Falar mal do aluno ignorando sua presença

Texto mostra quais atitudes os professores devem evitar para não humilhar alunos ainda que sem intenção

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"Esse até agora não aprendeu a ler nem a escrever." "Aquele a mãe demora para vir buscar." Comentários dessa natureza, por incrível que pareça, costumam ser feitos pelos professores na presença das crianças como se elas ali não estivessem. Ao presenciar o diálogo com essa tônica entre os pais e o educador, ou entre os educadores, o aluno se vê constrangido, acuado e perdido diante de tantas manifestações a seu respeito, sentindo-se impotente, sem direito de defesa. 

Trata-se de uma atitude desrespeitosa e, ao contrário do que muitos pensam, ao ouvir conversas desse gênero crianças menores prestam atenção, sim, embora não sejam capazes de fazer uma interpretação eficiente do que é preciso ser ajustado. Elas também não compreendem que o professor quer que a acusação seja percebida como um "recado". Simplesmente se sentem punidas.

Então, o educador - uma voz importante e valiosa na infância - não só rotula o aluno, como demonstra impressões negativas e derrotistas em relação a ele. Sabendo disso, prefira sempre frases que demonstrem confiança. Em relação a quem ainda não aprendeu a ler, opte por dizer "Ele está aprendendo a ler", em vez de "Ele não sabe ler nada". A diferença pode até parecer sutil, mas tem um peso muito diferente: é otimista e não agride ninguém. 

No mais, diálogos sobre dificuldades de aprendizagem e comportamento devem ser realizados longe do estudante e de modo positivo: só apontar os problemas e fazer acusaçõesnão contribui para o desenvolvimento. É preciso enxergar com nitidez o que está sendo buscado: ajudar todos a aprender.

CONSULTORIA Maria Maura Barbosa, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para a Ação Comunitária (Cedac).

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