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Sem medo de encarar os "nativos digitais"

Os jovens, todo professor sabe, têm mais intimidade com as novas tecnologias. Daí a importância de saber usar essas ferramentas a favor da aprendizagem dos conteúdos curriculares. Veja como

POR:
Alexandre Garcia

Nascidos após o surgimento da internet, os estudantes têm acesso fácil às informações. Cabe ao professor agregar a sua experência a esse conhecimento e tornar a aprendizagem mais rica e proveitosa

Postar, compartilhar, tuitar, fazer downloads e uploads de arquivos. Cada vez mais esses termos, comuns em conversas de adolescente, integram o dia a dia da sala de aula. Afinal, as chamadas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) são instrumentos valiosos para enriquecer a prática pedagógica. O que falta, concordam especialistas, é tornar mais harmônica a relação entre os docentes e os chamados "nativos digitais", que nasceram e cresceram no mundo pós-internet. "Todo professor deve entender que precisa deixar de ser um 'repetidor de informação' para ser aquele que, além de orientar o aluno a como estudar, agrega sua experiência à informação obtida nos equipamentos eletrônicos, tornando a aprendizagem muito mais rica, emocionante e proveitosa", diz Waldomiro Loyolla, coordenador técnico do Programa Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).

Daí a importância de dominar as TICs. "A tecnologia pode e deve fazer parte das aulas de todas as disciplinas e ser usada sempre a serviço do ensino dos conteúdos curriculares", completa o pesquisador e coordenador associado do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) José Armando Valente. Segundo ele, é inegável que a maioria dos professores lida com as novas tecnologias de maneira diferente de seus alunos, mais acostumados a essas ferramentas. "O que vale é entender como os alunos usam esses equipamentos fora da sala de aula para planejar seu uso em classe", afirma Valente.

Uma possível estratégia é pedir que os alunos mais familiarizados com a tecnologia ensinem colegas e professores a dominá-las melhor. Confira, a seguir, algumas possibilidades sugeridas pelos especialistas.

Redes sociais Orkut, Facebook e Twitter As duas maiores redes sociais do Brasil, o Orkut (orkut.com) e o Facebook (facebook.com), permitem a criação de comunidades para a discussão de assuntos específicos de cada disciplina. É possível determinar quem acessa os conteúdos e acompanhar a interação de cada estudante. Cabe ao professor provocar e mediar as discussões, indicando conteúdos, vídeos, links e imagens. Já o microblog Twitter (twitter.com) costuma ser usado para reforçar conceitos e ideias apresentadas em sala. Como só permite postagens com no máximo 140 caracteres por mensagem, ele é útil para propor links e testar a capacidade de coesão dos alunos na hora de escrever.

Compartilhamento online Google Docs e Slideshare As duas plataformas podem ser usadas como repositório para o compartilhamento online de apresentações e documentos. No Slideshare (slideshare.net), que guarda apresentações no formato powerpoint, uma sugestão é postar os trabalhos produzidos em sala, criando um espaço de troca de conhecimento. O papel do professor também deve ser o de mediador, indicando materiais de pesquisa e validando os conteúdos encontrados. Já o Google Docs (docs.google.com) permite o acompanhamento da produção de trabalhos na forma de textos, apresentações e imagens. No caso de trabalhos em grupo, ele permite verificar quem fez o que ao longo da tarefa. Os alunos podem acessar e modificar os trabalhos a qualquer momento, inclusive simultaneamente, o que facilita o planejamento das atividades.

Blogs Plataforma que permite que os estudantes revelem o que aprenderam, o blog funciona como uma rede de troca de informações, uma vez que incentiva a construção da identidade do aluno como autor e estimula a pesquisa prévia e o aprofundamento nos assuntos tratados pelos jovens, pois todo conteúdo postado passa a ser público.

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