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Prova Brasil: use os dados com cuidado

A divulgação dos resultados do exame coloca em pauta a discussão sobre o quanto as avaliações externas podem interferir no planejamento escolar

por:
Quem somos Wellington Soares
Wellington Soares
Prova Brasil. Ilustração: André Menezes

Este ano serão divulgados os resultados de mais uma edição da Prova Brasil. Como retrato da Educação brasileira, a importância do exame é inegável: ele fornece um panorama nacional dos avanços e das dificuldades em Língua Portuguesa e Matemática no 5º e 9º anos do Ensino Fundamental. Os problemas começam quando se utiliza a prova para ações que extrapolam sua finalidade. Estamos falando, sobretudo, das decisões pedagógicas sobre o "que" e "como" ensinar baseadas apenas no desempenho dos alunos.

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Explicando melhor: tem sido cada vez mais comum o hábito de "preparar" os alunos para o exame por meio de formas que variam desde a aplicação de simulados até a alteração dos conteúdos curriculares, que passam a enfatizar os descritores avaliados. Ou seja, foca-se aquilo que "pode cair na prova".

Tal prática nem sempre é desinteressada. A razão (não muito) oculta está nos bônus salariais por desempenho concedidos em diversas redes. Também não se trata de história nova. Reproduz-se, em certo grau, o que ocorreu no Ensino Médio com a disseminação dos exames vestibulares e, mais recentemente, do Enem. Na prática, essas avaliações pautam boa parte do que se ensina hoje nessa etapa de ensino.

Agir assim é um equívoco - e por várias razões. Primeiro, por revelar uma concepção funcionalista do ensino. É o caso de perguntar: a Educação é para construir uma sociedade melhor ou para passar num exame? Segundo, porque o exame - como todo exame - tem limitações. Deixa de fora importantes áreas do saber e mesmo conteúdos clássicos das disciplinas avaliadas. Exemplo: no exame de Língua Portuguesa do 5º ano, aborda-se apenas a leitura. Com isso, os professores deixam de trabalhar a produção de textos. Isso sem falar nos conteúdos procedimentais (relativos, por exemplo, a metodologias de pesquisa) e os atitudinais (referentes à ética e a convivência em sociedade). Ambos são essenciais, mas não tem espaço na prova. Aliás, dificilmente poderiam ser aferidos por meio de um exame escrito.

Só a escola conhece o que seus alunos realmente sabem e o que precisam aprender. Avaliações internas, portfólios, projetos realizados e a observação em sala de aula constituem um rico conjunto de dados que não pode ser descartado em favor da avaliação externa. Exames como a Prova Brasil possuem grande valor. O ideal é que ela seja mais um item do menu de instrumentos de análise do ensino e aprendizagem. Não o único, nem o mais importante.

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