É preciso falar de sexo

POR:
Chistian Parente, Laura Muller
Foto: Chistian Parente

Laura Muller (lauramuller@terra.com.br) é jornalista e educadora sexual pós-graduada pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash). Dá aulas em todo o Brasil para adolescentes, professores e pais e é docente dos cursos de pós-graduação em Educação e Terapia Sexual da Sbrash. Autora do livro 500 Perguntas sobre Sexo (Ed. Objetiva), escreve colunas na revista Capricho e no portal Terra.

Desde que se tornou uma sugestão dos Parâmetros Curriculares Nacionais, a inclusão do tema Educação Sexual de forma transversal nas disciplinas escolares tem atormentado o cotidiano de muitos professores e coordenadores de ensino. Afinal, qual é a fórmula para falar sobre sexualidade numa aula de Matemática? Ou dar detalhes sobre gravidez precoce e prevenção de doenças no meio de conteúdos de História ou Geografia? Até em Ciências há limitações. É possível discorrer sobre a resposta sexual humana e seus mecanismos de prazer (desejo, excitação, orgasmo e resolução) nessa aula?

A primeira coisa a fazer é perguntar: houve treinamento para isso? Noventa e nove por cento dos nossos professores não tiveram aulas sobre a matéria. Não é nada fácil entender de sexualidade. Muito menos transmitir os conhecimentos a crianças e adolescentes, ávidos por respostas claras, didáticas e interessantes.

Como resolver o impasse? Há a opção, mais confortável talvez, de deixar esse tipo de ensino a cargo de um especialista, ou seja, de um educador sexual. Porém é importante saber que esse profissional não age só. O trabalho surte efeito mais positivo quando encontra parceria dos outros professores.

Para você se tornar apto a vestir essa camisa, uma sugestao é buscar conteúdo em livros e outras publicações. Outro passo é participar de palestras, oficinas e cursos. Essas ações exigem tempo, motivação e dinheiro. Bem sabemos que nem sempre isso está à disposição. Mas será que não vale a pena batalhar por essa capacitação?

Uma educação sexual adequada reduz os índices de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e gravidez na adolescência, como comprova pesquisa da Unesco realizada em 420 escolas de Ensino Fundamental e Médio de 14 cidades brasileiras. E mais: informar-se sobre sexo seguro e práticas sexuais é um dos primeiros passos para garantir também uma vida mais prazerosa.

É um mito acreditar que, ao falar sobre sexo, estamos estimulando o aluno a iniciar-se na prática. Pesquisas comprovam que o jovem que recebe educação sexual na escola costuma adiar sua primeira vez ou, pelo menos, fazê-la de forma mais consciente e responsável (leia-se com o uso de preservativo e de métodos contraceptivos).

Nesse processo ganham você, os alunos, a escola, as gerações futuras. Tenha uma certeza: é urgente fazer alguma coisa pela sexualidade humana. E participar desse processo de educação é extremamente recompensador.

"Pesquisas comprovam: o jovem que recebe educação sexual costuma ser mais responsável"

 
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