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Inove | Coluna Helena


Por: Helena Singer

Jovens engajam na questão ambiental e fazem a diferença

No mundo todo, a juventude lidera e produz mudanças positivas para o meio ambiente

Aos 16 anos, a sueca Greta Thunberg já fez história: iniciou um movimento jovem global ao protestar diante do Parlamento de seu país contra as mudanças climáticas.

No Brasil, nossos jovens também estão engajados na urgente questão ambiental. Um deles é Luan Torres, 17 anos, que está no último ano do Ensino Médio na rede pública de São Bento do Una, no árido interior de Pernambuco. Diante da fome e do desmatamento, ele e os colegas criaram o Centro de Apoio Social e Ambiental (CASA). A iniciativa promoveu arrecadação de alimentos, mutirões de limpeza de rio e distribuição de sabão líquido ecológico  para as casas afetadas por enchentes.

O próximo passo é o plantio de frutíferas. Vitor Zanelatto, da mesma idade, também está concluindo o Ensino Médio em uma escola pública, mas na outra ponta do Brasil: Atalanta, em Santa Catarina, na Mata Atlântica. Vitor explica que todos os rios da cidade nascem ali, por isso está nas mãos de seus habitantes o dever de limpá-los. Para combater o problema, criou, aos 14 anos, o Plantando o Futuro: em três anos já plantou 2 mil árvores e fez 80 ações formativas em escolas. Rhenan Cauê, de 13 anos, é outro estudante de escola pública dedicado à causa. 

Em Araguatins, ele e os colegas mobilizaram- se para a limpeza do Córrego do Brejinho, afluente do Araguaia. Com o rio limpo, os meninos fazem campanha em prol das mudas que vão dar origem a um parque ecológico.

Na Amazônia, Luiza Falcão, Henrique e Ednei Arapiun, todos com menos de 20 anos, organizam- se para ocupar os espaços de decisão sobre as questões que afetam as vidas das populações da mais rica região em biodiversidade do mundo. Ela, estudante da Universidade Federal do Amazonas e eles, moradores da Reserva Extrativista do Tapajós/Arapiuns, cada um em seu meio, almejam que os jovens sejam ouvidos e respeitados. O que estes meninos e meninas comprovam é que todos têm imensa capacidade de produzir mudanças, liderando processos nos seus contextos imediatos, em nível nacional e até mesmo em nível mundial. Imaginem se todas escolas estimulassem a juventude a fazer o mesmo?


Helena Singer é doutora em Sociologia e líder da Estratégia de Juventude para a América Latina na Ashoka. Foi assessora especial do MEC

Foto: Tomás Arthuzzi/NOVA ESCOLA