O balanço do Hip Hop

Projeto explora os passos do break e do street dance e mostra como usar a linguagem do corpo

POR:
Paulo Araújo
Passos e letras que transmitem mensagens: auto-estima, esperança e violência. Foto: Léo Drummond

Passos e letras que transmitem mensagens: auto-estima, esperança e violência. 
Foto: Léo Drummond

 

Muitas escolas públicas oferecem programas de tempo integral, com propostas de atividades extracurriculares em teatro, dança, música e artes visuais. As que têm sucesso garantido são as que consideram o cotidiano e a cultura da comunidade. Na EM Mestre Ataíde, em Belo Horizonte, 90 estudantes de 5ª a 8ª série ficam no período inverso às aulas para pesquisar e praticar hip hop (expressão em inglês para algo parecido com "mexer os quadris e saltar"). O movimento cultural surgiu nos anos 1960 nos Estados Unidos e desde 1980 está presente na periferia das grandes cidades também no Brasil. "Essa forma de expressão artística valoriza exatamente aquilo que os adolescentes praticam e precisa ser cada vez mais absorvida pela escola", justifica Roberta Pereira Reis, pedagoga responsável pelo projeto na Mestre Ataíde. Dos quatro elementos do hip hop - o grafite, o MC (mestre-de-cerimônias que compõe e canta letras de rap), o DJ (disc-jóquei, responsável pelo ritmo musical das festas) e as coreografias em grupo -, o projeto explora a última, transformando os jovens em exímios dançarinos de break (parada) e street dance (dança de rua). P.A.

Sequência de atividades

1. DESCOBRIR O HIP HOP

Trabalhar com essa dança vai muito além da repetição de passos. No início do projeto, o professor precisa criar situações para que os alunos percebam que a coreografia transmite mensagens. Roberta convidou o rapper Hélio de Paula, ex-aluno e animador cultural na escola. Ele contou à garotada que o hip hop é uma forma de protesto que os moradores das periferias encontraram para denunciar a violência a que são submetidos: "Olhamos criticamente para a disputa entre os grupos urbanos e utilizamos os aspectos observados como fonte de inspiração para o aprendizado da coreografia. Os alunos se sentiram capazes de transformar a realidade".

2. DANÇAR COM OS COLEGAS

Os alunos que já conhecem a dança devem ajudar na construção das coreografias. Na Mestre Ataíde, Roberta e Hélio pediram para eles demonstrarem aos colegas as variações de estilo do hip hop brasileiro: be boy - integrante entra na roda rolando pelo chão, pula e faz foot work (trabalho com os pés) e freeze (postura estática); break (parada) com waves (imitação de ondas com braços, pernas e tronco); e, por fim, os lockings (movimentos executados com o apoio dos braços no chão). Os raps compostos pela garotada falam de esperança, auto-estima, violência e drogas.

3. APRESENTAÇÃO COMO APRENDIZAGEM

Colocar diversos grupos para dançar e fazer comparações entre os estilos serve de estímulo para o andamento do trabalho. Os alunos da Mestre Ataíde se apresentaram com outras 39 escolas da rede municipal que trabalham com dança de rua para mostrar uns aos outros as coreografias desenvolvidas ao longo do ano. "Foi um momento de troca de experiências e de valorização do trabalho", diz a coordenadora pedagógica Jussara Ferreira.

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CONTATO
EM Mestre Ataíde, R. Augusto José dos Santos, 560, 30580-100, Belo Horizonte, MG, tel. (31) 3277-5984
 
EXCLUSIVO ON-LINE
Assista um vídeo com a gravação em estúdio e leia a letra do rap Saia Fora do Crime, composto pelos alunos da EM Mestre Ataíde, em www.novaescola.org.br 

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