Estudantes criam aparelho que usa algas para filtrar poluentes
Projeto faz versão acessível e com materiais recicláveis de equipamento sofisticado que pode custar mais de R$ 500 mil.
01/08/2019
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Jornalismo
01/08/2019
Equipamentos para tratar emissões gasosas não são baratos. De cabeça, o professor Roberto Fujii estima que, “a depender do modelo, o investimento pode passar dos 500 mil reais”. É por essa razão que, há alguns anos, ele vem tentando desenvolver com seus alunos do Ensino Médio e Técnico do Centro Estadual de Educação Profissional de Curitiba um aparelho feito com materiais reciclados, capaz de desempenhar a mesma tarefa com um custo que caiba no bolso. Em 2016, esse projeto ficou mais próximo de virar realidade. Roberto e as alunas Ana Beatriz Dantas, Luana Valezi e Vitória de Souza conseguiram criar o protótipo do fotobiorreator de microalgas. A proposta era utilizar os seres microscópicos para consumir carbono durante a fotossíntese e “limpar” a fumaça da queima de combustíveis fósseis. Para isso, colocaram microalgas em garrafas pet transparentes, estimulando o processo por meio de luz artificial. Foram muitos testes até o protótipo atual, que ainda será aplicado em situações reais. “A gente estava descobrindo tudo e viu que não dominava a engenharia”, lembra Vitória, hoje na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mas com muita dedicação, ela e as colegas aprimoraram a ideia e levaram o projeto para feiras de ciências. Neste ano, mais uma etapa foi concluída: publicaram um artigo na obra Análise Crítica das Ciências Biológicas e da Natureza.
COMO FUNCIONA O FOTOBIORREATOR
Gases passam por garrafas que contêm as microalgas capazes de extrair moléculas de carbono para a fotossíntese
1) Combustão
O equipamento foi acoplado a um tambor que simula uma churrasqueira, no qual é feita a queima do carvão
2) Compressão
Os gases passam por um compressor de ar, que os empurra pelos tubos que interligam as garrafas.
3) Tratamento
O fluido passa pelas primeiras garrafas para esfriar e, depois, pelas garrafas com água e microalgas, que se alimentarão do carbono.
4) Fotossíntese
Ao consumir o carbono, as microalgas purificam a fumaça, que sai da parte de cima das garrafas e volta ao ambiente em forma de ar limpo.
3 UTILIDADES PARA AS MICROALGAS
Resíduos da purificação podem ser aproveitados de diferentes formas:
1) Adubo
Como são um material orgânico rico, os micro-organismos servem para enriquecer compostos usados na agricultura.
2) Biocombustíveis
As microalgas podem passar por uma secagem e se transformar em blocos que servem como carvão. Também é possível submeter o material a processos mais sofisticados para extração de biodiesel.
3) Alimentação
Se a fumaça purificada não for tóxica, é possível até transformar as microalgas em suplemento alimentar. Já se comercializa a chlorella para dietas, por exemplo.
Ilustrações: Alexandre Affonso
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