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Como trabalhar as quatro práticas de linguagem previstas na Base

Compreender a estrutura do documento, que prevê o desenvolvimento de leitura, escrita, oralidade e semiótica, ajuda a planejar melhor as aulas

Autor: Rosi Rico

Entender como a BNCC está organizada é essencial para compreender o que ela propõe e, assim, conseguir utilizá-la como ferramenta de suporte ao planejamento escolar. No caso de Língua Portuguesa, o documento divide as práticas de linguagem em quatro categorias:

- Leitura/escuta
- Escrita
- Oralidade
- Análise linguística/semiótica

Para ajudar você a compreender o que significa na prática trabalhar cada uma dessas práticas, NOVA ESCOLA preparou um resumo de cada uma delas. Aqui, o foco são os dois primeiros anos do Ensino Fundamental, definidos como o período em que a ação pedagógica é voltada para a alfabetização.

Práticas de linguagem


Leitura/escuta (compartilhada e autônoma)

O objetivo é ampliar o letramento já iniciado na Educação Infantil e na família, por meio da progressiva incorporação de estratégias de leitura, compartilhada e autônoma, em textos de diferentes complexidades.

Vale lembrar que o documento considera a leitura para além do texto escrito, incluindo imagens estáticas (foto, pintura, desenho, ilustração, infográfico etc.) ou em movimento (filmes, vídeos etc.) e som (áudios e música), que circulam em meios impressos ou digitais. 


Escrita (compartilhada e autônoma)

O documento propõe construir o domínio progressivo da habilidade de produzir textos em diferentes gêneros, sempre tendo em vista a interatividade e a autoria. Nos primeiros anos, isso representa saber para que serve a escrita e como ser capaz de começar a praticá-la. Para construir esse conhecimento, a indicação é levar à sala de aula situações reais de uso da língua, para que as crianças tenham bons motivos para escrever. Ainda que elas não estejam plenamente apropriadas do sistema de escrita alfabética, o professor pode adotar estratégias. Uma delas é simplesmente deixar que os alunos escrevam, de acordo com suas possibilidades, ainda que de maneira não convencional. Ele também pode servir, inicialmente como escriba para a turma e, em salas em que algumas crianças já escrevem convencionalmente, elas podem servir de escriba para os colegas.

Nesse processo, o professor deve mostrar que a produção de um texto envolve pensar nas respostas para quatro perguntas fundamentais: quem escreve, qual é o objetivo, quem vai ler e onde será publicado. No começo, o próprio docente deve apontar para os alunos esses pontos, até que, aos poucos, eles sejam capazes de uma reflexão autônoma.

Para perceber, por exemplo, a importância de, na hora de escrever, pensar no leitor, o professor pode sugerir que as crianças troquem entre si os textos que fizeram para que colegas leiam e falem o que entenderam. Assim, primeiro elas poderão observar o comportamento de um leitor real, o que irá ajudá-las a, depois, pensar no leitor virtual de todo texto que forem produzir. Ao compreender o contexto de produção, se tornarão capazes de perceber como essas definições interferem na maneira como se escreve. E como, a depender do que querem, ou precisam, dizer, há um gênero textual que ajuda no como fazer isso.


Oralidade

A inclusão desse eixo reforça que o oral também é objeto de estudos, algo que já estava nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). O documento reconhece que a aprendizagem das características discursivas e das estratégias de fala e escuta ocorre por meio do uso, da interação com o outro. Nos anos iniciais, o objetivo é aprofundar as experiências iniciadas na Educação Infantil e na família. O professor deve promover discussões com intencionalidade para além da tradicional roda de conversa. Pode ser uma exposição oral sobre um estudo que estão fazendo ou a argumentação para definir uma regra de convivência. Neste último caso, o docente pode formular questões, tais como: pode trazer espada para a sala de aula no dia do brinquedo? Em todas as situações, as interações não precisam ficar apenas entre aluno e professor. Dá para estimular as crianças a escutar, prestar atenção e comentar o que o colega falou.



Análise linguística/semiótica (alfabetização)

Essa prática articula-se com as demais e indica explicitamente a sistematização da alfabetização, com a proposta de reflexões sobre o sistema de escrita alfabética e o funcionamento da língua e de outras linguagens.

Observação importante: as práticas de linguagem não são estanques. Há articulações entre elas. Ao trabalhar uma produção de texto, é possível, por exemplo, realizar entrevistas (oral) com registros (escrita), ler textos modelares do mesmo gênero (leitura) e transformar a entrevista em texto escrito (análise linguística).

A BNCC aponta também a necessidade de ensinar as especificidades de cada prática de linguagem também nas mídias digitais. Neste caso, o professor deve fazer um uso pedagógico da tecnologia e estimular a visão crítica dos alunos sobre a utilização das ferramentas digitais, considerando também os aspectos éticos, estéticos e políticos.