Gasto em Educação eleva PIB

POR:
Laize Lima, NOVA ESCOLA, Fernanda Salla
Fonte IPEA. Gráfico: Mario Kanno
A força do investimento social Os gastos públicos deste quadrante aumentam o PIB e reduzem a desigualdade

 

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) investigou qual área faz a economia crescer mais e qual a campeã na redução da pobreza. Segundo o estudo, a Educação é a que mais eleva o Produto Interno Bruto (PIB) e, junto com a saúde e o Bolsa Família, lidera a diminuição da desigualdade na distribuição de renda (veja o gráfico). A razão é simples: 60% do orçamento vai para o pagamento de professores e funcionários. Se eles passam a ganhar mais, aumenta o consumo, a arrecadação e a produção, o que impulsiona a economia. "E, por se tratar de um grupo formado basicamente por pessoas de classes média e baixa, as melhorias salariais contribuem para diminuir a pobreza", diz Jorge Abrahão, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea.


Atraso escolar
Zona rural concentra alunos fora da idade ideal para o estudo

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmam que ainda é grande a distância entre cidade e campo quanto à distorção idade/série (veja o gráfico abaixo). "Na zona rural, muitos alunos se atrasam por ter de trabalhar e estudar. Também faltam escolas para as séries finais", diz Salomão Antonio Mufarrej Hage, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Fonte INEP. Gráfico: Mario Kanno
Longe demais das capitais Distorção idade/série no campo é 66% maior que nos centros urbanos (no ensino fundamental)

Bando de dados - Inclusão

484 mil alunos em escolas regulares
218 mil alunos em escolas especiais
206 mil alunos fora da escola

Fontes: Censo Escolar 2010 e SEE/MEC


Número - Financiamento

8.000.000.000
Por extenso, oito bilhões de reais. É quanto o MEC não usou do orçamento de 2010 (14% do total). As causas são a demora no repasse dos recursos e a burocracia em convênios com estados e prefeituras.


Pergunta sem resposta 
Se não faltam alunos - 58 milhões de brasileiros com mais de 18 anos não têm o Ensino Fundamental -, por que as matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) caíram 15% desde 2007?


Discurso da Presidente 
Dilma fala sobre qualidade, mas esquece fonte de recursos e PNE

Wordle.net

Aproveitando a volta às aulas, Dilma Rousseff realizou no dia 10 de fevereiro seu primeiro pronunciamento em cadeia de rádio e TV. O tema, Educação, foi definido pela presidente como "a ferramenta mais decisiva para superar a miséria e a pobreza". NOVA ESCOLA submeteu o discurso ao aplicativo wordle.net, que dá destaque visual às palavras mais frequentes no texto (abaixo). Chamam a atenção as referências à qualidade do ensino. Entretanto, não há menções aos recursos para realizar as melhorias nem ao Plano Nacional de Educação (PNE), uma prioridade do MEC para 2011.


Calvin

Calvin

Toda semana, uma nova tirinha sobre Educação com Calvin e seus amigos


Na internet 

Utilizando a mesma tecnologia do Google Street View, o site permite uma visita virtual a 17 importantes museus do mundo e a mais de mil obras de arte de 400 artistas em alta resolução, em inglês.


3 perguntas sobre

Foto: Tatiana Cardeal

Vagas ociosas em Pedagogia

Bernardete Gatti Superintendente de Educação e Pesquisa da Fundação Carlos Chagas (FCC)

Os dados mais recentes do Censo da Educação Superior mostram que menos da metade das vagas de Pedagogia foi preenchida. Por que isso ocorre?
A quantidade de vagas está superdimensionada, mas também existe uma queda na procura desde os anos 1980, quando o mercado de trabalho começou a se abrir mais para as mulheres, que antes estavam limitadas ao Magistério.

Quais são as consequências dessa queda?
Se os problemas na atratividade persistirem, nas próximas décadas vai faltar professor alfabetizador.

O que fazer para aumentar o interesse pelo curso?
É preciso uma política integrada de valorização da docência e de revisão das graduações, que têm currículos genéricos e sem foco na sala de aula.


Notícia e opinião

A notícia Ao menos cinco professoras da rede estadual de São Paulo dizem terem sido impedidas de lecionar por serem consideradas obesas na perícia médica, segundo a Folha de S.Paulo.

A opinião "Houve exagero e preconceito. A obesidade permite o desempenho normal da docência, como ocorre em outras profissões. Nunca vi médicos e engenheiros deixarem seus cargos por estarem acima do peso."

Lisete Arelaro, diretora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP)


Boa notícia
Nove anos em 100% da rede

O Ministério da Educação (MEC) informou que todos os 5.565 municípios iniciaram o ano letivo com 100% de implantação do Ensino Fundamental de nove anos. A mudança fortalece a alfabetização e a escolarização das classes mais pobres (antes, muitas crianças de 6 anos estavam longe das aulas).

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