Renovação nas quadras

Professores do Brasil inteiro revelam como fazer atividades mais criativas e saudáveis nas aulas de Educação Física

POR:
Priscila Ramalho
Jogos, exercícios, danças e brincadeiras: nas quadras, na praia, na escola ou na roda de capoeira, novas formas de ampliar o conteúdo educativo. Fotos: Samuel Vieira, Marcelo Grecco, Rogério Voltan, Fernando Vivas e Eduardo Queiroga:
Jogos, exercícios, danças e brincadeiras: nas quadras, 
na praia, na escola ou na roda de capoeira, novas formas
 de ampliar o conteúdo educativo. Fotos: Samuel Vieira, 
Marcelo Grecco, Rogério Voltan, Fernando Vivas e Eduardo
Queiroga 
Criança adora esporte. Ok, muitas até não gostam tanto assim de praticar. Mas são raras as que não acompanham as grandes competições. Pois está chegando a maior de todas as disputas, a Olimpíada. Na segunda quinzena de setembro, mais de 10000 atletas entrarão nos campos, pistas, quadras, raias e piscinas de Sydney, na Austrália. Seus alunos certamente estarão acompanhando essa festa com entusiasmo. Vibrando com as seleções de futebol, vôlei e basquete ? e com estrelas como os nadadores Xuxa e Gustavo Borges, a ginasta Daiane dos Santos, o tenista Gustavo Kuerten.

Para você, professor, essa é uma chance de ouro. A chance de valorizar as aulas de Educação Física. A chance de integrar essa matéria a todas as outras do currículo.
A chance de acabar definitivamente com a imagem de que ela só serve para "distrair" os alunos, deixando-os à vontade para correr, exercitar o físico, descarregar a energia e quebrar a rotina de sala de aula. A chance de envolver toda a escola para adaptar essa disciplina aos novos tempos da educação.

Essa mudança está em curso em todo o país, como vamos ver nas próximas páginas. Porque muitos já perceberam que, enquanto joga futebol, handebol, voleibol ou basquete, a criança expressa sentimentos, crenças e modos de pensar ? um conjunto de elementos batizado de cultura corporal. Essa compreensão amplia os objetivos do educador, que deixa de querer apenas garimpar futuros atletas e passa a se preocupar com a formação de cidadãos. Inclusive com atividades tipicamente regionais ? como a capoeira, o frevo e muitos outros jogos, danças, lutas e brincadeiras. Só para estimular a participação de todos. Exatamente como propõem os Parâmetros Curriculares Nacionais.

Conteúdos pedagógicos  

Futebol de duplas no Friburgo, em São Paulo: regra diferente incentiva o companheirismo
Futebol de duplas no Friburgo, em São Paulo: regra diferente incentiva o companheirismo

Por mais que você queira dar uma aula diferente, os meninos só pedem para ficar jogando? Não se desespere. Renovar o jeito de ensinar não significa abandonar os esportes tradicionais. A saída é utilizar esse interesse para acrescentar objetivos à prática desportiva. O professor Caio Martins Costa, do Colégio Friburgo, em São Paulo, fez exatamente isso com a paixão de sua turma pelo futebol. Partindo da disputa, ele cria aulas muito educativas, nas quais tão importante quanto marcar gols é aprender a respeitar as regras, reconhecer uma falta ou resolver uma discussão. "O jogo tem um conteúdo pedagógico riquíssimo", afirma. "Basta saber aproveitá-lo."

Para acrescentar noções de companheirismo a um esporte competitivo, Costa criou duplas de jogadores: correndo e chutando de mãos dadas, eles aprendem a coordenar ritmos e habilidades diferentes e a respeitar os limites do parceiro. Se os pares forem mistos, melhor ainda ? isso incentiva a convivência entre meninos e meninas. "Meu objetivo não é formar uma seleção de craques, mas um time de jovens conscientes, críticos, éticos e solidários", explica Costa.

As inovações táticas estão também em outras modalidades. No basquete, o professor introduziu uma regra que obriga o jogador a trocar de time toda vez que faz uma cesta. Resultado: no final, quase todos passaram pela equipe vencedora. "Fica mais divertido", atesta Raphael Forster, da 8a série. Para democratizar a divisão dos times, Costa substituiu o método tradicional ? em que os melhores são escolhidos primeiro ? por um sistema no qual todos disputam par ou ímpar. De um lado ficam os vencedores e do outro, os perdedores. "Isso acaba com a discriminação contra os menos habilidosos", justifica, numa bela lição de ética e justiça.

Alberto em ação, em Campinas: o imprevisto enriquece a atividade
Alberto em ação, em Campinas: o imprevisto enriquece a atividade

A preocupação com os valores move as aulas de Alberto Barbosa de Souza, da Escola Municipal Padre Leão Vallerié, em Campinas (SP). Com o olhar sempre voltado para as atitudes e os movimentos, ele aproveita qualquer oportunidade de ensinar algo diferente. Um exemplo muito simples: no meio do pega-pega, um menino ri do colega que não consegue alcançá-lo. É o momento ideal para conversar sobre a importância de respeitar as diferenças.

Para estimular a criatividade, Alberto busca novos usos para materiais convencionais. Quem disse que corda só serve para pular? Numa das brincadeiras, os alunos deitam-se no chão e a usam como moldura para o corpo ? a intenção é chamar a atenção para tamanhos e formas. Em outra, fazem um novelo e o jogam para o alto, para tentar pegá-lo sem deixar cair no solo ? um exercício de habilidade manual e reflexo. "Pular corda eles aprendem sozinhos, brincando na rua", afirma o professor. "Meu papel é usar algo com o qual eles já têm intimidade para passar um conteúdo pedagógico."

Ênfase nos objetivos  

Romilson e sua turma passam sob a corda, na Bahia: exercício aumenta a flexibilidade
Romilson e sua turma passam sob a corda, na Bahia: exercício aumenta a flexibilidade

Estabelecer objetivos antes de planejar as atividade é sempre uma boa prática. Sabendo o que transmitir ao aluno, fica mais fácil pensar como cumprir as metas. Seguindo esse princípio, Romilson Santos, da Escola Municipal Pedro Paranhos, em Lauro de Freitas, interior da Bahia, decidiu dividir a classe em grupos de três e propor um "revezamento de cadeirinha". Tudo para dar uma aula sobre cooperação. Em cada trecho da corrida, uma das crianças é carregada nos braços pelas outras duas. Graças ao revezamento, o resultado não depende da performance individual, mas da sintonia entre os três membros da equipe.

Quando a idéia é despertar a percepção para o corpo, Santos usa uma velha brincadeira de rua: passar por baixo da corda sem encostar nela. A turma desenvolve a elasticidade e vai descobrindo diferentes formas de superar o obstáculo mexendo os braços, as pernas e a coluna. "Antes de pensar na prática é fundamental saber o que se pode aprender por meio dela", explica.

Essa, aliás, é uma das propostas centrais dos PCN. O documento preparado pelo Ministério da Educação (que, sempre é bom lembrar, não tem força de lei, mas é uma recomendação às escolas de todo o país) sugere que, além de praticar as atividades, as crianças conheçam sua história, discutam regras e estratégias e analisem o comportamento dos colegas. "É preciso sair de uma visão técnica para outra que incorpore as dimensões afetivas, cognitivas e socioculturais da Educação Física", explica João Batista Freire, um dos consultores dos parâmetros.

Alunos medem a freqüência cardíaca, no Renovação, em São Paulo: conhecendo o corpo
Alunos medem a freqüência cardíaca, no Renovação, em São Paulo: conhecendo o corpo

No Colégio Renovação, em São Paulo, os alunos têm até caderno para a disciplina. Eles fazem redação, levam tarefa para casa e debatem as notícias do jornal. Para incentivar a pesquisa, o professor Laércio Moura Jorge montou um arquivo com textos sobre vários temas, como saúde, alimentação, drogas e qualidade de vida. "É importante acrescentar o conhecimento conceitual ao fazer", ensina.

Outra preocupação da escola é incentivar a interdisciplinaridade. Nas aulas de Ciências, todos aprendem noções de fisiologia que vão ajudar a compreender o que acontece com o corpo na hora dos exercícios. Os conceitos serão retomados, mais tarde e de forma prática, pelo professor de Educação Física. Já virou rotina, por exemplo, ver a classe medindo a freqüência cardíaca antes e depois de cada atividade. "Esse é um conhecimento que eles vão levar para toda a vida", diz Moura Jorge.

Diversidade e cultura  

Adriana usa o frevoem aula no Recife: valorizar a cultura regional sem medo de se divertir
Adriana usa o frevo em aula no Recife: valorizar a cultura regional sem medo de se divertir

Outra grande mudança ? muito enfatizada nos PCN ? é a diversificação das aulas. Atividades antes nunca relacionadas à disciplina, como danças de rua e manifestações populares de todo tipo, ganham cada vez mais espaço e ameaçam a hegemonia dos jogos tradicionais. "Elas têm um valor educativo tão ou mais rico que os quatro esportes clássicos", garante Marcelo Jabu, um dos autores dos parâmetros.

A professora Araçaí Muliterno de Almeida, da Escola Estadual Nova Carapina, em Serra, no Espírito Santo, assina embaixo. Desde que incluiu a capoeira em seu programa, ela só acumula bons resultados. A primeira conquista foi atrair a turma para a quadra. "A aula ficou mais democrática: quem não quer jogar, toca, canta ou bate palmas", explica Araçaí. Para abrir ainda mais o leque de conteúdos, ela estimula os estudantes a compor músicas típicas da capoeira. Assim, eles exercitam a escrita e conhecem novos instrumentos musicais, como o berimbau, o atabaque, o pandeiro e o caxixi.

Além de tudo, a experiência valoriza uma prática da cultura afro-brasileira, uma manifestação típica de nosso país e, como tal, digna de estudo. Antes de aprender os principais movimentos da luta (ginga, meia-lua, estrela e pirueta), os jovens passaram várias aulas pesquisando e discutindo a história do negro e da capoeira. "É importante que todo brasileiro conheça as características culturais de sua terra", apóia Jabu.

Do ponto de vista do aluno, as aulas ensinam ainda mais. Com seus golpes rápidos e ritmados, a capoeira desenvolve a agilidade, a criatividade e o raciocínio. "Foi o conteúdo mais gratificante que eu já trabalhei", diz Araçaí. "Hoje, não é preciso andar muito pelas ruas do bairro para encontrar uma roda de meninos tocando berimbau e dando piruetas."

Interesses regionais

Com tantas modalidades novas no currículo, como saber qual delas usar em sua aula? "Olhando ao redor", sugere Mauro Betti, do Laboratório de Estudos Socioculturais e Históricos da Educação Física, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ele explica que é preciso escolher a temática que tenha mais relevância para o grupo, considerando a escola, o momento, as peculiaridades regionais e, principalmente, o interesse das crianças.

Roda de capoeira em Serra: rico conteúdo educativo
Roda de capoeira em Serra: rico conteúdo educativo

É o que faz, no Recife, a professora Adriana Ribeiro de Barros. Há um ano ela ensina danças e jogos nordestinos na Escola Estadual Professor Leal de Barros. Seu objetivo é valorizar a cultura regional. O primeiro tema de estudo foi o frevo, a mais tradicional dança pernambucana. Os alunos fizeram pesquisas sobre o ritmo, confeccionaram as sombrinhas e as roupas típicas e, é claro, bailaram muito. Também foi organizada uma oficina, da qual participaram pais e integrantes da comunidade.

Na mesma escola, George Anderson da Silva é outro professor que ultrapassa os limites da quadra. Literalmente. Para acrescentar aulas de natação ao currículo, ele decidiu levar a turma para a praia ? ou melhor, para dentro do mar. Nadando, prendendo a respiração enquanto mergulham ou boiando na superfície, as crianças se divertem e vão percebendo as mudanças que acontecem com seu corpo dentro da água.

"Aprendizagem e lazer não são coisas opostas, mas que se encaixam muito bem", completa a professora Tereza França, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos do Lazer, da Universidade Federal de Pernambuco, que coordena os trabalhos de George e de Adriana ? protótipos de uma nova Educação Física que incentiva a criatividade, a participação, o espírito crítico e, claro, o lazer.

Olímpiadas na escola  

"Tudo começou com o atletismo". Foi assim que a professora Fernanda Moreto Impolcetto, da Escola Estadual Diva Marques Gouvêa, em Rio Claro (SP), apresentou a seus alunos o mundo dos Jogos Olímpicos. Durante vários dias eles conheceram as várias modalidades ? arremesso de peso, lançamento de dardo, revezamento, corrida com obstáculos, salto em distância e em altura ? que já eram realizadas pelos atletas gregos em 776 a.C. e que, até hoje, são a alma da maior competição esportiva do mundo.

"O atletismo rende boas aulas, pois permite desenvolver capacidades físicas como resistência, força, flexibilidade, velocidade e impulsão", explica Suraya Darido, do Departamento de Educação Física da Universidade Estadual Paulista (Unesp). "Além disso, ele estimula o raciocínio, a percepção e a agilidade." Tome como exemplo o salto em distância: a cada nova tentativa a criança aprende como deve saltar, o ponto e o momento certos. 

Corrida com obstáculos e revezamento (ao lado): de olho na tradição. Foto: Samuel Vieira e Rogério Voltan
Corrida com obstáculos e revezamento (ao lado): de olho na tradição. Foto: Samuel Vieira e Rogério Voltan 

Em Rio Claro, a aula não ficou só na quadra. Os alunos também fizeram pesquisas ? sobre a história das Olimpíadas, as diversas modalidades que foram incorporadas aos Jogos, a participação do Brasil ? e organizaram uma série de debates. "Há muito para discutir", analisa Fernanda. "O problema do doping, a forma como os atletas são usados para fazer marketing, a globalização."

Ao voltar para a classe, os jovens continuaram estudando o tema em História, Geografia e Matemática. "Os Jogos são uma ótima oportunidade para envolver toda a escola num projeto interdisciplinar", explica.

Por isso, enquanto mais de 10000 atletas de todo o mundo estiverem lutando por medalhas em Sydney, em setembro, aproveite para integrar o esporte e a Educação Física às atividades cotidianas de sua escola. Use o plano de aula sugerido na edição de janeiro e fevereiro de Nova Escola e faça os alunos verem como as competições sempre estiveram intimamente ligadas a muitas questões ? da política à exploração mercadológica, da luta pela vitória aos ideais de equilíbrio entre corpo e mente.

 A importância da inclusão  

Mary joga com a ajuda de uma colga e do professor Fabio, em São Paulo: sim à iclusão
Mary joga com a ajuda de uma colga e do professor Fabio, em São Paulo: sim à inclusão

A construção dessa nova Educação Física não envolve apenas a necessidade de reavaliar conceitos, objetivos, perspectivas e atividades. Outro ponto fundamental dessa lista é torná-la mais democrática e menos excludente. Como o esporte tem como meta a vitória, ele acaba por provocar uma divisão entre bons e ruins. Isso faz a criança que não está no topo se sentir desprestigiada.Não é difícil enxergar essa discriminação no dia-a-dia: o goleiro que é mandado para o banco de reservas porque tomou um frango ou o aluno humilhado porque não consegue realizar um determinado exercício.

Garantir a participação de todos é, portanto, uma preocupação que deve nortear o planejamento. "Em vez de insistir em atividades que valorizam apenas a performance e o rendimento, o professor deve privilegiar aquelas em que todos tenham oportunidade de desenvolver suas potencialidades", defende Caio Martins Costa, que leciona no Colégio Friburgo e participou da elaboração dos PCN.

O mesmo princípio vale para os portadores de necessidades especiais. Muitas vezes, sob o pretexto de preservá-los, a escola opta por dispensá-los da Educação Física. Essa pode ser uma solução para o professor, mas nem sempre é o melhor para o aluno. Antes de tomar essa atitude, deve-se descobrir se a criança gostaria de participar dos exercícios junto com os colegas. Estimulá-la (dentro de seus limites, bem entendido) ajuda a aumentar sua auto-estima e a explorar seu potencial.

O fato de ser paraplégica desde que nasceu não afastou Mary Lemos Prieto, de 8 anos, das atividades físicas no Colégio Giordano Bruno, em São Paulo. Engatinhando com uma joelheira especial, a pequena joga queimada, participa do revezamento e faz exercícios de ginástica. Mary encanta quem acompanha o corre-corre na quadra. Sempre uma das mais falantes, ela explica com desenvoltura o que aprendeu na aula. "Nos movimentamos porque os músculos se mexem", diz. Em alguns casos, os exercícios têm de ser adaptados às suas limitações. No treino de velocidade, por exemplo, percorre de joelhos apenas um dos lados da quadra.

"A cada aula ela melhora sua marca", comemora o professor, Fábio Marchioreto. Ele sabe que, trabalhando dessa forma, enfrentará com freqüência situações novas. "O que é bárbaro. No fim das contas, não é só Mary quem aprende."

Meu amigo professor  

Alunos rodeiam Luís: amizade e orientação. Foto: Emerson Gonçalves
Alunos rodeiam Luís: amizade e orientação. Foto: Emerson Gonçalves

O profissional de Educação Física é quase sempre o mais próximo dos alunos.
A informalidade dos trajes e o fato de a avaliação ser menos rigorosa são fatores que ajudam a popularizá-lo. Luís Otávio Rossi de Meneses, do Colégio Dinâmica, em Jacarezinho (PR), é um bom exemplo. Mal terminam as aulas ele é cercado pelos estudantes. Eles o procuram pelos motivos mais diversos: contar que brigaram com o(a) namorado(a), pedir opinião sobre regime e até para falar mal da escola.

Luís viu aí uma oportunidade de ampliar seu papel de educador. Como um amigo, ouve a todos com atenção e tenta orientá-los. Quando vê dúvidas comuns ? como drogas, alimentação ou gravidez ?, leva o assunto para discutir em classe. "A disciplina é favorável a esse tipo de conversa, porque as crianças estão fora da sala, mais descontraídas, e tendo mais contato umas com as outras", argumenta.

Ele destaca que tudo depende da postura de cada professor. No seu caso, diz, a chave para estabelecer uma relação de confiança é dar abertura e manter a amizade com a turma. Muitos afirmam, em tom de elogio, que Luís é mais do que um professor de Educação Física. E ele responde, com orgulho: "Ser professor de Educação Física é exatamente isso."

O novo perfil profissional  

Joelcio dançando em Belo Horizonte: mais iniciativa
Joelcio dançando em Belo Horizonte: mais iniciativa

Diante de tantos novos desafios, como deve ser, então, o perfil do professor? Ele precisa dominar a capoeira, o frevo e uma infinidade de técnicas? Não necessariamente. O que realmente importa é estar aberto às mudanças, ter disposição para adaptar as atividades, querer desenvolver um trabalho junto com os alunos. Porque não basta dizer que ensinou, é preciso que todos aprendam.

O professor Joelcio Fernandes Pinto, do Colégio Santo Antônio, em Belo Horizonte, encontrou seu caminho para chegar lá. No final do ano passado, ele se viu diante de uma situação inusitada quando sua turma pediu que o tema do bimestre fosse dança de salão. A idéia era ótima, pois servia bem a seus objetivos pedagógicos. Mas havia um problema: ele ignorava o tema.

Confira os passos de Joelcio para sair do impasse. Primeiro, procurou livros e revistas sobre os principais ritmos. Depois, levou para a escola uma professora especializada. Enquanto ela ensinava valsa, samba e pagode (sim, o professor também virou aluno), ele levantava questões sobre o papel da dança, os preconceitos que a envolvem e os benefícios que ela traz para a saúde. "Dessa forma, os estudantes recebem uma formação mais global", explica.

Joelcio solucionou seu problema ultrapassando os muros da escola e buscando ajuda na comunidade. E mostrou que nem sempre o conhecimento técnico garante as melhores aulas. "Basta ter boas idéias e iniciativa para colocá-las em prática", afirma. "Ao preocupar-se demais com a técnica, corre-se o risco de transformar o movimento em um conceito abstrato", endossa Marcelo Jabu, um dos autores dos PCN. Mauro Betti, da Unesp, completa: "É preciso saber planejar, analisar, contextualizar e saber por que ensinar cada coisa, levando em consideração as peculiaridades de cada classe."

Ou seja, não bastam uma bola e um apito. O novo profissional deve ser ativo, empenhado, sempre se atualizando e prestando atenção ao desenvolvimento da turma. Alguém como Joelcio, Caio, Araçaí, Romilson, Laércio, Adriana, George, Fábio, Alberto. E tantos outros, que finalmente estão deixando de ser exceção para virar maioria. Para a felicidade dos alunos, das escolas, dos pais ? e deles próprios.

Dez truques para uma boa aula

  • Educar para a solidariedade, para o respeito e para a cooperação
  • Desenvolver a consciência crítica
  • Valorizar a pluralidade de manifestações culturais do Brasil
  • Buscar a interdisciplinaridade
  • Mesclar o conhecimento dos conceitos, dos procedimentos e das atitudes
  • Estimular a criação e a reformulação de regras
  • Promover a convivência entre meninos e meninas
  • Assegurar a inclusão de todos os alunos
  • Considerar o contexto e o interesse da turma
  • Incentivar a adoção de hábitos saudáveis.

Quer saber mais?

CONTATOS
Colégio Friburgo
, Av. João Dias, 242, CEP 04724-000, São Paulo, SP, tel.: (11) 548-2801
Colégio Giordano Bruno, R. Fernando Caldas, 28, CEP 05535-060, São Paulo, SP, tel.: (11) 3722-0588
Colégio Renovação, R. Kalil Nader Habr, 137, CEP 04154-030, São Paulo, SP, tel.: (11) 578-1455
Colégio Santo Antônio, R. Pernambuco, 880, CEP 30130-151, Belo Horizonte, MG, tel.: (31) 261-7555
Escola Estadual Nova Carapina, R. Patos de Minas, s/nº, CEP 29170-700, Serra, ES, tel.: (27) 341-3227
Escola Estadual Professora Diva Marques Gouvêa, Av. da Saudade, 399, CEP 13500-000, Rio Claro, SP, tel.: (19) 524-4535
Escola Municipal Padre Leão Vallerié, R. Benedito Cândido Ramos, 10, CEP 13058-515, Campinas, SP, tel.: (19) 261-1599
Escola Municipal Pedro Paranhos, R. Queira Deus, s/nº, CEP 42700-000, Lauro de Freitas, BA, tel.: (71) 379-1602
Escola Municipal Pedro Paranhos, R. Queira Deus, s/nº, CEP 42700-000, Lauro de Freitas, BA, tel.: (71) 379-1602
Luís Otávio Rossi de Meneses, R. Cel. Cecílio Rocha, 506, CEP 86400-000, Jacarezinho, PR, tel.: (43) 525-0166, e-mail: luisotavioef@bol.com.br
Tereza França, Rua Sebastião Alencastro Salazar, 132, CEP 50741-370, Recife, PE, tel.: (81) 453-1404

BIBLIOGRAFIA
Educação de Corpo Inteiro: Teoria e Prática da Educação Física, João Batista Freire, 224 págs., Ed. Scipione, tel.: (11) 3277-1788, 20,90 reais
Educação Física & Esportes: Perspectivas para o Século XXI, Wagner Wey Moreira (org.), 260 págs., Ed. Papirus, tel.: (19) 272-4500, 28 reais
Metodologia do Ensino de Educação Física, coletivo de autores, 120 págs., Ed. Cortez, tel.: (11) 864-0111, 13 reais 

 

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