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Analfabeto, mas conectado

POR:
NOVA ESCOLA

Foto: Free Images

“Analfabetos de hoje têm mais acesso ao mundo do que tinham os do século anterior… E o universo digital está subaproveitado, principalmente quando o assunto é Educação”, conta a jornalista Maggi Krause, consultora da Associação Nova Escola. Essas foram algumas das impressões que ela teve ao sair do evento organizado pelo movimento Todos Pela Educação em que Ana Lucia Lima, diretora do Instituto Paulo Montenegro e Roberto Catelli, coordenador da Ação Educativa, apresentaram. No prédio da avenida Paulista, eles discutiram sobre o estudo Alfabetismo no contexto digital, feito com base dos dados do Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional).

Maggi destacou as principais análises para o nosso blog:

“A primeira delas: O acesso à internet está democratizado na população jovem, atingindo 90% das pessoas de 15 a 24 anos. E pasme, ela é utilizada por 69% dos analfabetos funcionais nessa faixa etária e por 93% dos que possuem apenas conhecimentos elementares (os que conseguem selecionar informações em textos de extensão média e resolver problemas de matemática envolvendo operações básicas). O universo digital, com uma oferta volumosa de equipamentos cada vez mais acessíveis e fáceis de usar – a pesquisa cita computador, notebook, tablet, smartphone, e-book, videogame, GPS – e farto em ferramentas que permitem acessar e-mails, mensagens, redes sociais, redes de mídia, sites de serviços, blogs… se abre até para quem não consegue ler um livro inteiro ou entender uma notícia de jornal!

A segunda constatação é a de que o uso qualificado continua privilégio da parcela mais alfabetizada. Quem possui índice de letramento intermediário ou proficiente costuma se comunicar com mais frequência por e-mail, acessar sites de busca, produtos e serviços e redes de mídia (como YouTube e Instagram). O que salta aos olhos? O uso das redes sociais não é muito diferente entre quem tem alfabetismo rudimentar (74%), elementar (89%),  intermediário (90%) e proficiente (91%). A diferença é que os com nível melhor de alfabetismo e também de escolaridade conseguem comentar e publicar seus próprios conteúdos e compartilhar os de outros (isso é, são ativos), enquanto os menos alfabetizados se limitam ler, ouvir e assistir e a curtir um conteúdo ou seguir uma pessoa ou página (ou seja, são passivos nas redes).

Acesso sem barreiras x repertório para o bom uso

 Ana Lima, do Instituto Paulo Montenegro, revelou uma das conclusões do estudo: a desigualdade digital é muito menor do que outras. É mais difícil entender bem a leitura de um livro, claro, do que acessar as redes sociais. Como a internet ainda é mais usada em casa, 80% das pessoas a acessa regularmente do lar, surgiu uma questão preocupante: será que o potencial de uso na escola e até mesmo no trabalho estaria sendo negligenciado?

Françoise Trapenard, ex-presidente da Fundação Telefônica Vivo, ressaltou que existe um mundo de informação consistente e de estudos acadêmicos publicados na web. Além disso, MOOCs (os massive online courses) à disposição de quem quer aprender conteúdos contando com ferramentas de interatividade, muitos deles gratuitos. Mas a oferta é muito maior do que a demanda! Daí se infere que as pessoas querem mais entretenimento (por isso o uso mais frequente de casa) e menos informação e formação.

Comentei naquela roda de conversa que ainda há um grande obstáculo para os benefícios de aprender sozinho com a ajuda de pesquisas (de forma autodidata) ou de cursos online: o desafio da interação. E ele não é pequeno! Uma coisa é estar focado dentro de uma aula presencial, olho no olho com o professor ou em trabalhos em grupo com colegas, e outra é se relacionar por meio da fria tela do computador. Até os mais concentrados correm o risco de perder o interesse (sei disso por experiência própria, participo de cursos online!).

De todo modo, saber que os alfabetizados rudimentares (nível imediatamente superior ao dos analfabetos) têm acessado a internet com constância indica um imenso potencial de inclusão dessas pessoas na leitura e na escrita. Precisamos agora pensar em formas atrativas de ampliar o interesse delas pelo saber… e essa questão não é nova, mas diante das possibilidades latentes do universo digital, parece nos inquietar cada vez mais.”

Achou interessante o estudo e este texto? Por favor, comente abaixo.

Até a semana que vem!

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