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Jornalismo

Alunos de 5º ano criam forno solar para assar alimentos

Iniciativa de uma turma de Osasco é exemplo de como colocar em prática o STEM. Entenda o que eles fizeram:

PorPedro Annunciato

01/08/2019

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Crédito: Patrícia Monteiro/NOVA ESCOLA

Lição número 1 que todo professor sabe: jamais subestime as crianças. Com a ajuda certa do adulto, o céu é o limite. Afinal, quem diria que uma turma de 5º ano seria capaz de construir um forno sustentável com papelão e alumínio? Pois a professora Cristiane da Costa D’Água acreditou em seus alunos da EMEF Marechal Bittencourt, em Osasco (SP). E eles conseguiram. A ideia nasceu da própria classe. “Estava discutindo com os alunos, na aula de Ciências, o uso de energias alternativas, quando um deles começou a perguntar se seria possível cozinhar só com a luz do sol”, conta Cristiane.

A professora, então, provocou a turma a pensar em como fazer isso e lançou o desafio de construir um forno que fosse capaz de assar um bolo. Com isso em mente, a turma foi a campo pesquisar o assunto. Na internet, encontrou vários exemplos de fornos, construídos com diferentes materiais. A partir dos modelos, as crianças desenharam os próprios projetos, levantaram quais formatos as paredes do aparelho deveriam ter e pesquisaram sobre o ciclo do dia para descobrir qual seria o melhor horário para assar o bolo. Por fim, investigaram qual seria a receita ideal para aquele tipo de forno. A conclusão? Um bolo de iogurte, cuja massa é mais leve e fácil de crescer. No dia do experimento, ansiedade total. O forno, construído com caixa de papelão e abas de papel-cartão revestidas de duas camadas de papel-alumínio, foi colocado bem no meio da quadra da escola no início do período da tarde. Por volta das 13h40, a forma com a massa foi posta dentro do equipamento, que recebeu uma tampa de acrílico transparente para manter o calor lá dentro. E, quatro horas depois, voilà! Bolo quentinho para todo mundo.

A experiência foi tão boa que Cristiane e a turma ficaram entre os 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10 em 2018. Cristian Annunciato, selecionador do prêmio, escreveu no parecer sobre o projeto: “O trabalho da professora foi um exemplo de como se pode aplicar a filosofia STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, em tradução livre), em sala de aula. Ela iniciou o trabalho com uma pesquisa e chegou a uma pergunta de investigação, no qual eles utilizaram diferentes metodologias ativas para tornar o aluno o protagonista do processo”.

STEM: TUDO JUNTO E MISTURADO
Science, Technology, Engineering e Mathematics formam a sigla em inglês STEM, abordagem pedagógica para resolução de problemas:

1) Integração
A ideia é que os desafios propostos exijam dos alunos a articulação de conhecimentos de Ciência, Tecnologia, Matemática e Engenharia.

2) Motivação
Na abordagem, bom desafio é o que instiga os alunos a imaginar soluções, aprofundar as pesquisas e testar hipóteses.

3) Interação
As atividades são sempre feitas em grupos, que dividem as tarefas entre si e trocam de papéis durante o processo, desenvolvendo habilidades socioemocionais.

4) Contextualização
O desafio precisa partir de problemas reais associados ao contexto da aula e dos alunos. E não é necessário que todo o tempo seja de produção ativa.

TRÊS VANTAGENS DA ENERGIA SOLAR
Entenda por que ela é uma aposta importante para a sustentabilidade

Carbono zero
Sem a necessidade de queimar combustíveis fósseis, não há emissão de poluentes em nenhuma etapa do processo.

Baixo custo
Qualquer telhado, por exemplo, pode se tornar uma pequena usina. E já existem imóveis que devolvem o que sobra de energia.

Fonte (quase) infinita
Afinal, o Sol só deve se apagar daqui a 7 bilhões de anos, segundo cientistas.

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