) A Geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999. p. 92-108. INTERNET http://www.inpe.br/  Imagens de satélite do Brasil disponíveis. Catálogo com imagens antigas do satélite LANDSAT, que podem ser utilizadas para observação das modificações e evolução das paisagens do país. http://www.cnpm.embrapa.br/  Site que disponibiliza imagens de satélite de todo o Brasil além de diversos projetos que resultam em mapeamentos com base em imagens de satélite, como por exemplo, sobre as Queimadas, o Relevo e a Vegetação do Brasil. http://earth.google.com/intl/pt/  O Google Earth coloca à disposição dos usuários os sofisticados recursos de pesquisa do Google com imagens de satélite, mapas, terrenos e edificações de todo o mundo em 3D. http://www.ibge.gov.br/home/  Diversos mapas de base e temáticos do Brasil disponíveis para download.     

Créditos: Jaime Tadeu Oliva Formação: Geógrafo, autor de livros didáticos e professor do Unifieo de Osasco.

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