O que a turma precisa saber sobre nuvens

O formato, a cor e a altitude em que se encontram, assim como suas variações, dizem muito sobre as condições atmosféricas. Inclua a observação e a análise delas no seu planejamento

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Beatriz Santomauro
Para aprender a interpretar o tempo, os alunos observam o céu. Foto Nilva Damian. Ilustração Melissa Lagoa
Para aprender a interpretar o tempo, os alunos da EEEF Irineu Bornhausen observam o céu e classificam os tipos de nuvem em diferentes momentos

Uma nuvem branca que parece desenho de criança mais tarde se transforma em uma assustadora mancha escura que se desfaz numa tempestade de verão. Observar e analisar as características e a textura das nuvens é mais do que um passatempo. É conteúdo. Por meio delas, é possível conhecer as condições atmosféricas do momento e antecipar mudanças climáticas.

Existem dez tipos de nuvem, classificados conforme a aparência e a altitude. Todos eles são encontrados em qualquer ponto do planeta, mas podem ser mais comuns em áreas específicas (leia outras informações no quadro na próxima página). Os alunos não precisam decorar todos os nomes, mas é importante saber como é cada um deles e conhecer suas funções.

As nuvens são formadas por gotas de água ou cristais de gelo muito pequenos e em suspensão no ar e são responsáveis pela precipitação em forma de chuva, chuvisco, neve ou granizo. Além disso, fazem sombra na superfície da Terra e equilibram a distribuição de calor (já que filtram os raios vindos do Sol).

O tema foi trabalhado pelo professor Pércio Tarso da Luz, da EEEF Irineu Bornhausen, em Florianópolis, com as turmas do 7º ano. Ele estabeleceu uma relação entre as nuvens e o tempo (as condições atmosféricas momentâneas de um local) e o clima (conjunto de condições atmosféricas que caracterizam uma região num período de 30 anos, como a altitude, a temperatura e a pressão).

Como não queria se restringir apenas às descrições dos conceitos, o educador fez uma revisão sobre o ciclo da água e a formação das chuvas. Depois, apresentou uma aula expositiva sobre nuvens. Mostrou imagens de cada um dos tipos e apontou suas características. Nesse momento, os alunos ficaram sabendo que elas são classificadas conforme a altitude em que se encontram - baixas, médias e altas -, numa faixa que vai de 30 metros a cerca de 15 mil metros.

Nesse ponto, Tarso da Luz pediu que atentassem para as diferenças entre elas e refletissem sobre a relação com o conceito de tempo. "As nuvens são o retrato de um momento - e não têm a ver diretamente com o clima, que diz respeito a períodos mais longos", explica.

Na etapa seguinte, os alunos pesquisaram em um atlas os tipos de clima do Brasil e a origem das massas de ar. Também consultaram o significado de termos técnicos em dicionários de climatologia. Além disso, o professor indicou endereços de sites confiáveis para que eles pudessem estudar mais sobre o conteúdo. Previsões do tempo também foram usadas como material de estudo por mostrarem as variações de temperaturas e precipitações diárias.

A sequência didática incluiu ainda uma atividade de campo. O educador levou os jovens, divididos em grupos, ao ar livre a fim de observar o céu e fotografar nuvens que se encaixassem em cada tipo estudado. "Eles sabiam exatamente o que estavam procurando e quais informações tinham de colher porque já tinham estudado o assunto em sala", explica. Para que conseguissem registrar o maior número de tipos de nuvem, ele reservou quatro aulas.

"As nuvens são a chave da leitura do tempo", diz Sueli Furlan, selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. Ela ressalta a importância de propor a observação delas - o que nem sempre tem espaço no planejamento - e explica que não basta apenas olhar o céu para analisar o formato, a altura, o movimento e as cores das nuvens. Ao propor observações a cada meia hora em um dia, ou ainda diárias, sempre no mesmo horário, é possível notar como são rápidas as alterações do tempo em um determinado local.

De volta à sala, os alunos de Tarso da Luz fizeram cartazes com fotos de cada tipo de nuvem e exposições orais para mostrar o conteúdo aprendido. Eles compararam as imagens vistas e concluíram que cada tipo de nuvem é o retrato de um tempo, conforme mostram os desenhos na página seguinte.

Tipos de nuvens

Tipos de nuvens. Ilustração: Melissa Lagoa
Fonte Guia do Observador de Nuvens (ed. Intrinseca)

Você sabia? 

- A geografia do local influencia a formação das nuvens. De modo geral, no litoral, devido à brisa marítima, as nuvens aparecem em maior quantidade do que em parte do interior, como nas regiões do semiárido nordestino.

- No Brasil, as Cumulonimbus são mais presentes na Amazônia do que no sul do país, já que no norte há mais umidade. É o tipo que provoca chuvas mais fortes, causando prejuízos materiais e perdas de vida.

- Períodos com maior nebulosidade tendem a ter variações menores de temperatura entre o dia e a noite, já que as nuvens mantêm o calor da atmosfera. Dias claros e sem nuvens são mais quentes, com noites mais frias, como os que ocorrem nas áreas desérticas e também no inverno seco do Sudeste brasileiro.

- Os nevoeiros têm formação similar ao das nuvens Stratus, porém são ainda mais baixos. São resultado da combinação de ar frio com umidade noturna acumulados durante a noite. Podem atrapalhar a visibilidade, dependendo de sua espessura. Com a incidência da radiação solar durante o dia, evaporam.

Fonte Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em São Paulo

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