Diagnóstico em educação baseada na natureza
Educação infantil
Plano de Aula
Por: Mariana Mas
Este plano é composto por 3 propostas que têm como intenção aproximar os bebês e as crianças bem pequenas do contato com a natureza, de diferentes maneiras e considerando as possibilidades deste grupo etário. Explorar e interagir com materiais não-estruturados, ou de largo alcance (elementos naturais como pedras, folhas, galhos, e outros objetos como tecidos, fitas, etc), em ambientes externos, se possível, é uma das vivências a serem ofertadas. Este plano também prevê experiências que oferecem aos pequenos a oportunidade de perceberem as influências e ações da natureza através das percepções sensoriais (observação do movimento das nuvens, sons do vento, movimento das folhas, cheiro das flores, etc) com a mediação dos adultos de referência, quando necessário.
Em relação aos materiais para as práticas, priorize a utilização de materiais alternativos, orgânicos e naturais, como elementos da natureza que tenham longa duração, como galhos, pedras, conchas, gravetos, folhas secas, sementes, cascas de árvores. Se tiver materiais que possam ser reutilizados (de preferência papeis e tecidos, evitando o uso de plásticos e emborrachados, os quais devem ser destinados para reciclagem), esta é uma alternativa viável, mas é imprescindível dialogar com os/as estudantes sobre consumo consciente e descarte de resíduos.
Este plano está associado ao Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 15 - Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
A observação e contato direto com a natureza e a interação com materiais não-estruturados, ou de largo alcance (elementos naturais como pedras, folhas, galhos, e outros objetos como tecidos, fitas, etc), são excelentes práticas de Educação baseada na Natureza, pois promovem um aprendizado experiencial e sensorial. Isso aguça a curiosidade das crianças a respeito da natureza, desenvolve habilidades como a observação, além de promover benefícios para sua saúde e bem-estar.
De acordo com o manual Benefícios da Natureza no Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes da Sociedade Brasileira de Pediatria “Muitas pesquisas têm demonstrado que, quanto maior a conexão das pessoas com a natureza, maior será o engajamento da sociedade com as questões ambientais e climáticas. Iniciativas que visam restabelecer os vínculos entre crianças e adolescentes com a natureza devem fornecer experiências associadas a sentimentos como conforto, confiança, prazer, exploração, desafio, realização, liberdade para seguir interesses próprios, superação de medos ao ar livre, empatia e cuidado com os outros seres vivos”.
A gente cuida da natureza e a natureza cuida da gente!
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Reconhecimento da Escola e do EntornoVocê conhece as oportunidades da sua comunidade escolar para potencializar uma Educação Baseada na Natureza (EBN)? A EBN propõe o desemparedamento da educação, defendendo o brincar e aprender com e na natureza, convocando nossos corpos a participar ativamente dos processos de aprendizagem e concebendo os ambientes como espaços educadores que também participam deste processo. A gente cuida da natureza e a natureza cuida da gente! Nós somos natureza! Além disso, desemparedar a infância é uma estratégia de enfrentamento à crise climática. Por isso, mapear os espaços, suas potencialidades e desafios, ampliando a percepção sobre as possibilidades existentes de contato com a natureza na escola e no entorno é uma prática a ser incorporada constantemente na organização do trabalho pedagógico, mantendo o currículo vivo e integrado à realidade local. Um bom diagnóstico, além de identificar essas possibilidades e desafios nos espaços físicos, deve incluir uma auto-observação e a observação das experiências de bebês e crianças nesses espaços. E, em um cenário ampliado, abarcar uma investigação sobre a cultura e a percepção das famílias e da comunidade com relação ao convívio com a natureza. Há áreas livres na sua escola ou entorno? Como elas são (sombreadas, ensolaradas, cimentadas, com gramado e áreas verdes etc.)? Os/as estudantes frequentam estes ambientes? Há famílias com hábitos que favorecem o cuidado com a natureza? A comunidade escolar pode fazer alguma intervenção positiva nestes espaços (plantios, limpeza, brinquedos naturalizados etc.)? Essas são algumas provocações que podem inspirar o diagnóstico para uma Educação Baseada na Natureza. Acesse o link e faça o diagnóstico! |
Materiais sugeridos
Equipamentos:
Celular* ou câmera para registro (fotos e/ou vídeos) das experiências e pesquisas dos bebês e Crianças Bem Pequenas.
Materiais não-estruturados (ou de largo alcance):
- Elementos naturais que possam ser encontrados nos espaços externos, como: galhos, folhas, pedras, árvores, flores, tocos de madeira, entre outros.
- Lupas, binóculos, rolos de papel toalha ou papel higiênico
- Caixas ou cestos de palha para a coleta, feitos de materiais recicláveis.
*Fique atento/a professor/a à Lei 15100/2025: a lei não proíbe totalmente o uso de celulares, mas restringe seu uso durante aulas, recreios e intervalos (Art. 2º Fica proibido o uso, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais durante a aula, o recreio ou intervalos entre as aulas, para todas as etapas da educação básica), para que os/as estudantes possam se concentrar nas atividades diárias e interagir com outras pessoas. A utilização para fins pedagógicos com a autorização do/a professor/a e para casos de acessibilidade, saúde e segurança continuam permitidos. Com esta medida o Ministério da Educação tem como intuito proteger a saúde física, mental e psíquica dos/as estudantes, propiciando um ambiente mais saudável e em equilíbrio dentro dos espaços escolares. (Fonte: Ministério da Educação, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2025/fevereiro/restricao-ao-uso-do-celular-nas-escolas-ja-esta-valendo. Acesso: 03/02/2025).
Converse com a equipe pedagógica e faça combinados com os/as estudantes da sua escola para verificar a melhor maneira de se utilizar deste recurso, respeitando-se a Lei.
Grupo etário
Bebês:
(EI01ET03) Explorar o ambiente pela ação e observação, manipulando, experimentando e fazendo descobertas.
(EI01ET05) Manipular materiais diversos e variados para comparar as diferenças e semelhanças entre eles.
(EI01CG02) Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes.
(EI01EF06) Comunicar-se com outras pessoas usando movimentos, gestos, balbucios, fala e outras formas de expressão.
Crianças Bem Pequenas:
(EI02EO03) Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos.
(EI02ET01) Explorar e descrever semelhanças e diferenças entre as características e propriedades dos objetos (textura, massa, tamanho).
(EI02ET02) Observar, relatar e descrever incidentes do cotidiano e fenômenos naturais (luz solar, vento, chuva etc.).
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
Considere os desafios físicos e/ou de comunicação que possam impedir que um bebê, uma criança bem pequena ou parte do grupo interaja com os materiais e espaços e ofereça apoios que atendam cada uma das necessidades e identifique possíveis barreiras. Garanta que o espaço seja seguro para todos, sobretudo para aqueles que não se deslocam com autonomia e antecipe possíveis acidentes (por exemplo, verificando se há formigueiros, abelhas, entre outros). Mantenha-se sempre disponível e por perto do grupo durante as interações, de maneira atenta e ativa. Observe como cada bebê/criança explora o ambiente e os elementos disponíveis e caso sinta necessidade, narre o que está acontecendo, para que algumas ações/ideias se tornem visíveis para todos e acolha-os sempre que necessário.
Perguntas para guiar suas observações
Sabemos que parte essencial do trabalho do/a professor/a é a observação atenta sobre as investigações e interações dos pequenos com os espaços, materiais e entre pares. Para isso, é importante que existam perguntas que possam guiar essas observações que, por sua vez, servirão como referência importante para o planejamento de novas propostas.
Algumas sugestões de perguntas:
- Quais são as escolhas iniciais dos bebês e crianças bem pequenas considerando os materiais disponibilizados?
- De que maneira os bebês e as crianças bem pequenas interagem com os materiais não-estruturados?
- Como acontece a movimentação corporal dos bebês e das crianças bem pequenas?
- Como se dá a relação entre os bebês e as crianças bem pequenas durante as explorações?
- De que maneira utilizam os instrumentos (lupas, binóculos, rolos de papel) ofertados?
- Quais são as expressões que comunicam sensações e percepções dos bebês e das crianças bem pequenas?
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