Alunos do Ensino Fundamental visitam a Universidade de São Paulo

Programa Eu na USP Jr. realiza visitas monitoradas dos alunos do Ensino Fundamental às instalações da maior universidade do país

POR:
Diego Braga Norte
Foto: Paulo Vitale
NOVAS PERSPECTIVAS Ao observar a pintura de Frank Stella, a turma reflete sobre a Arte. Foto: Paulo Vitale

Um gigantesco painel do artista norte-americano Frank Stella recepciona os alunos com idades entre 11 e 14 anos durante visita à Universidade de São Paulo (USP). O grupo participa do programa Eu na USP Jr., que todo ano abre as portas para cerca de 400 jovens conhecerem diferentes unidades e institutos do campus. Para muitos, a experiência de conhecer museus, laboratórios e outras instalações de uma universida-de - muito diferente do ambiente em que estudam diariamente - ajuda a pensar em possibilidades para o futuro.

A primeira parada do grupo - devidamente uniformizado com coletes - é o Museu de Arte Contemporânea (MAC), em que, logo na entrada, está a obra The Foundling (n#6). Seu tamanho (16 metros de comprimento por 4 de altura) e suas cores impressionam. "Parece grafite", comentam vários garotos. Eles estão certos. Segundo os monitores, essa foi uma das influências de Stella.

Mais adiante, a turma para em frente ao quadro Figuras, de Pablo Picasso (1881-1973). "Cubismo", afirma uma garota. Com perspicácia, ela poupa os guias, graduandos de Artes Plásticas da USP, de dar as primeiras explicações. Do cubismo do pintor espanhol para o fauvismo do francês Henri Matisse (1869-1954), são apenas alguns metros. O tour inclui ainda o abstracionismo multicolorido do russo Wassily Kandinsky (1866-1844).

Os comentários dos adolescentes vão muito além do "gostei" ou "não gostei". Ao ouvir de um dos monitores que antes do advento da máquina fotográfica os pintores procuravam ser fiéis à realidade, um aluno não se contém: "Ser pintor antes era muito chato! Eles só faziam cópias!?" Outro se mostra interessado pelo que os guias estudam: "Quem faz Arte vai ser o que: artista ou professor?"A resposta expõe as múltiplas possibilidades da carreira para os curiosos ouvintes.

Enquanto isso, no Instituto de Geociências, outra turma de visitantes mirins também faz um passeio guiado. Na agenda do dia, um documentário sobre a história geológica do nosso planeta, uma apresentação de slides (algo inédito para a maioria, mais acostumada a DVDs e fotos digitais) e um passeio monitorado pelo Museu de Geociências, que guarda, entre as peças de seu acervo, uma réplica de um esqueleto de alossauro com 12 metros de comprimento e 3,50 de altura. Mais adiante, conduzidos por entre milhares de amostras de rochas, todos são incentivados a catalogar algumas delas. Por meio de informações como cor, forma e procedência, vão aprendendo como e em que setores os minerais são aplicados em nossa sociedade.

O guia, o geólogo Ideval Costa, se pauta pela descontração para manter, com a ajuda de dois monitores, a atenção da moçada. Numa mesa-redonda final, ele relaciona os conceitos aprendidos durante a visita à realidade cotidiana. Naquele momento, uma chuva torrencial castiga São Paulo, e Costa encontra na tempestade um motivo para falar da impermeabilização do solo, que impede o escoamento da água e contribui para o agravamento das frequentes enchentes na maior cidade do país.

Os estudantes, atentos, demonstram o que sabem sobre o meio ambiente. Todos pontuam a conversa com exemplos dos reflexos trazidos pelo aquecimento global ao dia a dia das pessoas. Na saída, um deles demonstra sua satisfação com a experiência: "Agora eu sei que quero mesmo ser geólogo".

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CONTATO
Eu na USP Jr.
, tel. (11) 3091-3252

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