Diferenças e semelhanças entre as cidades

Cada uma tem sua função e organização. Para estudá-las, é importante observar as particularidades. Elas nunca são iguais, nem mesmo quando vistas de longe

POR:
Amanda Polato
São Paulo. Foto: © GOOGLE 2011/CNES SPOT/digital globe geo eye/MAPLINK
São Paulo, capital do estado de São Paulo População 11.253.503 habitantes
Área 1.523,278 km² Densidade demográfica 7.387,69 hab/km² Principais atividades econômicas Polo de serviços e negócios
Jaguapitã. Foto: © GOOGLE 2011/CNES SPOT/digital globe geo eye/MAPLINK
Jaguapitã, a 439 quilômetros de Curitiba População 12.225 habitantes Área 475,005 km² Densidade demográfica 25,74 hab/km² Principais atividades econômicas Agropecuária e indústria

As cidades são locais de concentração de pessoas, indústrias, serviços e órgãos públicos, além de variadas culturas e problemas sociais e econômicos. Esses elementos indicam as características que podem ter e mostram que cada uma deve possuir organização e função próprias. A maior parte da população do país mora nas cidades: de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 85% dos brasileiros vivem nessas áreas. O restante, por sua vez, sofre influências delas, já que nesses locais são tomadas as decisões políticas e nasce a cultura urbana para se espalhar pelo país.

Nas escolas, o ensino sobre cidades está presente nas aulas de Geografia. Um equívoco comum no estudo do tema, porém, é confundi-las com as metrópoles. Sonia Castellar, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), explica que a noção de metrópole está relacionada a um conjunto de fatores. "Além de os locais com essa denominação serem os mais populosos, eles exercem grande influência política e econômica e estão ligados fisicamente a outras cidades", comenta. É o caso de São Paulo, maior cidade da América do Sul, e dos 39 municípios da região metropolitana, com mais de 19 milhões de habitantes. Na capital, há uma grande concentração de construções, conforme a foto aérea.

Lana de Souza Cavalcanti, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), diz que adotar um discurso genérico para definir cidades faz com que ele não corresponda às diversas realidades. Quem vive em locais sem trânsito ou arranha-céus pode ter dificuldade de trabalhar o conceito se tiver em mãos apenas livros com informações de metrópoles. "É por isso que é fundamental olhar para cada arranjo urbano, identificando características do modo de vida e produção", explica Tânia Fresca, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O professor deve encaminhar a investigação e valorizar as informações dos alunos. Um debate sobre produção local também pode ser interessante. Por exemplo: indústria é só coisa de cidade grande? Quais atividades há em nossa cidade? O local onde vivem pode concentrar indústrias de um setor. É o caso de Jaguapitã, a 439 quilômetros de Curitiba que, além da agropecuária, produz mesas de bilhar, sendo uma das maiores concentrações dessas fábricas no país.

Já Garça, a 411 quilômetros de São Paulo, é marcada por uma grande imigração japonesa. Nela, há marcas culturais e na paisagem vindas do outro lado do mundo, como a Festa da Cerejeira, em comemoração à árvore trazida para o Brasil. Outro exemplo de cidade é Serra do Navio, a 199 quilômetros de Macapá e próxima do rio Amapari. Ela foi construída na floresta Amazônica na década de 1950 para servir como base de uma mineradora de manganês. No fim dos anos 1990, a exploração deixou de ser lucrativa e foi abandonada. Hoje, os moradores pretendem expandir atividades turísticas na região, e a maior parte trabalha como servidor público. As imagens aéreas dessas três cidades, Jaguapitã, Garça e Serra do Navio trazem dados interessantes. É possível identificar as ocupações variadas e os arredores das cidades pontuados com floresta ou plantações. De olho nas legendas, feitas com base no Censo Demográfico 2010, do IBGE, vê-se a relação entre o tamanho de cada município e o número de moradores. Serra do Navio, por exemplo, tem quase sete vezes a área de São Paulo, mas uma densidade demográfica muito menor.

A cidade como cenário para o estudo de conceitos

Garça. Foto: © GOOGLE 2011/CNES SPOT/digital globe geo eye/MAPLINK
Garça, a 411 quilômetros de São Paulo População 43.115 habitantes Área 555,630 km² Densidade demográfica 77,60 hab/km² Principal atividade econômica Agropecuária
Serra do Navio. Foto: © GOOGLE 2011/digital globe geo eye/maplink
Serra do Navio, a 199 quilômetros de Macapá População 4.380 habitantes Área 7.756,102 km² Densidade demográfica 0,56 hab/km² Principal atividade econômica Agricultura de subsistência

E o que não é cidade é o quê? É campo. "Os municípios têm uma divisão interna chamada perímetro urbano, que diz onde começa a cidade e termina o campo", explica Tânia. Rafael Straforini, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que também coordena o Ateliê de Pesquisas e Práticas em Ensino de Geografia, lembra que a zona rural e a urbana têm as suas culturas próprias, mas estão cada vez mais próximas e com influências mais significativas. O que continua pontuando a diferença entre o campo e a cidade é a questão econômica, já que, em geral, o primeiro vive da exploração do solo.

O conteúdo sobre cidades permite trabalhos com três conceitos da disciplina: 

- Paisagem Trata do aspecto perceptível do espaço, como pessoas e objetos em torno dos quais a vida se organiza. Quantidade de casas, formatos, ruídos, odores, presença de rios e árvores são exemplos dos elementos que a compõe. 

- Lugar O conceito está ligado à localização e também a identidades e experiências do cotidiano. Em sala de aula, você pode propor o estudo sobre o estado em que está a cidade, o que a rodeia, quais são as principais ruas ou os caminhos feitos diariamente. 

- Território É usado na Geografia política e trata das relações de poder - tanto o exercido pelo governo quanto o de grupos e os individuais.

Sandra Gallo da Silva, mestre em Geografia pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), ressalta a importância da observação do espaço em visitas de campo orientadas. Ela lembra que é preciso aproveitar o que o aluno já conhece e suas representações sobre o local em que mora e passeia. E explica: "Para que as visitas não sejam apenas descritivas, o professor deve fazer um encadeamento que leve à compreensão dos processos que formam uma cidade". Se a turma vai estudar sua origem, por exemplo, o foco deve ser as atividades que permitiram a aglomeração de pessoas. Sandra sugere conversar com moradores: "Esses relatos podem ser confrontados com documentos históricos", conclui.

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