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Saiba | Currículo


Por: Tory Oliveira

Como se organiza o currículo de outros países?

Pesquisa da Unesco compara bases comuns curriculares de Brasil, Finlândia, Camboja, Quênia e Peru, mostrando pontos positivos e negativos de cada proposta

Em 2018, a Unesco analisou, por meio do Bureau Internacional de Educação, os quadros curriculares nacionais do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru. Embora partam de realidades muito diferentes, que vão do modelo de governo ao grau de investimento do PIB em Educação, todos os cinco países estabeleceram um documento sobre o currículo educacional, bem como reformas no setor, nos últimos anos. “O currículo conduz todos os aspectos centrais da educação que determinam a qualidade, a inclusão e a relevância, tal como o conteúdo, a aprendizagem, o ensino, a avaliação e os ambientes de ensino e aprendizagem, entre outros. É por meio do currículo que podemos compreender os objetivos, o imaginário social e as aspirações que um país deseja alcançar”, diz o estudo, cujo objetivo foi analisar até que ponto os países apresentam e discutem seus sistemas educacionais. Conheça as principais características dos países e suas bases nacionais para o currículo.

BRASIL

Nome: Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
Criação: 2017
Visão geral: Estruturado a partir de dez competências, o documento foi discutido por quatro anos, com várias modificações, até sua versão final.
Pontos positivos: Expressa a igualdade, a diversidade e a equidade como valores fundamentais para a Educação. Os conteúdos das disciplinas devem ser adaptados ao contexto local, organizados de forma interdisciplinar e ensinados de modo a envolver o estudante na aprendizagem.

Pontos negativos: Embora diga que o currículo deve considerar todas as modalidades de ensino, inclusive a Educação para Jovens e Adultos (EJA), indígena, rural e quilombola, a BNCC não traz especificações sobre essas modalidades em suas páginas.
Forma de governo: República Federativa Constitucional
Nº de habitantes: 208 milhões
Alfabetizados: 92%
Nº de professores: 2,2 milhões
Nº de matrículas: 48,5 milhões
Investimento em educação: 5,9% do PIB (2014)

CAMBOJA

Nome: Projeto Quadro Curricular da Educação Geral e Técnica 
Criação: 2015
Visão geral: São oito objetivos: a aquisição de habilidades em línguas (khmer e estrangeiras), ciência, tecnologia, tecnologias da informação e comunicação (TIC), civismo, pensamento crítico e aprendizagem ao longo da vida.
Pontos positivos: A descrição das competências mostra como os estudantes devem estar munidos de habilidades práticas que podem beneficiar sua vida cotidiana em contextos regionais e mundiais.
Pontos negativos: Não menciona explicitamente a inclusão de temas transversais em todas as disciplinas, como a educação em direitos humanos e a igualdade de gênero.
Forma de governo: Monarquia Constitucional Parlamentarista
Nº de habitantes: 16,4 milhões
Alfabetizados: 80,5%
Nº de professores: 600 mil
Nº de matrículas: 3,2 milhões
Investimento em educação: 1,9% do PIB (2014)

FINLÂNDIA

Nome: Base Nacional Curricular para a Educação Básica
Criação: 2014
Visão geral: Há quatro valores principais: a singularidade do estudante e o direito a uma boa educação; humanidade, conhecimentos gerais, igualdade e democracia; diversidade cultural como uma riqueza; e a necessidade de uma forma de vida sustentável.
Pontos positivos: Há descrição de competências transversais em quase todas as disciplinas e o texto também amplia seu escopo para além das escolas, indicando ações em clubes, bibliotecas e o meio de transporte escolar. Com isso, atua sobre todas as áreas que possam influenciar a aprendizagem dos estudantes.
Pontos negativos: Ausência de mensagem de um diretor-geral.
Forma de governo: República Parlamentarista Nº de habitantes 5,5 milhões
Alfabetizados: 99%
Nº de professores: 44 mil
Nº de matrículas: 539 mil (2016)
Investimento em educação: 7,2% do PIB (2014)

QUÊNIA

Nome: Quadro Curricular da Educação Básica do Quênia
Criação: 2017
Visão geral: O documento é estruturado em torno de sete competências: comunicação e colaboração, autoeficiência, pensamento crítico e solução de problemas, criatividade e imaginação, cidadania, alfabetização digital e “aprender a aprender”.
Pontos positivos: Há uma seção para os estudantes com deficiência, com um currículo específico incluído no documento. O currículo é orientado para as necessidades do indivíduo, de modo a permitir que levem uma vida independente.
Pontos negativos: Não estabelece particularmente um processo específico de monitoramento e avaliação do quadro curricular.
Forma de governo: República Presidencialista
Nº de habitantes: 49,7 milhões
Alfabetizados: 78%
Nº de professores: 242 mil
Nº de matrículas: 12,2 milhões (2016)
Investimento em educação: 5,3% do PIB (2015)

PERU

 

Nome: Currículo Nacional da Educação Básica (CNEB)
Criação: 2016
Visão geral: O CNEB do Peru indica 31 competências que devem ser desenvolvidas, 29 delas para todos os níveis educacionais e duas específicas à educação religiosa, que é uma disciplina opcional.
Pontos positivos: É incentivada a construção de laços emocionais entre docentes e estudantes, com vistas às habilidades sociais, emocionais e cognitivas. O documento também destaca a importância do compromisso ativo da família no processo de aprendizagem do aluno
Pontos negativos: Não contém mensagem do ministro da Educação. Embora cite a avaliação em sala de aula e a nacional, não especifica como se dará o monitoramento do CNEB.
Forma de Governo: República Presidencialista
Nº de Habitantes: 32 milhões
Alfabetizados: 94%
Nº de professores: 510 mil (2018)
Nº de matrículas: 7,8 milhões (2018)
Investimento em educação: 3,8% do PIB (2015)

É SUFICIENTE?
O Brasil aplica 5,9% do PIB no setor, acima da média dos países da OCDE. No entanto, o valor anual por aluno é considerado baixo para os desafios da Educação brasileira.
3,7 mil dólares por aluno* (Brasil)
8,7 mil dólares por aluno* (OCDE)
*por ano

Fontes: Análise comparativa dos quadros curriculares nacionais de cinco países: Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru (IBE/UNESCO), Censo Escolar, CIA Database