Plano de Aula
Plano de aula: Aptidão física para a saúde, acesso para todos
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Descrição
Neste plano os estudantes irão retomar os conceitos de aptidão física e identificar quais são as variáveis físicas relacionadas à aptidão para saúde. Além disso, irão discutir sobre o acesso às práticas corporais para todos os indivíduos.
Habilidades BNCC:
Objeto de conhecimento
Ginástica de condicionamento físico.
Objetivos de aprendizagem
- Reconhecer os conceitos de aptidão física.
- Identificar as variáveis da aptidão física relacionada à saúde.
- Relacionar as estruturas corporais (articulações, músculos, pulmões, coração) às capacidades físicas de força e resistência muscular, flexibilidade e resistência cardiorrespiratória.
- Experimentar exercícios físicos relacionados à aptidão física para saúde.
- Discutir sobre o acesso das pessoas à informação sobre atividade física.
- Estar apto a disseminar conhecimentos que levem as pessoas a envolver-se em práticas corporais com o objetivo de melhorar a aptidão física para a saúde.
Competências gerais
1. Conhecimento
8. Autoconhecimento e autocuidado
Em anos anteriores os estudantes aprenderam alguns termos que deverão ser retomados neste plano. O primeiro refere-se às estruturas corporais e a sua relação com as capacidades físicas.
Estruturas corporais
São as estruturas do corpo que nos permitem realizar movimentos, constituídas por: ossos, articulações, coração, pulmões, cérebro e sistema nervoso.
A relação entre as capacidades físicas relacionadas à saúde e as estruturas corporais predominantes são:
FLEXIBILIDADE: ossos, articulações, músculos, cérebro e sistema nervoso.
FORÇA MUSCULAR: ossos, articulações, músculos, cérebro e sistema nervoso.
RESISTÊNCIA MUSCULAR: ossos, articulações, músculos, cérebro e sistema nervoso.
RESISTÊNCIA CARDIORRESPIRATÓRIA: ossos, articulações, músculos, coração, pulmões, cérebro e sistema nervoso.
Outra informação importante a ser considerada é a de que a atividade física se refere a todo movimento corporal que requer gasto energético, enquanto o exercício físico refere-se a uma atividade programada/sistematizada, com movimentos executados de maneira planejada e com objetivos específicos, contribuindo para a melhora da aptidão física.
A aptidão física se refere ao desenvolvimento do potencial humano que possibilita movimentar-se em diferentes contextos, com sentidos e significados específicos, isto é, para jogar voleibol em nosso lazer, precisamos empregar a força para realizar os saltos e a mesma força muscular está presente nos movimentos realizados no cotidiano ao subir os degraus de uma escada e ainda para os atletas no esporte realizarem os chutes nas lutas, visando atingir o adversário. Para Hoffman & Harris (2002, p. 453), a aptidão física se refere a
(a) capacidade desenvolvida por meio do exercício que permite que o indivíduo realize atividades da vida diária, engaje-se no estilo de vida ativo no lazer e tenha a energia suficiente para suprir as demandas das emergências inesperadas; (b) habilidade de realizar atividade física moderada e vigorosa sem fadiga.
Seguindo a mesma ideia, Guedes (1995, p.52) define aptidão física como
“um estado dinâmico de energia e vitalidade que permite a cada um não apenas a realização das tarefas do cotidiano, as ocupações ativas das horas de lazer e enfrentar emergências imprevistas sem fadiga excessiva, mas, também, evitar o aparecimento das funções hipocinéticas, enquanto funcionando no pico da capacidade intelectual e sentindo uma alegria de viver”. Propõe também que a aptidão física seria a capacidade de realizar esforços físicos sem fadiga excessiva, garantindo a sobrevivência de pessoas em boas condições orgânicas no meio ambiente em que vivem.
Assim, a aptidão física pode ser aprimorada para o desempenho esportivo, como, por exemplo, uma pessoa que corre frequentemente e participa de provas de corrida de rua quer melhorar o seu tempo de 10 km, para isso, envolve-se com um programa de exercícios físicos prescritos por um profissional da Educação Física visando melhorar a sua aptidão física.
A aptidão física também pode ser aprimorada para melhorar aspectos físicos relacionados à saúde. Neste caso, algumas variáveis específicas são aprimoradas, como as capacidades físicas de força muscular, flexibilidade, resistência muscular e resistência cardiorrespiratória; e a composição corporal. Para Hoffman & Harris (2002, p. 453), a aptidão física relacionada à saúde pode ser “desenvolvida por meio das experiências e atividades físicas e se refere às capacidades e às características que são associadas com baixo risco de doenças hipocinéticas.”
Sedentarismo e atividade física
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as práticas de esporte e atividade física mostraram que o índice de sedentarismo no Brasil é muito alto, atingindo cerca de 47% da população (IBGE, 2015). A pesquisa também mostrou que, quando retiramos as modalidades esportivas (futebol, basquete, ciclismo, etc.), as atividade físicas mais relatadas foram a caminhada, em primeiro lugar (24,6,1%), e o fitness e academia, em segundo lugar (9%).
Atividade física e nível socioeconômico
Propomos aqui uma reflexão sobre os resultados da pesquisa acima e podemos concluir que: (1) o nível de sedentarismo no Brasil é muito alto; (2) a atividade física mais praticada é a caminhada; (3) a atividade física mais praticada é limitada em desenvolver todas as capacidades físicas relacionadas à saúde (força muscular, flexibilidade, resistência muscular e resistência cardiorrespiratória); (4) o segundo lugar entre as atividades físicas mais praticadas depende, na maioria das vezes, de profissionais, materiais e espaços específicos para a prática, muitas vezes acessíveis somente por meio de pagamento; (5) desenvolver as variáveis físicas relacionadas à saúde não depende das pessoas se matricularem em academias de ginástica, clubes ou outras instituições pagas que promovem exercício físico.
O emprego e a utilização correta dos termos
Outro aspecto importante relacionado à pesquisa se refere à falta de clareza na utilização e ao nível de conhecimento das pessoas sobre o tema. Existe muita confusão entre os termos utilizados para se definir uma série de manifestações e práticas que têm objetivos e características diferentes, mas que são tratados da mesma maneira pela população em geral. Atividade física, exercício físico, aptidão física, esporte, ginástica, entre outros, estão entre estes termos.
O termo esporte é polissêmico e frequentemente é empregado para definir se alguém realiza alguma atividade física ou não. Podemos constatar este fato nos discursos informais em que as pessoas relatam o esporte que praticam: “Eu faço caminhada todos os dias.” É importante que nas aulas de Educação Física os estudantes consigam diferenciar os termos e utilizá-los corretamente nas discussões sobre o assunto.
Aqui procuramos unir o que foi dito no início sobre as confusões entre exercício físico e atividade física com os resultados da pesquisa.
- As pessoas praticam pouca atividade física, pois confundem atividade física com exercício físico, ou seja, acham que dependem de um profissional de Educação Física para orientá-las e/ou um local específico para a prática, que demandaria gastos?
- Se as pessoas tivessem mais informação sobre como realizar atividades físicas sem a necessidade de investimento financeiro seriam menos sedentárias?
Essas questões aparentam ter um “sim” como resposta, pois a prática de atividades físicas no Brasil é influenciada de modo muito importante pela condição socioeconômica.
O Relatório Nacional de Desenvolvimento Humano do Brasil, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, mostrou que
Os grupos que têm menor percentual de praticantes de AFEs (Atividades Físicas e Esportivas) são os de baixo nível de instrução (independentemente do sexo), os de menor rendimento e de idade mais avançada. (PNUD, 2017, p.102)
Esse fato traz para as aulas de Educação Física a importância de se refletir sobre como pode-se aumentar o acesso de pessoas de baixa renda a atividades físicas que possam contribuir com a melhora da aptidão relacionada à saúde.
Em primeiro lugar, é importante considerar que o número de pessoas que praticam atividades físicas regulares no Brasil é muito baixo. Observe o gráfico a seguir retirado do site IBGE Educa.
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O relatório do PNUD utilizou-se de dados do IBGE para investigar os motivos pelos quais as pessoas não se envolvem com a prática de atividade física ou esportiva. A seguir encontra-se uma tabela com os dados divididos por faixa etária e os motivos referidos.
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É importante dialogar com os estudantes sobre como poderiam, a partir das aprendizagens deste plano, elaborar uma proposição em conjunto que pudesse contribuir para que as pessoas no seu entorno se envolvessem com atividade física.
Neste plano, retomamos alguns conceitos aprendidos em anos anteriores que seguem para consulta.
Atividade física é um comportamento que envolve os movimentos voluntários do corpo, com gasto de energia acima do nível de repouso, promovendo interações sociais e com o ambiente, podendo acontecer no tempo livre, no deslocamento, no trabalho ou estudo e nas tarefas domésticas. (BRASIL, 2021, p. 07)
(...) o exercício físico é um tipo de atividade física planejada, estruturada e repetitiva que tem o objetivo de melhorar ou manter as capacidades físicas e o peso adequado. (BRASIL, 2021, p. 09)
A Aptidão física está relacionada a capacidade de realizar as atividades cotidianas com menor esforço e de modo satisfatório. A aptidão pode estar relacionada à saúde ou ao desempenho.
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