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Plano de aula: Como debater Neonazismo e suas principais características em sala

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Descrição

Neste plano, sugerimos a discussão sobre o conceito e características do Neonazismo, movimento esse que tem ganhado mais força e notoriedade em vários países do mundo, inclusive aqui no Brasil e tem como uma de suas principais particularidades o resgate de elementos do nazismo. A importância da discussão dessa temática está atrelada ao fato de estarmos vivenciando atualmente uma era de extremos, marcado pelo crescimento notório de crimes ligados a apologia ao nazismo, negacionismo do holocausto, intensa disseminação de conteúdos de teor nazista e aumento de grupos extremistas. Logo, com o desenvolvimento dessa aula, almejamos que os estudantes desenvolvam um olhar crítico sobre essa temática, para que assim possam fazer uma leitura mais reflexiva acerca desses fatos e notícias que lhes chegam diariamente, atribuindo a seriedade necessária para essa temática em seu cotidiano. 

Habilidades BNCC:

Objeto de conhecimento

  • Os conflitos do século XXI e a questão do terrorismo
  • Pluralidades e diversidades identitárias na atualidade

Objetivos de aprendizagem

  • Identificar como a ideologia nazista tem se manifestado na atualidade. 
  • Construir o conceito de Neonazismo e suas principais características. 
  • Identificar como o Neonazismo tem se manifestado em diferentes países do mundo. 
  • Ilustrar as ideias sobre o Neonazismo através da construção de um esquema visual. 
  • Refletir sobre como as ações de grupos extremistas podem ser minimizadas. 

Competências gerais

  • Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 
  • Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta
  • Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
  • Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Professor, aproveite o tema e leia a reportagem "Como debater o neonazismo em sala de aula?" e veja como explorar recursos audiovisuais e documentos históricos que vão ajudar a sensibilizar e a conscientizar a sua turma!

ACESSE AQUI A REPORTAGEM

Inúmeras pesquisas realizadas nos últimos anos e notícias divulgadas nos diversos veículos de imprensa têm apontado para um crescimento notório de crimes ligados a apologia ao nazismo, negacionismo do holocausto, disseminação de conteúdos de teor nazista e aumento de grupos extremistas. Esse interesse da academia e dos veículos de imprensa expressa a preocupação da sociedade de maneira geral em reviver momentos obscuros da história mundial, como foi o caso do nazismo e do holocausto. Desta maneira, se faz importante trazer essa temática a sala de aula para que os estudantes possam refletir sobre as consequências e particularidades de todos esses movimentos para a humanidade. 

Com o intuito de contribuir ao debate em sala de aula é importante, primeiramente, ressaltar junto aos estudantes que a apologia ao nazismo é criminalizada na maioria dos países, questão essa que teve início logo após o genocídio cometido pelo regime liderado por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que matou mais de 6 milhões de judeus, além de adversários políticos, negros, homossexuais, pessoas com deficiência, comunistas, integrantes da etnia roma e outras minorias. Aqui no Brasil, por exemplo, a Lei do Racismo (nº 7.716/89) estabelece que é crime no Brasil "fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo", sob pena de dois a cinco anos de prisão e multa. (Brasil. LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm.  Acesso em: 05 mar. 2023). Em vários países europeus essa questão também é criminalizada e tratada com muita seriedade, podendo levar a prisão, como no caso da Alemanha cuja lei prevê punição de até três anos de prisão para quem usar insígnias relacionadas ao Terceiro Reich ou fizer apologia do nazismo. Recentemente, em janeiro de 2021, uma resolução da ONU que rejeita e condena qualquer negação do Holocausto, reiterou um movimento mundial em torno dessa questão. É importante ressaltar que a criminalização da apologia ao nazismo surge como um movimento contra o silenciamento desse momento obscuro da história mundial, atribuindo o valor histórico e negativo desse momento, para que ele não seja revivido. 

Em segundo lugar, é importante incitar a discussão entre os estudantes que o neonazismo não é um movimento homogêneo. Não podemos categorizar que todos os grupos, partidos e movimentos nacionalistas de extrema direita são neonazistas, afinal isso vai depender dos símbolos, memórias e personagens que são mobilizados nos discursos desses grupos. Isso é um primeiro cuidado que precisa ser levantado junto aos estudantes, porque muitas vezes a mídia erroneamente acaba realizando essa categorização. Uma outra questão também muito importante é esclarecer como se deu o surgimento desse movimento. Quando acessamos a literatura sobre o assunto, basicamente observa-se que  “os elementos do “novo nazismo” corresponderiam à própria ideologia nazista revigorada, visto que, no período da Guerra Fria até a queda do socialismo, ela sobreviveu, clandestinamente, e reapareceu no momento propício, influenciando e formando grupos neonazistas” (Jesus, Carlos. Akrópolis, Umuarama, v.11, n.2, abr./jun., 2003, p. 67. Disponível em: https://revistas.unipar.br/index.php/akropolis/article/view/333. Acesso em: 05 mar. 2023). 

Dessa maneira, realizada essas reflexões iniciais, espera–se que, com essa aula, os estudantes possam desvendar o conceito de neonazismo e compreender suas particularidades, desenvolvendo um olhar crítico e reflexivo sobre o assunto que cada vez mais está em pauta aqui no Brasil. Segundo pesquisas, a maior concentração de grupos nazistas no Brasil se encontram nas regiões do Sul e Sudeste do Brasil, e inspirados na ideologia nazista, acabam realizando ações e difundido ideias de xenofobia, racismo, homofobia, ódio contra mulheres feministas e judeus (SUGIMOTO, Luiz. Um mergulho no universo neonazista. Jornal da Unicamp, Campinas, 28 set. 2018. Disponível em: https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2018/09/28/um-mergulho-no-universo-neonazista . Acesso em: 05 mar. 2023). 

Logo, se faz importante trazer esse debate para sala de aula, tendo em vista que este é um problema contemporâneo e que tem ganhado cada vez mais força através da internet, que acaba contribuindo para o anonimato, comunicação e divulgação de ideias desses grupos. E para essa nova geração, que não vivenciou a tensão e o peso do que foi holocauto, a discussão dessa temática surge como uma maneira de valorizar a memória na história e trazer à tona a intolerância e o regresso ideológico que o neonazismo representa.

ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo; tradução: Roberto Raposo. 3ª reimpressão São Paulo: Companhia das Letras, 1989. Disponível em: https://marcosfabionuva.files.wordpress.com/2011/08/origens-do-totalitarismo.pdf. Acesso em: 05 mar. 2023.

Brasil. LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm. Acesso em: 05 mar. 2023.

CASTRO, Ricardo Figueiredo de. O negacionismo do Holocausto: pseudo-história e história pública. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, v. 22, n. 2, p. 5-12, jul./dez. 2014. Disponível em:  https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/resgate/article/view/8645773/13072 . Acesso em: 05 mar. 2023.

MILMAN, L., VIZENTINI, P. F. (Orgs.). Neonazismo, Negacionismo e Extremismo Político. Porto Alegre : UFRGS, 2000.

SUGIMOTO, Luiz. Um mergulho no universo neonazista. Jornal da Unicamp, Campinas, 28 set. 2018. Disponível em: https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2018/09/28/um-mergulho-no-universo-neonazista . Acesso em: 05 mar. 2023.

FILMOGRAFIA

A onda (Die Welle), Direção de Dennis Gansel, gênero drama; Alemanha, 2008, 110 min.

A outra história americana. Direção de Tony Kaye, gênero drama. Estados Unidos, 1999, 119 min.

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