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Fantasia, realidade e filosofia se encontram na obra de Jorge Luis Borges

POR:
Anna Rachel Ferreira

Na última terça-feira, 14 de junho, completamos 30 anos sem o argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) entre nós. Ok, eu sei que todo mês alguém faz aniversário de vida ou de morte. Então, por que falar de Borges?

Certo dia, durante uma aula de Literatura, quando eu me preparava para prestar o vestibular de Jornalismo, a professora trouxe um conto chamado O Outro, de Borges. Nele, o autor se encontra com ele mesmo mais velho no banco de uma praça em Genebra e começa a conversar. Aquele papo entre os dois Borges foi me chamando de tal modo que me senti sentada na frente dos dois, virando a cabeça de um lado para o outro a fim de não perder nenhuma vírgula do que eles estavam falando. Após a leitura, fiquei tentando entender como aquele diálogo poderia existir. Foi aí que a docente nos introduziu ao realismo fantástico.

Quando ouvi essa expressão, comecei a pensar… O texto era bastante verossimilhante: Trazia a descrição do lugar, o narrador me contava como ele estava se sentindo no momento e como se sentiu depois do acontecido. Era uma confissão sendo sussurrada para mim. Por outro lado, eu sabia que não dá para alguém vir do futuro ou do passado e conversar consigo mesmo. Pelo menos, eu só vi esse tipo de coisa acontecer em De Volta para o Futuro (Robert Zemeckis, 116 min). Fiquei muito encantada. E realismo fantástico é isso, unir a realidade palpável com a que pode existir na cabeça de qualquer escritor e que povoará a mente dos leitores.

Ao longo da minha vida leitora, fui conhecendo outros autores que também produziam obras de realismo fantástico, como o colombiano Gabriel Garcia Marquez (1927-2014), o argentino Julio Cortazar (1914-1984) e o moçambicano Mia Couto. Esses nomes me fizeram ficar cada vez mais intrigada com esse tipo de literatura. Confesso que, por diversas vezes, me frustrei por perceber que algo estava sendo dito, mas não conseguir enxergar completamente o que era. Quando isso acontecia, mesmo um pouco frustrada, eu me sentia instigada em procurar mais.

Como tudo na vida, existem particularidades entre cada autor do realismo fantástico. Para entender melhor o que faz Borges ser Borges, falei com a Ana Lúcia Trevisan, professora de literatura brasileira e literatura hispano-americana, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. “O realismo fantástico dele sempre traz uma reflexão filosófica sobre o homem e a vida. Por ter sido um grande intelectual, suas referências remetem às religiões antigas e filosofia. E, em geral, ele traz seus pensamentos na forma de poesia e contos”, Ana resumiu para mim.

Fiquei aqui pensando sobre qual seria o melhor caminho para se ter uma primeira experiência com autor. Borges não é fácil. Um de seus atrativos é justamente o desafio em lê-lo. O conto O Outro foi uma boa porta de entrada para mim, pois pensar sobre questões da velhice sempre me são convidativas. Inclusive o nosso diretor editorial e de produtos, Leandro Beguoci, – um grande fã da literatura borgiana – recomenda o livro em que ele está publicado, O Livro de Areia (112 págs., 37,90 reais). Mas, Ana deu uma boa dica para eu passar para vocês. Ela nos recomendou o livro Ficções (176 págs., 42,90 reais), primeira publicação em contos do autor argentino. “Nesse livro, o leitor sentirá o estranhamento que o acompanhará por toda a leitura do escritor. É como se ele marcasse a forma como fará ficção durante sua carreira”, explica.

Borges, como bem me explicou Ana, possibilita diversas leituras. Muitas vezes, você pode lê-lo como uma narrativa policial ou uma anedota. Mas, não se engane, ele sempre quer dizer mais do que isso e quanto mais camadas você adentra, mais encantado fica.

Vocês conhecem as obras de Borges ou de outros autores do realismo fantástico? Quais vocês mais gostam? Contem aqui nos comentários.

Até o próximo post!

Anna Rachel

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