Malala e Satyarthi: Nobel da Paz para a Educação em 2014

A paquistanesa e o indiano ganharam destaque por seu trabalho em favor dos direitos de crianças e jovens

POR:
Elisa Meirelles
=== PARTE 1 ====
Nobel da Paz - Malala e Sathyarthi. Reprodução/Nobel Prize 2014
Malala e Sathyarthi recebem Nobel da Paz e exigem ações concretas dos governantes

A paquistanesa Malala Yousafzai e o indiano Kailash Satyarthi receberam na quarta-feira (10), em Oslo, Noruega, o Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra a exploração de crianças e jovens e pelo direito de todos à Educação. A cerimônia foi marcada por discursos acalorados dos ativistas, que conclamaram todos à ação, lembrando que a garantia dos direitos humanos é urgente.

Malala e Satyarthi foram enérgicos em dizer que apenas debater a Educação não é suficiente para mudar a realidade atual. "Não é hora de dizer aos governantes que Educação é importante. Eles já sabem disso, tanto que colocam os próprios filhos em boas escolas. Agora é hora de chamá-los a tomar uma atitude para com o resto das crianças do mundo", disse ela.

"Eu me recuso a aceitar que todas as leis e constituições não conseguem proteger nossas crianças", enfatizou Satyarthi. "Toda criança tem de ser livre para ser criança, para crescer em segurança, comer, dormir e ver a luz. Livre para rir e chorar, para brincar, aprender e ir à escola. E, principalmente, livre para sonhar".

Segundo os organizadores do Nobel, a premiação enfatiza a importância de se proteger a infância mundo a fora. "Crianças têm de ir à escola e não podem ser financeiramente exploradas. Nos países pobres, 60% da população têm até 25 anos. Respeitar os direitos dessas pessoas é pré-requisito para a paz mundial", afirmaram representantes do comitê responsável pela premiação.

Confira a cerimônia na íntegra (em inglês)

Conheça os ganhadores do Nobel

Kailash Sathyarthi
Engenheiro de formação, Satyarthi abandonou uma carreira promissora no setor elétrico, na década de 1980, para lutar pelo fim do trabalho infantil. Ao longo dos últimos 30 anos, o ativista ajudou a libertar mais de 80 mil crianças de situações degradantes de exploração e escravidão, muitas delas recrutadas por meio de sequestros ou entregues a organizações terroristas por famílias pobres e endividadas.

Diferentemente do senso comum, Satyarthi defende que não é a pobreza que leva ao trabalho infantil, mas o contrário: é a exploração das crianças que mantém a situação de miséria geração após geração. Segundo ele, a Educação é a base para libertar essa população da situação em que vive.

Para tanto, são necessários mecanismos que mantenham as crianças na escola. O modelo proposto pelo indiano consiste em garantir a oferta de Educação e amparar as famílias para que os filhos possam estudar. Satyarthi criou diversas organizações dentro e fora de seu país de origem voltadas a esse objetivo. Um exemplo é a Rugmark, consórcio de importadores e exportadores de tapetes lançado em 1994. A iniciativa consiste em acompanhar e fiscalizar a produção para garantir que não haja trabalho infantil e que os adultos recebam um salário justo.

Outro grande feito do ativista foi a Marcha Global contra o Trabalho Infantil, que reuniu sete milhões de pessoas ao redor do mundo, em 1998, e culminou na aprovação da Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) contra as piores formas de trabalho infantil.

Malala Yousafzai

A mais jovem ganhadora do Nobel da Paz tornou-se o símbolo da luta pelo direito das meninas à Educação. Nascida no Vale do Swat, no Paquistão, Malala Yousafzai, 17 anos, começou cedo sua trajetória em prol da Educação. A história da garota está diretamente ligada à de seu pai, Ziauddin Yousafzai. Professor e ativista dos direitos humanos, ele construiu uma escola para meninos e meninas paquistaneses e passou a defender o acesso das mulheres ao conhecimento.

Malala cresceu entre livros e sempre viu na escola a oportunidade de realizar seus sonhos. Os planos começaram a ficar mais difíceis com a ascensão do talibã em seu país. Contrários aos diretos das meninas, os extremistas passaram a exigir o fechamento das turmas femininas e a impor regras mais duras para a circulação de mulheres nas ruas.

Malala e seu pai iniciaram, então, uma luta publica contra o talibã. Ziauddin Yousafzai começou a falar no rádio e a questionar as novas regras, exigindo que o governo garantisse o direito constitucional das mulheres à escola. Nesse período, a família foi procurada pela BBC e Malala, então com 11 anos, começou a escrever um blog sobre como era viver no Vale do Swat, usando um pseudônimo. A iniciativa durou pouco tempo, mas fez com que a garota se tornasse conhecida.

A situação começou a melhorar, as escolas foram reabrindo e tudo parecia mais tranquilo. Foi então que, no dia 09 de outubro de 2012, um homem armado entrou no ônibus escolar em que Malala estava e atirou contra ela, ferindo também suas colegas. Socorrida às pressas, a ativista foi internada no Paquistão, depois transferida para Inglaterra, e sobreviveu. Desde então, a família vive no Reino Unido e a luta da garota ganhou força.

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