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Ritmo de aprendizado

O trabalho com a linguagem musical amplia o repertório das crianças de até 3 anos e ensina que a vida é feita de muitos sons

POR:
Faoze Chibli

Pequena Orquestra: na creche, diversos instrumentos de percussão ficam à disposição das crianças.
Foto: Drawlio Joca

Diante dos pequenos, repousam silenciosos e estranhos objetos. Belos na forma, feitos de madeira, metal e outros materiais e reluzentes ao olhar. Pouco a pouco, as crianças vencem a distância, sentem as texturas, pegam, exploram. Qual não é a surpresa geral ao perceber que aquelas coisas produzem sons, tão distintos quanto a fala ou um ruído estridente. Desde a Grécia antiga, 2,5 mil anos antes de Cristo, a música é utilizada na Educação com o propósito de cultuar a harmonia do indivíduo. A própria palavra ritmo vem do grego rhytmós, que originalmente se referia ao vai-e-vem das ondas do mar e, por extensão, passou a significar movimento regular. E ele faz parte da vida: está nas batidas do coração, na respiração, nas estações do ano e, claro, na música. Hoje, sabe-se que o ensino desse conteúdo é fundamental para o desenvolvimento dos pequenos. A música é uma das poucas atividades que mexe simultaneamente com os dois hemisférios do cérebro, e esse estímulo bilateral amplia as vias neurais.

 

Sons e concentração

Na Escolinha Meu Cantinho, em Fortaleza, Joana Angélica da Costa promove uma série de atividades com as crianças de até 3 anos, levando instrumentos para a sala e deixando-os à disposição de todos. Para os menores, ela introduz experiências musicais que favorecem o desenvolvimento da percepção sonora, como imitar vozes ou sons de animais.

A professora - também cantora, atriz e arte educadora - usa um CD de histórias para pedir que a turma produza sons com base em conceitos simples, como grave e agudo. Depois, divididos em grupos, todos ficam prontos esperando o sinal para tocar. "Com isso, trabalhamos um aspecto fundamental: a concentração", diz Joana. Eles também aprendem a distinguir a família do sopro, das cordas e da percussão. No fim, um ditado diferente: alguns pegam instrumentos como o tambor, o xilofone, a flauta e a corneta enquanto o resto da turma, de costas, tenta identificar a que grupo cada um pertence. "Os sons são uma forma de interação com o mundo. Tanto que as primeiras comunicações do bebê são melodias, as lalações", diz Paula Zurawski, formadora do Instituto Avisa Lá e do Instituto de Educação Superior Vera Cruz, em São Paulo. Por isso, é fundamental o educador saber cantar e ter cultura musical.

Selma Petroni, coordenadora e professora do Centro Musical RMF, em São Paulo, diz que a música deve ser um elo entre as mães e os bebês e é importante que as atividades para os de 8 meses a 2 anos sejam acompanhadas por elas. Como nessa faixa etária é bastante difícil manter a concentração, o ideal é trabalhar durante meia hora, uma ou duas vezes por semana. A atividade estimula trocas, com muitas histórias e canções que podem inclusive ter o nome dos pequenos na letra.

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Contatos

Bibliografia

  • Música na Educação Infantil, Teca Alencar de Brito, 208 págs., Ed. Peirópolis, tel. (11) 3816-0699, 46 reais

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